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Tiff Macklem, diretor da Rotman School, melhor escola de negócios canadense

O que a melhor escola de negócios canadense busca em seus candidatos para MBA

Por Priscila Bellini

A Rotman School of Management, localizada em Toronto, tem um nome a zelar. Afinal, trata-se da melhor escola de negócios canadense, que atrai centenas de estudantes para seu programa de MBA. A instituição integra a Universidade de Toronto, também líder nos rankings universitários mundiais.

Mas o que a instituição tem procurado nos processos seletivos para MBA? Nas palavras de Tiff Macklem, diretor da Rotman, em entrevista ao Estudar Fora: diversidade. De formação acadêmica, de gênero e também de países de origem. E essa é uma boa oportunidade para os brasileiros. “Três anos atrás, nós tínhamos 12 alunos brasileiros, em um grupo de 350. Este ano, subimos para 25, só na nova turma do MBA”, detalha o diretor.

Saiba quais são as vantagens de estudar na Rotman e como se destacar no processo de seleção para o MBA. “Nós queremos pessoas que tenham a experiência profissional e o comportamento, a nível pessoal, que as façam bem-sucedidas nos negócios”, sintetiza Tiff Macklem.

O que faz com que o Canadá seja um bom destino para o MBA?

O Canadá, se comparado a diversos países, é muito aberto ao mundo. Os Estados Unidos estão restringindo imigração, no Reino Unido nós vimos o Brexit e alguns países europeus há uma onda de populismo com discurso contrário à imigração. Enquanto isso, o Canadá está aumentando o número de imigrantes que recebe e é um país construído pela imigração.

A escola de negócios da universidade localiza-se bem no coração de Toronto, o centro comercial do Canadá, e é uma cidade tremendamente diversa e inclusiva. Essa localização vira uma excelente vantagem para uma business school, porque torna mais fácil a conexão com a comunidade e com oportunidades de negócio. Esse é um ponto essencial da experiência no MBA da Rotman School of Management, essa conectividade. Os estudantes não estão apenas analisando cases, já que muitas empresas trazem desafios reais para os nossos alunos.

O que você pode nos contar sobre a experiência acadêmica do MBA?

O nosso programa de MBA evoluiu muito e vai muito além da experiência em sala de aula. Uma das dimensões que eu destacaria é o que chamamos de “experiential learning”. O que sabemos sobre educação é que, se você quer estudar uma coisa, precisa usar aquilo, precisa fazer algo com o que aprendeu, e apostamos nisso. A oportunidade não só de ter aula com professores brilhantes mas também de trabalhar com novos negócios, de se envolver com empresas e trabalhar um projeto em especial. Assim, o aluno não só adquire conhecimentos, mas também habilidades que pode aplicar. Nós maximizamos o número de experiências do tipo às quais o estudante tem acesso e isso também faz parte do que o MBA tem a oferecer.

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Um outro ponto importante, muito mais ligado ao desenvolvimento pessoal, é o Self-Development Lab, que trabalha uma série de aspectos ligados ao comportamento. Uma coisa é ter a melhor ideia e outra é saber como convencer o seu chefe de que aquela se trata da melhor ideia, do que vai funcionar – o que é uma questão de persuasão. É necessário aprender a trabalhar com os outros, a identificar a melhor opção e trabalhar em equipe em cima dessa ideia. Então nós trabalhamos essas habilidades, a capacidade de melhorar seu próprio comportamento, de trabalhar em grupos diversos, de ser um bom líder e de se comunicar melhor.

Quais as vantagens de fazer um programa de MBA com duração de dois anos?

Nós acreditamos muito no modelo de dois anos de MBA, em especial porque vemos o estágio como um aspecto essencial do programa. É a chance de usar o que o aluno aprende em seu primeiro ano de curso e de aplicar em uma experiência profissional fabulosa. Em particular, isso importa para aqueles que desejam fazer uma mudança de carreira, já que ajuda a “testar” se essa nova área é tão interessante quanto parece.

Uma coisa que nós fizemos para melhorar essa experiência foi adaptá-la ao que nós batizamos de “sistema de estágio flexível”. Antes, o estudante costumava ter um ano de aulas, e depois fazia o estágio durante o verão, para então voltar à universidade e fazer as matérias eletivas. Agora, essa é uma experiência flexível. É obrigatório fazer o primeiro ano de aulas mas, uma vez concluído isso, o aluno pode escolher entre fazer seu estágio no verão, no outono ou no inverno. Isso abriu ainda mais oportunidades de estágio, já que as empresas viram que podem ter esses alunos ao longo de todo o ano.

O que a melhor escola de negócios canadense busca em seus candidatos para o MBA?

Um dos pontos-chave do MBA é ter um ambiente diverso. Então, nós não queremos mais do mesmo, queremos que sejam pessoas diferentes. Nos últimos dois anos, nós aumentamos para 40% o número de mulheres nos programas de MBA. Uma das estatísticas de que mais me orgulho é de que, nos últimos dois anos, as applications feitas por homens aumentaram em 40%, enquanto que as enviadas por mulheres cresceram 65%.

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A diversidade de países representados também é importante. Nós temos mais de 30 nacionalidades nas salas de aula. Outro aspecto importante tem a ver com a formação dessas pessoas, e nós recebemos candidatos de todos os perfis. Temos gente de finanças, de engenharia, de economia… E temos visto um crescimento na variedade de backgrounds desses estudantes. Há alunos que fizeram cursos em áreas de humanidades ou de indústrias criativas, outros que são médicos de formação, que têm uma carreira científica, ou mesmo que são militares.

O que faz com que um candidato se destaque no processo de seleção?

Nós olhamos para os testes, como o GMAT e o histórico escolar da graduação, mas também levamos em conta a experiência profissional e a qualidade dela. Nós queremos saber que tipo de experiência você trará às aulas, porque em um programa de MBA aprende-se muito com os colegas. Outra parte da application refere-se à entrevista em vídeo. Queremos pessoas que tenham a experiência e o comportamento, a nível pessoal, que o façam bem-sucedido nos negócios. Nós temos que ter certeza de que selecionamos estudantes que podem realmente se beneficiar do programa.

Há alguma forma de compensar um desempenho mediano em provas como o GMAT?

Sim, é possível. O que nós descobrimos ao longo dos anos, analisando a performance dos alunos, é que os resultados do GMAT não indicam se um estudante se sairá melhor no MBA ou mesmo no mercado de trabalho. É claro que nós levamos em conta o resultado do GMAT, que em média fica em torno de 600, mas temos abertura para notas mais baixas, por volta de 500. Mas esse não é o nosso foco na seleção, é só um dos fatores. É importante ter boas experiências de trabalho, com bons resultados para mostrar.

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Como se preparar para uma entrevista da Rotman School?

Meu melhor conselho é pedir a pessoas próximas, a amigos que se dão bem no mercado de trabalho, para que façam perguntas. Pode ser sobre uma grande variedade de assuntos. Por exemplo, o que você faria para melhorar o transporte público em São Paulo? Pense nisso por três minutos e responda por dois minutos. Eu não tenho ideia do que pode melhorar o transporte em São Paulo, na verdade. Mas o que nós queremos identificar na entrevista é sua criatividade, sua capacidade de pensar por si mesmo, de estruturar uma resposta e ser persuasivo. Você pode chamar seus amigos e fazer esse exercício. Nós sempre nos saímos melhor quando praticamos bastante.

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