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Estudantes durante intercâmbio na Grécia

Intercâmbio na Grécia: o que esperar de um país histórico, mas ainda em recessão

Por Colunista do Estudar Fora
17.04.2018

Por Gabriela Favaron


Sempre fui uma pessoa que gosta de explorar novos lugares, comidas e culturas. Desde pequena, viajo com a minha família pelo Brasil descobrindo as grandes regionalidades e diferenças que temos no nosso país. Em 2012, tive a oportunidade de viajar pelo programa Ciência sem Fronteiras para o Canadá – a minha primeira viagem internacional. Na época, eu tinha 19 anos de idade e já sabia que aquele seria o primeiro de muitos países que viriam por aí.

Quando retornei, decidi que queria proporcionar o mesmo desenvolvimento que vivi e foi nesse contexto que conheci e me apaixonei pela AIESEC. Acredito ser fundamental a realização de um intercâmbio profissional e que todos deveriam ter acesso a este tipo de experiência.

Trabalhei na organização durante 3 anos consecutivos, sendo em 2016 como Presidente do escritório local da AIESEC no ABC. Foi sem dúvida uma das experiências mais desafiadoras e empreendedoras da minha vida. E depois de enviar e receber tantas pessoas, eu decidi viver o meu próprio intercâmbio profissional através do programa Empreendedor Global da AIESEC na Grécia.

Meu Intercâmbio na Grécia

Em Atenas, morei em um alojamento estudantil no centro da cidade com intercambistas de diversos países, como México, Índia, China e Ucrânia. Viver sob o mesmo teto com tantas culturas por 8 semanas me fez enxergar e entender melhor a cultura destes países, me adaptar e também transformar meu estilo de vida.

Lá eu trabalhei em uma startup chamada Wifins, provedora de soluções de wi-fi voltados a Business Intelligence e Marketing. Eu e uma intercambista indiana, também voluntária pela AIESEC, fomos selecionadas para trabalhar em um novo projeto em Marketing Digital, que exigia conhecimentos em Google Analytics e Google Adwords.

Desde o primeiro dia entendemos que não seria fácil, pois por mais que já tivéssemos tido contato com as ferramentas, estar em um país com uma cultura, língua e modo de vida diferentes, além de um trabalho que não estávamos acostumadas, era extremamente desafiador.

Mas a empresa e todos os funcionários sempre foram muito solícitos, mesmo quando não sabiam se expressar bem em inglês (o que acabou sendo uma boa troca – aprendemos um pouco de grego e ensinamos um pouco de inglês).

Além da Grécia Antiga

A gente estuda muito sobre a Grécia antiga na escola, mas estar e viver na Grécia e imersa na cultura e língua grega dá um banho de história – tanto antiga como moderna.

A Grécia é um país que passou por diversas invasões, guerras e transformações ao longo de sua história, principalmente no contexto político social, o que influenciou em muito sua cultura.

A todo instante você se depara com palavras que remetem às línguas latinas, como “êxodos” (saída) ou “cosmos” (de beleza, realçar o belo, daí cosméticos). Como estudo no campo de exatas, dar de cara com vários deltas, phis e betas me fizeram recordar milhares de fórmulas e constantes memorizadas – o que no começo até ajudou a me guiar um pouco e não me perder para ler as palavras, mas tem que ter cuidado para não atrapalhar depois.

O país ainda enfrenta uma grave recessão e a principal economia vem da pesca e do turismo. Contudo, algumas empresas (e principalmente startups) veem nisto uma oportunidade de crescimento.

Os gregos têm muito orgulho de suas raízes e sua família, acho que é por isso que são tão solícitos com estrangeiros. Parece muito com a nossa cultura, então o choque cultural não é tão grande a princípio. Consegui me expor ao máximo à língua grega e, apesar da grande dificuldade, voltei falando o básico para sobreviver por lá – o que foi mais do que eu esperava.

Como meu intercâmbio aconteceu durante o período de inverno europeu (Dezembro – Março) a maior parte das atrações estavam em baixa temporada turística e há muitos feriados no fim de ano. Por isso, foi possível conciliar minhas viagens com o trabalho na startup. Consegui explorar Atenas e suas inúmeras ruínas; viajei para algumas ilhas gregas no inverno, que são extremamente desertas nesta época do ano; e também visitei Kalambaka – Meteora, patrimônio mundial da UNESCO.

Empreendedorismo dos deuses

A Grécia ainda não se recuperou da crise e a situação político-financeira é instável. O país ainda enfrenta uma grave recessão e a principal economia vem da pesca e do turismo. Contudo, nesta situação em que muitos veriam uma desvantagem, algumas empresas (e principalmente startups) veem uma oportunidade de crescimento. De fato, as startups estão evoluindo e trazendo uma boa perspectiva para mudar o cenário de desemprego valorizando a própria indústria e tecnologia local.

Mesmo com situações adversas, trabalhar em um ambiente empreendedor me fez desenvolver a capacidade de ser criativa e me reinventar, além da possibilidade de poder testar mais e errar até atingir o objetivo maior.Gabriela Favaron no seu intercâmbio na Grécia

O ambiente de uma startup é completamente diferente de uma empresa convencional. Quase não existe hierarquização ou burocratização: nós conversávamos diretamente com o CEO e o CTO e aprendemos juntos, de modo a conciliar o nosso conhecimento com as necessidades deles. Nós podíamos nos comunicar facilmente com qualquer membro da empresa e propor algo novo juntos. O ambiente é dinâmico e muitas vezes os recursos são limitados, o que estimula a criatividade e o senso de dono do trabalho.

A própria startup tinha o desejo de continuar expandindo para o Brasil e por isso nos ofereceu uma oportunidade para continuar o trabalho à distância com eles, de modo que pudéssemos estreitar a relação entre países. Eu, claro, topei – pois estar em contato com outras ferramentas que não utilizo no meu dia a dia me trouxe a oportunidade de expandir meu conhecimento e torná-lo complementar à engenharia.

Após o retorno ao Brasil, percebi que estava mais madura profissionalmente, me conhecendo melhor, minhas fraquezas e fortalezas, com mais coragem e determinação para atingir meus objetivos futuros.

 

Sobre a Autora

Gabriela é formada no Bacharelado em Ciência e Tecnologia e estuda o último semestre em Engenharia de Energia pela Universidade Federal do ABC – São Paulo. Foi estudante do Ciência sem Fronteiras no Canadá e também Presidente do escritório local da AIESEC no ABC em 2016. Em 2017 realizou seu intercâmbio para Atenas – Grécia trabalhando na startup Wifins, onde atualmente trabalha como representante internacional.

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