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10.11.14

Meu ensino médio na Índia: visitas a templos e ao “falso Taj Mahal”

Meu ensino médio na Índia: visitas a templos e ao "falso Taj Mahal"

Lucas Sato, de 16 anos, estudante do Mahindra United World College (UWC) – colégio internacional que reúne estudantes de vários países - conta suas aventuras!

Um dos vários pontos turísticos da cidade é o Bibi Ka Maqbara, um enorme mausoléu muitas vezes comparado ao Taj Mahal

Duas da madrugada, um grupo de jovens de vários países esperava em uma pequena praça, cada um sentado desconfortavelmente em bancos, malas ou muros. Perto, eu esticava as pernas caminhando por ruas quase desertas com Janek, meu amigo polonês, reclamando do frio e da demora do ônibus. De volta à praça, esperamos mais um pouco. Uns de nós liam, alguns dormiam, outros comiam, mas todos esperávamos. De repente, uma luz forte.
Is that our bus?, alguém perguntou.
– I think so, outra pessoa respondeu.

E então, doze adolescentes, subitamente despertos, saíram em disparada no meio da madrugada para atravessar a rua e alcançar o ônibus, em uma cidade em que nenhum deles havia estado antes, que falava uma língua conhecida por apenas uma pessoa do grupo. De fato, era nosso ônibus, com camas e ar condicionado. Aliviado, subi e caminhei pelo corredor até achar minha cama. Deitei, puxei a cortina, e dormi, exausto, durante as seis horas de viagem de Aurangabad a Pune, a cidade mais próxima do colégio. Aproximava-se o fim de meu primeiro Exeat, o fim de semana estendido no qual os alunos aproveitam para viajar e conhecer melhor o encantador país que nos hospeda.

TemploDurante o Exeat, meu grupo de amigos decidiu visitar a cidade de Aurangabad, uma charmosa cidade turística conhecida como a “Cidade dos Portões”. Um dos vários pontos turísticos da cidade é o Bibi Ka Maqbara, um enorme mausoléu muitas vezes comparado ao famoso Taj Mahal devido à semelhança entre as duas construções. O Bibi Ka Maqbara é inclusive conhecido informalmente como o “Taj falso”, o que de maneira alguma o impede de ser extremamente impressionante. A construção em si é magnífica, e o jardim ao redor merece uma menção à parte.

O que realmente garante a Aurangabad o bem merecido título de capital turística do estado de Maharashtra, no entanto, são os conjuntos de grutas Ajanta e Ellora. Ambos os conjuntos têm grande importância religiosa, já que as cavernas eram usadas como templos, mas enquanto Ajanta tem um foco especial nas pinturas e inclui somente grutas budistas, Ellora chama atenção mais pelas esculturas e arquitetura, além de incluir não só grutas budistas, mas também hinduístas e jainistas. De qualquer maneira, ambos os sítios arqueológicos são inimaginavelmente belos e de enorme importância cultural (meu colégio recentemente levou os alunos de Artes Visuais para uma expedição de fim de semana para estudar as grutas).

Uma “gruta” de Ellora em especial chama atenção: o Templo Kailasa – um enorme monumento esculpido por dez gerações de trabalhadores a partir de parte de uma montanha. O resultado é indescritível. Estar parado ao pé do templo, estender a mão, sentir a rocha e, nela, o fruto do trabalho incessante de milhares de pessoas em cerca de cento e cinquenta anos transmite uma sensação esmagadora.

Cada momento a mais na Índia é um momento a mais me apaixonando pelo país

Ali, na ponta de seus dedos, está o suor de geração após geração de escultores, centenas de anos repletos de história, um símbolo poderosíssimo de devoção a Shiva, uma das principais divindades do hinduísmo.

Infelizmente, nosso Exeat rapidamente chegou ao fim, mas ainda que nos tivessem dado uma semana a mais, não teria sido possível absorver toda a beleza e cultura que Aurangabad tinha a nos oferecer. Foi ótimo poder vivenciar a Índia de uma maneira mais pura e direta. Desde dividir um minúsculo rickshaw (aquelas carroças puxadas por animais) com outros cinco passageiros a barganhar uma peça de mil e quinhentas rúpias em um mercado de rua até conseguir comprá-la por trezentas, cada momento a mais na Índia é um momento a mais me apaixonando pelo país.

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lucas satoO paulistano Lucas Sato teve uma educação primária baseada em muita história em quadrinhos. Assim, aos seis anos tomou gosto pelas letras e começou a escrever por hobby. Costuma brincar que é “astrônomo de quintal” e “filósofo de telhado”, com uma lista de interesses que vai de política a jardinagem. Dando aulas de inglês a crianças carentes, descobriu na Educação uma paixão. Hoje, cursa o ensino médio na Índia, no Mahindra United World College (UWC) – um concorridíssmo colégio internacional que reúne estudantes de vários países e tem como missão promover a paz entre os povos.

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