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14.03.16

Meu ensino médio na Índia: couchsurfing e hospitalidade no mundo todo

Meu ensino médio na Índia: couchsurfing e hospitalidade no mundo todo

Lucas Sato, estudante do colégio internacional UWC, na Índia, conta como uma rede de alunos global o levou a conhecer diversos países por um ponto de vista local.

Sentado em uma cadeira próxima ao portão 73 do aeroporto internacional de Mumbai, acabava de acertar os detalhes de encontro com meu amigo nepalês quando ouvi a primeira chamada de embarque para o meu voo. Ainda cansado do intenso semestre, subi no avião que em três horas pousaria no aeroporto de Kathmandu, Nepal, onde meu amigo estaria à minha espera, pronto para me hospedar por uma semana inteira.

Foi só no avião que tive a oportunidade de parar e refletir sobre meus primeiros dias de Winter Break, as férias de Inverno: assim que as aulas acabaram, passei três dias em Pune (a cidade principal mais perto do colégio), hospedado na casa de um colega de classe. Então, peguei carona no carro da família de um outro amigo de Pune, que ia a Mumbai, onde passei duas noites no apartamento de um terceiro colega de classe, que ainda fez questão de me deixar no aeroporto para o meu voo ao Nepal.

Por surreal que pareça, esse estilo de vida baseado na estrada e na hospitalidade de amigos é muito comum entre alunos e ex-alunos de United World Colleges, e a possibilidade de couchsurfing em qualquer parte do mundo é frequentemente citada como um dos grandes atrativos de estudar em um. De fato, lembro muito bem do meu próprio processo seletivo, quando escutei um de meus selecionadores casualmente comentando com outro que seu ex-colega de classe nigeriano ia passar alguns dias hospedado em sua casa. Foi então que percebi que a experiência de estudar em um UWC ia muito além, tanto espacialmente quanto temporalmente, dos dois anos em um colégio no exterior, e que incluía, sem dúvida, integrar uma família de milhares de ex-alunos sempre de braços abertos e sofás preparados para receber visitas de todos os cantos do mundo.

O grupo de Facebook da comunidade brasileira UWC está repleto de posts do tipo “Minha amiga coreana da turma de 98 do UWC na Costa Rica vai passar o Réveillon no Rio, mas eu vou estar de viagem! Tem alguém que pode hospedá-la por duas noites?”. E nenhum desses posts fica sem resposta! Mesmo a própria secretaria do colégio diz a todos os alunos internacionais que, se eles não pretendem voltar a seus países durante as férias, o colégio tem uma lista de contatos de ex-alunos na Índia que se dispõem a hospedar quem for preciso.

Pude me engajar com sua cultura e história de uma maneira muito mais real e humilde que teria feito sem a companhia de meu amigo local

Mas também não é puramente uma questão de praticidade e economia: poder contar com amigos locais também torna possível uma forma de turismo e passeio muito mais real e significativa, como foi para mim no Nepal. Meu anfitrião não só tinha um entendimento perfeito e natural do transporte público e das melhores rotas a se tomar, por exemplo, como também podia me explicar histórias, costumes e a importância de pontos turísticos com uma familiaridade e tangibilidade que nenhuma revista de turismo seria capaz de transmitir. Caminhando e conversando pelas ruas de Kathmandu, pude me engajar com sua cultura e história de uma maneira muito mais real e humilde que teria feito sem a companhia de meu amigo local. Tudo isso sem mencionar, é claro, as ótimas recomendações de lanchonetes e cafés que só quem viveu a vida inteira em um lugar pode dar.

No final, não resta dúvida nenhuma de que quando se diz que o UWC não é uma rede de colégios, mas sim uma família, não há nenhum exagero. Ao invés de entristecer, escalas de dez horas em aeroportos aleatórios sempre animam pela simples possibilidade de reencontrar amigos que não se veem há anos. De emprestar o sofá para um amigo cujo voo sai no meio da madrugada a tomar uma rota que não é direta, mas que passa pela cidade de um colega de classe, alunos UWC nunca perdem a oportunidade de se encontrarem, e a estrada é sempre amiga quando se sabe que, onde quer que seja, vai haver sempre alguém animado para te ajudar e conversar um pouco.

 

*Foto: Os “Olhos de Budda”, em um dos principais templos de Kathmandu


lucas sato

O paulistano Lucas Sato teve uma educação primária baseada em muita história em quadrinhos. Assim, aos seis anos tomou gosto pelas letras e começou a escrever por hobby. Costuma brincar que é “astrônomo de quintal” e “filósofo de telhado”, com uma lista de interesses que vai de política a jardinagem. Dando aulas de inglês a crianças carentes, descobriu na Educação uma paixão. Hoje, cursa o ensino médio na Índia, no Mahindra United World College (UWC) – um concorridíssmo colégio internacional que reúne estudantes de vários países e tem como missão promover a paz entre os povos.

 

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