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como fazer intercâmbio grátis

Como fazer intercâmbio de graça (ou quase)

Por Priscila Bellini

Conheça programas de bolsa que apoiam estudantes brasileiros no high school, na graduação e na pós no exterior.

A experiência no exterior pode não parecer das mais baratas, a princípio. Com os gastos com vistos, passagens, hospedagem e cursos, então, parece um desafio. Afinal, como é possível baratear os custos, ou, em outras palavras, como fazer um intercâmbio grátis?

A resposta é simples: depende. Como qualquer processo de escolha, é necessário entender os motivos que estão por trás dessa decisão e, também, como tornar essa vivência mais “sua”. Na prática, isso significa achar o programa ideal para o seu momento pessoal, acadêmico e profissional. É um processo longo, em que devem pesar fatores como os recursos disponíveis, o planejamento financeiro e em qual fase da vida você está.

Decidido isso, o próximo passo é tornar o intercâmbio mais acessível. E, para começo de conversa, o caminho certeiro é procurar as bolsas de estudo disponíveis.

Bolsas de estudo no exterior

São variadas e servem às mais diversas modalidades, do ensino médio à pós-graduação. Não é exagero dizer que há bolsas de estudo para qualquer período de estudo, sendo que elas podem cobrir os custos do programa (a tuition de uma universidade, por exemplo) ou incluir no pacote mesmo os gastos com visto.

Intercâmbio grátis no Ensino Médio

A vontade é fazer um intercâmbio grátis e melhorar o currículo com uma experiência no exterior logo no ensino médio? Para os alunos interessados no high school americano, por exemplo, há programas específicos, como o da ONG ANS. No caso desse projeto, é destino a jovens que não têm condições de fazer intercâmbio sem bolsas de estudo. A ANS cobre as despesas com emissão do visto, passagens áreas de ida e volta aos Estados Unidos, hospedagem e alimentação em casa de família, transporte para a escola, materiais didáticos e seguro saúde. Fora tudo isso, o estudante ainda tem uma ajuda de custo de US$ 120 mensais.

Já os United World Colleges (UWC) também oferecem oportunidades aos alunos de ensino médio que buscam uma experiência internacional. Nesses colégios internacionais, localizados em diversos países, a missão é promover a paz e a compreensão entre povos por meio da educação. Por isso, o UWC oferece bolsas integrais de estudo a jovens que estejam no primeiro ou segundo ano do ensino médio, e tenham entre 15 e 18 anos de idade.

Bolsas de estudo para graduação e pós

No nível superior, há mais caminhos para obter uma bolsa de estudos. O primeiro deles é recorrer às parcerias estabelecidas entre universidades brasileiras e as estrangeiras – ou, em outras palavras, os convênios. O outro é recorrer às bolsas oferecidas por organizações, empresas e governos.

Os programas ligados ao Banco Santander, por exemplo, concedem apoio financeiro para intercâmbios acadêmicos com duração menor (de algumas semanas a seis meses). Há ainda bolsas para graduação completa, como acontece nas universidades estrangeiras que dão bolsas merit-based ou need-based. Para quem se dá bem com esportes, por exemplo, há ainda bolsas para atletas.

Já os processos seletivos disponíveis para quem deseja cursar a pós-graduação fora do Brasil são ainda mais numerosos. Entidades como a Fundação Carolina, por exemplo, apoiam alunos latino-americanos nas mais diferentes áreas e focam instituições de destino na Espanha. No caso da fundação espanhola, os benefícios variam de acordo com o curso escolhido e podem cobrir entre 50 e 100% do valor da anuidade. Além disso, a lista de benefícios conta com passagens aéreas, seguro saúde e auxílio para manutenção no país.

Governos como o americano também atraem interessados em pós-graduação para os cursos no exterior. O programa Fulbright, no caso dos Estados Unidos, é o mais conhecido. Há bolsas para graduação, mestrado, doutorado sanduíche e pós doutorado, além de visiting scholars (quando um pesquisador passa um período trabalhando em outra instituição de ensino). As bolsas de graduação, no entanto, só se aplicam a alunos que desejam estudar em community colleges, e as bolsas de mestrado são exclusivas para cursos de Cinema. O forte realmente do programa são as bolsas de doutorado sanduíche e pós doutorado que cobrem praticamente todas as áreas. A bolsa Fulbright já revelou diversos talentos ao redor do mundo: no total, 53 ex-bolsistas foram agraciados com o prêmio Nobel.

O governo britânico também tem tradição em termos de bolsas de estudo para brasileiros. O programa Chevening contempla candidatos de todas as áreas (humanas, exatas e biológicas) e apoia estudos em diversas instituições do Reino Unido. A bolsa cobre as passagens de ida e volta para o Reino Unido, anuidade de até £ 13.000 (caso este valor seja ultrapassado, o aluno deverá arcar com o valor remanescente) e gastos com despesas pessoais. Em geral, as bolsas são concedidas para programas de pós-graduação de um ano (mestrado ou MBA). Os interessados passam por um processo de seleção e devem seguir um passo a passo para garantir a bolsa.

Há ainda bolsas do governo holandês, que também oferecem vagas específicas para brasileiros, e fundos que oferecem bolsas de estudo para qualquer mestrado.  

 

Países para estudar de graça (ou quase)

Em matéria de intercâmbio grátis, muitos países já deram o primeiro passo. Em outras palavras, há diversos países que não cobram anuidade (a tuition, em inglês), ou que optam por um valor simbólico para manutenção do estudante. As bolsas, entretanto, são bastante competitivas e por vezes demandam que o estudante atenda a uma série de pré-requisitos.

Universidade de graça na Alemanha

Além de oferecer mais de 800 programas de pós-graduação ministrados em inglês, as universidades da Alemanha não cobram nenhuma anuidade de estudantes de graduação, e alunos de mestrado devem pagar apenas um valor simbólico, que varia de estado para estado. Nesta página é possível encontrar informações atualizadas sobre os valores cobrados nas diferentes províncias.

Doutorados e PhDs na Alemanha também são, a princípio, de graça. Dependendo da instituição, pode haver a cobrança de uma contribuição semestral de 150 a 200 euros. Em todo caso, não é raro que estudantes de doutorado trabalhem em um projeto de pesquisa (em que são remunerados pelo seu estudo) ou recebem bolsas de estudo.

Para finalizar, a Alemanha não é um país caro para se viver. Em geral, estudantes alemães gastam entre 500 e 700 euros por mês com acomodação, transporte, alimentação e despesas gerais.

Confira aqui uma lista com as principais instituições de ensino do país e aqui relatos de estudantes brasileiros na Alemanha.

Universidade (quase) de graça na França

A França possui mais de 80 cursos de graduação em inglês, mas a maioria é oferecida por universidades particulares, com valores que podem chegar a 12 mil euros. Quem está disposto a falar francês, porém, pode se beneficiar do ensino de qualidade e barato das universités e écoles. As primeiras oferecem graduações e mestrados por valores que variam entre 200 e 400 euros anuais; as segundas, que oferecem formações mais específicas como engenharia e arquitetura, cobram cerca de 600 euros anuais.

Segundo o governo francês, o universitário precisa de 430 euros por mês para se manter enquanto estuda no país. Alunos internacionais podem trabalhar até 964 horas ao ano na França, o que corresponde a 60% da carga horária de uma pessoa com emprego em tempo integral.

 

Competições e Concursos

Diversas organizações – de instituições internacionais a agências de intercâmbio – promovem concursos online que têm como prêmio algum intercâmbio. A ONU, por exemplo, todos os anos realiza o concurso de redação “Many Languages, One World“, que leva estudantes de ensino superior para uma semana de eventos em Nova York com todas as despesas pagas.

Agências de intercâmbio e escolas de idiomas também oferecem, ocasionalmente, bolsas de isenção de todas as taxas do curso e materiais didáticos – embora alojamento e passagens aéreas sejam por conta do estudante. A LAE Educação Internacional, por exemplo, lançou em 2016 uma bolsa para estudar inglês na Austrália através de um jogo online.

Existe inclusive uma plataforma especializada em promover competições por vagas, prêmios e bolsas de estudos. Baseada na Suécia, a Sqore tem concursos abrindo e fechando inscrições durante todo o ano. Em geral, as oportunidades solicitam que seja preenchido um teste específico – de conhecimentos gerais e informações sobre a instituição (com duração de 6 a 10 minutos) e envio de uma carta de motivação. Documentos e testes complementares podem ser requisitados, de acordo com a vaga oferecida.

Uma das competições promovidas pelo Sqore em 2016 foi uma bolsa para curso de verão na Universidade de Edimburgo, na Escócia. Naquela edição, o vencedor foi o brasileiro Giovani Pozzo, que escreveu ao Estudar Fora falando sobre a experiência e dando dicas para quem quer seguir o mesmo caminho. “O teste é curto e não é complexo, mas as questões são bastante específicas e requerem uma leitura minuciosa do website e materiais da universidade antes de serem respondidas – além disso, o teste é cronometrado e pode ser feito uma única vez”, relembra ele.

 

Aqui no Estudar Fora, estamos sempre de olho nas principais oportunidades – de bolsas, competições e oportunidades de intercâmbio grátis.

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