6 autores e intelectuais negros essenciais para entender o presente

bell hooks

Uma pesquisa recente divulgada pelo IBGE revelou que, pela primeira vez, o número de estudantes negros e pardos nas universidades públicas brasileiras ultrapassou o de brancos. Trata-se de uma conquista importante de igualdade num país em que metade da população se encaixa nesse perfil étnico.

No entanto, a entrada de autores negros nas bibliografias das disciplinas universitárias ainda está longe dessa meta. Uma olhada na lista de livros lidos por estudantes de Stanford e Harvard, por exemplo, revela a ausência de pensadores negros entre os estudados nessas universidades.

Mas isso não significa que eles não existam, muito menos que suas contribuições não sejam essenciais para o nosso entendimento do mundo contemporâneo. Por isso, listamos a seguir seis autores e intelectuais negros cujas contribuições para a ciência são vitais para o nosso momento. Confira:

Achille Mbembe

O filósofo e teórico político Achille Mbembe nasceu nos Camarões em 1957. Em 1989, obteve seu Ph.D. em História na Universidade de Sorbonne, em Paris, e desde então ocupou cargos em universidades como Columbia, Duke, Yale, University of California, Berkeley e UPenn. Atualmente, é professor do instituto W.E.B. Dubois em Harvard.

Os temas estudados por Mbembe são a histórica da África, o pós-colonialismo e seu impacto nas relações de poder contemporâneas. Ele é conhecido por estabelecer o conceito de “necropolítica”, que entende a morte como exercício final de dominação do poder estatal, e que expande as noções de biopoder estabelecidas por Foucault. É uma ideia que expande o entendimento de questões como a “guerra às drogas” e a subjugação da Palestina, por exemplo. No Brasil, estão disponíveis suas obras mais recentes, Crítica da Razão Negra e Políticas da Inimizade.

Angela Davis

Angela Davis se tornou famosa por sua atuação junto aos Panteras Negras nos Estados Unidos entre as décadas de 60 e 70. Seu ativismo é embasado numa trajetória intelectual extremamente robusta: ela foi uma das três alunas negras da Brandeis University, onde fez sua graduação, e depois tornou-se aluna do filósofo Herbert Marcuse nas universidades de Frankfurt e California, San Diego. Já publicou mais de 10 livros sobre temas como feminismo e a luta de classes vista da perspectiva racial.

Se hoje conseguimos perceber as diversas maneiras como o racismo continua a agir na nossa sociedade, é em parte graças ao trabalho de Davis. Suas pesquisas históricas revelaram como os negros, e principalmente as mulheres negras, continuaram excluídos de muitas das oportunidades de ascenção econômica mesmo com o fim da escravidão. Sua obra é importantíssima para entender o racismo institucional que agu na formação das sociedades ocidentais contemporâneas.

bell hooks

bell hooks (em minúsculas mesmo) é o nome usado pela autora Gloria Jean Watkins em seus livros. Em uma palestra na Rollins College, ela contou que adotou o nome da sua bisavó, que era conhecida pela língua afiada, e que usa as minúsculas tanto para se diferenciar dela quanto para manter o foco “na substância dos livros, não em quem eu sou”. Filha de um zelador e de uma dona de casa, ela se graduou em Stanford em 1973, conquistou o mestrado na Universidade de Wisconsin-Madison em 1976, e o doutorado na University of California, Santa Cruz em 1983.

Com mais de 30 livros publicados, bell hooks já escreveu sobre temas como pedagogia engajada, gênero e comunidades. Em seu livro “Feminismo é para todos”, ela se consolidou como uma das principais defensoras da noção de feminismo como o fim da opressão e exploração baseada em gênero. Ela também é uma das principais responsáveis pelo nosso entendimento do papel que a representação distorcida de negros na mídia cumpre na perpetuação de pensamentos e atitudes racistas.

Chimamanda Ngozi Adichie

A autora Chimamanda Ngozi Adichie é mais conhecida por seus romances Hibisco Roxo, Meio Sol Amarelo e Americanah. No entanto, além de sua carreira literária, ela também tem uma obra bastante robusta de ensaios e uma trajetória acadêmica muito respeitável. Natural da Nigéria, ela se mudou para os EUA com 19 anos para estudar na Universidade de Drexel, e fez mestrados em escrita ciriativa (pela Universidade Johns Hopkins) e estudos africanos (por Yale).

Tanto em seus romances quanto em seus ensaios, os principais temas que Chimamanda aborda são feminismo e a identidade do continente africano. Ela é a responsável por um dos “TED Talks” mais vistos da história, intitulado “O perigo de uma história única”, no qual ela fala sobre a ausência de referências positivas sobre a África no Ocidente. Outra palestra sua de muito sucesso é intitulada “Sejamos Todos Feministas”, na qual ela expõe suas experiências sobre ser uma feminista africana.

Milton Santos

O geógrafo brasileiro Milton Santos nasceu em 1926, formou-se em Direito na Universidade Federal da Bahia (UFBA) em 1948 e fez doutorado na Universidade de Estrasburgo, na França, entre 1956 e 1958. Ao longo de sua trajetória intelectual, ele se tornaria professor livre docente da UFBA e receberia o título de doutor honoris causa de mais de 20 universidades do mundo. Foi professor convidado de universidades como a Universidade de Toronto e trabalhou junto com Noam Chomsky no MIT.

Entre as contribuições de Milton Santos para a geografia contemporânea, destacam-se suas pesquisas sobre as economias de “terceiro mundo” e sobre o subdesenvolvimento. Ele também é reconhecido como um dos grandes críticos do conceito de “globalização”, que ele enxerga como um processo produtor de novos totalitarismos, um eliminador de culturas e um transformador de “cidadãos” em “consumidores”.

Neil deGrasse Tyson

O astrofísico Neil deGrasse Tyson se formou em física em Harvard em 1980, fez mestrado em astronomia na University of Texas at Austin concluindo em 1983, e conquistou o Ph.D. em astrofísica na Columbia university em 1991. Em toda a sua trajetória acadêmica, pesquisou sobre cosmologia, a formação dos corpos celestes e a evolução das estrelas.

Apesar de sua expressiva pesquisa nessa área, Tyson é mais conhecido hoje como educador e divulgador científico. Ele frequentemente participa de palestras e programas de TV para falar de maneira clara e simples sobre questões científicas complexas, e em 2014 apresentou a série de TV Cosmos, uma continuação da série de mesmo nome criada por Carl Sagan na década de 1980.

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