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MBA Internacional: como é a experiência e como ela pode impactar sua carreira

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MBA Internacional: como é a experiência e como ela pode impactar sua carreira

Gastar alguns milhares de dólares e passar dois anos afastado do mercado de trabalho pode não parecer uma boa ideia. Mas é justamente isso que quem pretende fazer um MBA internacional precisa estar preparado para fazer. E por incrível que pareça, muitas pessoas que tomam essa decisão consideram que o investimento vale a pena.

É o caso, por exemplo, de Pedro Kuczynski, atual CFO do JusBrasil. De 2016 a 2018, ele cursou o programa de MBA da Universidade Columbia, em Nova York. Ele não teve bolsa nem fez financiamento, custeando o programa do próprio bolso. “Sempre achei que era algo que se pagasse. O investimento é volumoso, mas as portas que se abriram para mim tanto fora quanto dentro do Brasil me ajudaram a pagar”, conta.

Antes dessa experiência, Pedro tinha trabalhado sete anos no Banco Itaú BBA. Ele entrou no banco como estagiário, e foi crescendo ao longo desse período, mas também buscava outras experiências. “Eu sentia vontade de estudar fora, complementar minha educação, ter experiência internacional e trabalhar em outra área, e tudo isso o MBA consegue proporcionar”, diz. Foram metas que ele conseguiu atingir com o programa. Mais do que isso: quando voltou, ele deu um “salto tríplice” de carreira. “Mudei de geografia, indústria e cargo de uma vez só”, relata, ressaltando que encontrou um mercado ávido por profissionais com a sua experiência ao voltar para o Brasil.

Como escolher um MBA internacional?

Para Pedro, um dos principais motivadores da escolha por Columbia foi o fato da universidade ficar em Nova York. Uma das capitais financeiras do mundo, a cidade tem um mercado extremamente aquecido e uma cena cultural muito forte. É também um dos pólos do “Venture Capital”, ou VC, nos Estados Unidos. Os fundos de VC estão entre os principais financiadores de startups inovadoras, e Pedro buscava proximidade com esse mercado. “Columbia tinha um foco em empreendedorismo, e eu sabia que a cidade ia complementar isso muito bem”, diz.

Igor Marchesini, Head de Crescimento da Sumup, também tinha em vista essa mistura de empreendedorismo e tecnologia ao escolher seu MBA internacional. Segundo ele, que se formou do MBA em Stanford em 2011, foi uma escolha “relativamente fácil, porque eu sempre tive muito tesão em tecnologia e empreendedorismo. Era um no-brainer“, relata.

Já para Elizabeth Shie, consultora de Novos Negócios da Suzano, o processo foi bem mais longo. Depois de que ela e seu namorado decidiram que fariam o MBA internacional juntos, olharam para o ranking de cursos de MBA do Financial Times. Escolheram então os 15 melhores daquele ranking para pesquisar. Precisavam achar um programa que coubesse no bolso dos dois e que contemplasse os interesses de carreira de ambos. “Por exemplo: Wharton focava muito no mercado financeiro, o que era bom para meu namorado, mas para mim nem tanto”, lembra.

No final, optaram pelo programa da London Business School, já que o conteúdo do MBA era interessante para os dois. Também pesou nessa decisão o perfil altamente internacional da escola, que tem alunos de mais de 130 países diferentes. Afinal, a experiência internacional era parte do que eles buscavam.

O que você aprende num MBA internacional?

Naturalmente, o conteúdo de um curso de MBA varia conforme o programa. Considerando apenas o que se aprende em sala de aula, sua experiência vai depender bastante do curso que você escolher.

Programas como o de Stanford e Columbia, que Igor e Pedro respectivamente escolheram, focam bastante em tecnologia e empreendedorismo. Isso significa que eles abordam tópicos como a criação de novos negócios, as novas oportunidades de empreendimento que as tecnologias recentes abrem, formas de se atrair investimento para ideias inovadoras, entre outras.

Há, no entanto, programas bem diferentes. Alguns deles podem ter mais foco na parte financeira de empresas, debruçando-se sobre temas como reestruturações e gestão de ativos. Outros podem ter um foco maior em internacionalização de empresas, por exemplo. E há ainda os mais tradicionais, que se aprofundam nos aspectos mais corriqueiros da gestão de empresas.

Em todos os casos, é comum que predomine uma postura mais “mão na massa” durante as aulas do MBA. Ou seja: não é só ir às aulas, fazer anotações e ir bem na prova. O aprendizado demanda uma postura mais ativa do aluno. Pedro, por exemplo, conta que embora não esperasse muito do conteúdo de sala de aula, se surpreendeu positivamente com a experiência de Stanford. “A aula que mais me impactou foi a de coaching. Eu aprendia de manhã, de tarde ensaiava com um coach experiente e de noite era coach de três alunos do primeiro ano”, relembra.

Como é fazer um MBA internacional?

Mas para Elizabeth, Igor e Pedro, o aspecto mais impactante do MBA internacional não é o que se aprende em sala de aula, mas a vivência do curso e do ambiente. Além do conteúdo, a vivência em outro país, com pessoas em situação semelhante, com interesses semelhantes e enfrentando desafios semelhantes também ajuda a desenvolver as chamadas soft skills. Essas habilidades, como adaptabilidade, resiliência, empatia e capacidade efetiva de comunicação são justamente as que são mais demandadas no mercado.

Para Igor, o grande aprendizado do MBA internacional em Stanford foi “o empoderamento e a confiança para você fazer o que quiser”. “A gente tinha contato com fundadores do YouTube, do Twitter, e eu olhava para aquelas pessoas e via que a única diferença entre elas e os meus colegas é que elas tinham tido aquele impulso de tentar algo novo. Isso traz um nível de empoderamento muito grande”, comenta.

Outro aspecto que ele destaca de sua experiência é o networking. Ou melhor: as pessoas que você conhece. “Fui lá procurando uma rede de contato, mas voltei com amizades de verdade”, diz. Ele conta que o ambiente de Stanford parece aproximar as pessoas do MBA, facilitando a criação de vínculos. E isso ajuda a criar uma rede de contatos extremamente coesa e próxima. “Aqui em São Paulo tem uma grupo importante de ex-alunos de Stanford. Acaba virando uma comunidade que se ajuda pra caramba”, afirma.

Elizabeth aponta que, durante o MBA internacional, “você volta a ser estudante”. Ou seja: “a gente dividia apartamento, morava do lado da faculdade, fazia comida em casa para economizar dinheiro”, relembra. E o fato de quase todo mundo da sala estar nessa situação ajudava a criar proximidade entre os estudantes. “No segundo ano você pode fazer estágio e fica mais tranquilo, mas antes disso tem que tabelar gastos e se planejar bastante”, diz.

Voltando ao mercado

O estágio que Elizabeth fez durante o segundo ano do seu MBA na London School of Business foi na Suzano. E graças a essa experiência, ela já voltou ao Brasil empregada no fim do programa. De seu emprego anterior para a Suzano, “o pulo salarial acabou sendo muito maior” até mesmo do que ela esperava, já que ela começou o MBA relativamente jovem. “As expectativas foram superadas”, considera.

Na experiência de Pedro, voltar ao mercado de trabalho depois do seu MBA internacional em Columbia não foi tão difícil assim. Antes dessa experiência, ele também tinha passado seis meses em Israel, e conta que quando mencionava essas vicências, “todo mundo abria as portas”. “Fora isso, no MBA você também aprende muito a procurar trabalho, ir atrás, fazer networking e tudo mais”, complementa.

Igor, por sua vez, voltou do MBA determinado a empreender. O empoderamento e confiança que adquiriu em Stanford foi o que “me deu coragem para largar a vida corporativa e ir para um coworking criar uma empresa”. Isso foi em 2011 e a empresa em questão é a Sumup, onde ele atualmente trabalha, ao lado de mais de 750 funcionários.

Como pagar?

Programas de MBA costumam ter tuition fees bem elevados, chegando a dezenas de milhares de dólares. Por isso, mesmo com muito planejamento, são relativamente poucos brasileiros que podem, como Pedro, custear os próprios estudos durante esse período. Mesmo assim, há alternativas para quem decide dar esse passo na carreira.

Uma delas é verificar a possibilidade de patrocínio do seu atual empregador. Foi o que Igor fez: na época que decidiu fazer MBA, ele trabalhava há mais de 3 anos na consultoria Bain & Company. A empresa custeou o tuition do MBA de Igor em Stanford. Como contrapartida, ele precisaria ficar mais dois anos na companhia após voltar. No entanto, acabou preferindo fazer um acordo com a empresa para poder começar seu próprio negócio.

Nos casos em que esse patrocínio não está disponível, é possível recorrer a financiamentos. Elizabeth conta que estava “na cara do gol” para pegar um financiamento. Porém, acabou conseguindo inteirar o valor do seu curso pouco antes de ir. Ainda assim, ela recomenda empresas como a Prodigy Finance que oferecem opções para custear MBA. “É fácil e rápido de pegar, e as taxas de juros fazem sentido”, conta sobre sua experiência.

E, finalmente, há sempre a possibilidade de se conseguir uma bolsa. As oportunidades são mais numerosas do que se imagina. Aqui no Estudar Fora, nós listamos a cada mês as 25 melhores bolsas com inscrições abertas, e sempre há opções de MBA entre elas. Aplicar para uma bolsa para MBA internacional exige bastante preparação, mas vale a pena. E você vai encontrar muitos recursos por aqui para te ajudar nesse processo.

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