Um Projeto: Fundação Estudar
Brasileira fala sobre como é ser mãe e fazer mestrado no exterior

“Se você é mãe e tem certeza de que estudar fora vai ajudar a alcançar suas metas, faça isso”

Por Priscila Bellini
14.05.2018

A brasileira Beatriz Buarque embarcou para a Universidade de Westminster, com apoio de uma bolsa Chevening - enquanto seu filho ficou no Brasil. "Para as pessoas, era como se a maternidade fosse incompatível com o meu avanço profissional".


A brasileira Beatriz Buarque, fundadora na organização Words Heal the World, embarcou para o Reino Unido depois de receber apoio financeiro do Chevening, o programa de bolsas do governo britânico. Passou pelo processo seletivo extenso do programa e poderia, então, juntar-se a um grupo de 65 brasileiros aprovados, para começar o mestrado na área de Relações Internacionais e Segurança. Depois do “sim” vindo do Chevening, entretanto, Beatriz teve de encarar um obstáculo: os comentários de quem estranhava que ela pensasse em estudar fora, depois de ser mãe.

“Muitas pessoas vieram me questionar, como se o fato de eu querer me aprofundar em um tema fora do Brasil fosse um absurdo”, conta Beatriz, jornalista com mais de dez anos de redação. “Era como se, para elas, a maternidade fosse incompatível com o meu avanço profissional”.

Com um plano já estabelecido de analisar o impacto da internet na chamada “quinta onda de terrorismo”, no mestrado na Universidade de Westminster, Beatriz sabia que queria colocar em prática projetos focados em jovens. Ela explica que os mais novos acabam recebendo mais conteúdo persuasivo de grupos radicais, que propagam ideais como racismo, xenofobia e “tudo que fere os Direitos Humanos”. “Eu pensava: ‘como é que os jornalistas não estão se organizando pra desenvolver uma contra-narrativa?'”.

A saída encontrada foi criar a Words Heal the World – organização que treina jovens para reconhecer e desconstruir mensagens extremistas veiculadas nas redes – e fazer as malas para a instituição britânica.

Ser mãe e estudar fora: preparativos

Com o aceite em mãos e a aprovação do Chevening, Beatriz teve de pensar em como conduziria o ano de mestrado em período integral. A princípio, ficou dividida entre a opção de levar o filho consigo e a de que ele continuasse a morar no Brasil. “Eu não quis trazê-lo junto porque vi que seria uma mudança muito brusca para passar um ano fora”, explica ela.

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Outro fator que pesou, ao analisar as duas alternativas, foi o financeiro. Para conseguir levar um dependente consigo, seria necessário comprovar renda suficiente para mantê-lo por um ano. “Se eu pensasse em trazê-lo, levaria um susto no meio do processo”, brinca a jornalista. Em termos gerais, essa exigência equivale a ter cerca de 7 mil libras na conta bancária, antes de embarcar para o país europeu.

Ficar a um oceano de distância do filho, por outro lado, é difícil – e a brasileira aproveita as ligações todos os dias e as mensagens por Whatsapp para matar a saudade. “Ele está acompanhando tudo e até tentando melhorar o inglês“, comenta Beatriz, que também recebeu a visita do filho.

Conselhos para outras mulheres

“Se você é mãe e tem certeza de que estudar fora vai ajudar nas suas metas, faça isso”, resume a mestranda. Ela conta que, durante o processo seletivo para a bolsa Chevening, preparou-se muito para responder questões sobre o fato de ser mãe. “Foi uma parte que eu trabalhei muito com a coach”.

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Isso porque, muito além dos requisitos para estudar no exterior, as candidatas precisam lidar com o preconceito de quem está em volta. “As pessoas queriam me convencer de que era um problema, mas não é. Teve até gente que disse que meu casamento iria acabar”, afirma Beatriz. “Eu duvido que um homem ouviria isso, se ganhasse a bolsa”.

Mesmo diante dos preconceitos, ela encara o cenário com otimismo. Por exemplo, dos 65 aprovados pelo programa britânico no Brasil, mais da metade são mulheres. Pelo lado pessoal, Beatriz também contou com a motivação de parentes e amigos. “Eu sofri o preconceito mas também fui muito apoiada”.

E o apoio financeiro? 

Muitas universidades reconhecem a necessidade de promover iniciativas para acesso e manutenção de acadêmicas que são mães nos campi. Por exemplo, há bolsas específicas que dispõem de um valor extra para candidatas que levam consigo dependentes – como filhos ou cônjuge.

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As Marie Skłodowska-Curie Actions, programa da Comissão Europeia que contempla candidatas brasileiras, já investiu 218,5 milhões de euros em Individual Fellowships. Caso as candidatas tenham passado algum tempo afastadas por motivos pessoais — como uma licença maternidade –, é possível destacar a situação para a banca avaliadora. Em outras palavras, uma doutoranda que passou o último ano dedicada a cuidar do filho recém-nascido, por exemplo, pode ser encaminhada para um programa de reinserção junto à bolsa.

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