Um Projeto: Fundação Estudar
Um envelope vazio com um lápis em cima - carta de recomendação

Carta de recomendação: como pedir, a quem pedir, e o que ela deve conter

Por Gustavo Sumares
27.08.2019

Pedir uma carta de recomendação pode ser um pouco intimidante. E escrever uma carta desse tipo também pode ser desafiador. Por isso, confira algumas dicas!


A carta de recomendação é mais importante para a application do que se imagina num primeiro momento. Isso porque para se candidatar para uma universidade estrangeira, você precisa de uma série de documentos e textos. Desde a carta de motivação até os essays, esses textos são, essencialmente, exposições suas sobre quem você é, quais são as suas qualidades e o que você pretende para o seu futuro.

De forma geral, portanto, são vários textos nos quais você fala sobre você mesmo. Mas tem também as cartas de recomendação: essas cartas são escritas por professores, coordenadores pedagógicos ou contatos profissionais do candidato. Num processo no qual o candidato fala constantemente sobre si mesmo, é fácil perceber a importância desses documentos.

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Rogério Junior, bolsista do Programa de Líderes Estudar que atualmente faz um double major no MIT, ressalta esse ponto. “As cartas de recomendação são as únicas coisas da application em que não é você que tá falando. E é muito positivo ter um terceiro reforçando as qualidades que você diz que tem”, considera.

Por isso, é importante prestar bastante atenção às suas cartas de recomendação. E para ajudar nisso, oferecemos aqui algumas dicas sobre como garantir que as suas cartas de recomendação sejam mais uma parte forte da sua candidatura.

Como pedir uma carta de recomendação?

Raul Gallo Dagir, também do Programa de Líderes Estudar, atualmente estuda Ciência da Computação em Stanford. Como parte da sua application, ele pediu cartas de recomendação a suas professoras de física e de geografia, e à sua orientadora do Colégio Santa Cruz, em São Paulo.

“Escrevi e-mails ou pedi pessoalmente. Já tinha proximidade com todas, então foi simples”, relata. Essa proximidade é importante não apenas porque torna mais simples o processo de pedir a carta, mas também porque os professores com quem você já tem mais contato terão também mais coisas boas a falar sobre você.

Rogério, por sua vez, pediu as cartas a seus professores de inglês e de informática no Colégio Farias Brito, em Fortaleza. “No meu caso foi estranho porque eu tive uma experiência ruim. Eu pedi uma carta a um professor meu que eu conhecia há bastante tempo, e ele foi atrasando tudo e depois sumiu”, conta.

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Felizmente, nem tudo se perdeu. Rogério explicou a situação ao seu professor de inglês, que então escreveu a carta de recomendação que faltava. “Ele já tinha escrito cartas para outros alunos, e era um cara de quem todo mundo gostava”, conta.

Essa experiência, no entanto, lhe rendeu um aprendizado importante. “Você tem que ser bem sincero com o professor quanto ao que você espera da carta. Por exemplo, pedir pra ele ‘professor, você está disposto a escrever uma carta de recomendação forte para mim?’. E ele tem que ser sincero com você também”, recomenda.

“Você tem que ser bem sincero com o professor quanto ao que você espera da carta. Por exemplo, pedir pra ele ‘professor, você está disposto a escrever uma carta de recomendação forte para mim?’. E ele tem que ser sincero com você também”

Ele sugere ainda que o aluno, no momento do pedido, ressalte histórias e fatos relevantes que ele gostaria que o professor colocasse na carta. “Ela tem que conversar com o resto do seu application, então senta com ele e conversa sobre o que você vai fazer”, diz.

Raul conta que também teve esse cuidado. “Tive a oportunidade de conversar com todas as pessoas que escreveram minhas cartas de recomendação para explicar um pouco mais do processo de application, qual deveria ser a estrutura da carta e o que ela deveria, de preferência, conter”, diz.

A regra de ouro é: antecedência. Pense o quanto antes sobre o que deseja destacar na carta, se vai pedi-la a antigo chefe ou preferir recorrer a um professor. Reflita sobre o que cada documento desses vai contar sobre você — afinal, na application você conta uma história. Se um dos documentos vai detalhar sua aptidão para a pesquisa, talvez seja interessante que o outro ressalte suas habilidades em trabalhar em grupo.

Em outras palavras, o tempo deve ser seu aliado. O ideal é não pedir a carta de recomendação de última hora e planejar tudo com bastante antecedência.

Modelo de e-mail

Se você pretende pedir a carta de motivação a um professor por e-mail, é importante ter um texto bem redigido. Por isso, oferecemos a seguir um modelo de e-mail que você pode usar para pedir uma carta de recomendação aos seus professores. Basta substituir os campos entre [colchetes] pelas informações específicas do seu caso:

Caro professor [nome do professor],

Meu nome é [seu nome]. Sou seu aluno da turma [sua turma] do colégio [seu colégio]. Tudo bem?

Como você talvez saiba, pretendo me candidatar para estudar [seu curso] na Universidade [nome da universidade]. Pretendo fazer isso porque [fale um pouco aqui sobre suas motivações].

O processo de application para a [nome da universidade] envolve o envio de cartas de recomendação. E, por isso, gostaria de saber se você estaria disposto/a a escrever uma carta de recomendação para mim.
Acredito que você seria capaz de produzir um ótimo texto, que aumentaria minhas chances de ingressar na universidade. Isso porque [fale aqui por que você escolheu esse professor].

Por favor, me informe assim que possível da sua disponibilidade para produzir esse texto. Caso você esteja disposto/a, me informe também um horário para conversarmos sobre o conteúdo da carta.
[sinta-se à vontade para propor um horário também, se quiser].

Agradeço desde já pela atenção! Se tiver qualquer dúvida, estou à disposição. 

[seu nome]

A quem pedir uma carta de recomendação?

Em alguns casos, como na candidatura do MIT, é necessário que uma das cartas venha de um professor da área de humanas, e outra do professor da área de exatas. Mas mesmo que isso não seja uma exigência, é uma boa prática — assim, o conteúdo de uma carta complementa o da outra.

“Por exemplo: a Beth, que me ensinou física, escreveu muito sobre raciocínio lógico-matemático e sobre meu envolvimento com [atividades] extracurriculares de eletrônica. Já a Fabi, de Geografia, escreveu mais sobre minha escrita, minha capacidade analítica e de argumentação em debates que tínhamos em sala”, compartilha Raul.

É importante, também, que o professor tenha algo a dizer sobre o aluno, na carta de recomendação, que vá além da sala de aula. Assim, a instituição de ensino à qual ele se candidata consegue ter uma perspectiva melhor de quem ele é em diversas áreas de sua vida.

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“É essencial você tenha proximidade com quem vai escrever sua carta de recomendação para que a pessoa tenha conhecimento sobre seus interesses, ética de trabalho, dedicação, personalidade. Se não, a carta fica muito generalizada e impessoal”, comenta Raul.

Na application de Rogério, foi o seu professor de informática que acabou desempenhando esse papel. “Eu via ele todo dia, e a aula de informática era só para 4 pessoas, e todo mundo ia almoçar junto logo depois, então foi só pedir”, conta.

Raul enviou, ao todo, 4 cartas de recomendação. Além das suas professoras e da orientadora do colégio, mandou também uma carta de uma professora de um summer camp que ele fez em Stanford em 2015. E embora ela não conhecesse Raul tão bem, ele sentiu que a carta fazia sentido: “Honestamente, o intuito daquela carta era mais mostrar envolvimento com Stanford e com os professores da faculdade do que qualquer outra coisa sobre mim”.

Preciso chamar alguém famoso?

A resposta mais direta é simples: não, não precisa. Para sua carta de recomendação, siga a regra do “quem for mais próximo”, de quem conhece melhor quem você é e quais são seus projetos. O professor mega famoso da universidade, porém inacessível, não garante necessariamente uma vaga. Pelo contrário, pode soar genérico e artificial.

Só escolha alguém “famoso” caso essa pessoa tenha mesmo o que falar, e não esteja lá apenas para assinar o papel. Lembre-se: é importante que o documento ajude a contar a sua história.

O que uma carta de recomendação deve conter?

Obviamente, uma carta de recomendação precisa citar os pontos fortes — tanto acadêmicos quanto pessoais — do candidato. No entanto, a maneira como esses pontos são citados pode fazer toda a diferença, e nesse caso é interessante buscar referências para ter uma boa ideia.

O MIT, por exemplo, tem uma página inteira dedicada a explicar o que faz uma carta de recomendação ser boa. E se você já tiver escolhido um professor para escrever sua carta, é interessante que você envie essa página para ele; assim, ele consegue ter uma ideia do que escrever.

Entre os pontos que o MIT coloca, estão os seguintes:

  • Qual é o contexto da sua relação com o aluno? Se você não o conhece bem e só se sente capaz de escrever sobre ele em linhas gerais, por favor deixe isso claro
  • O aluno demonstrou vontade de correr riscos intelectuais e de ir além da sua experiência em sala de aula?
  • O aluno tem talentos, competências ou habilidades de liderança além do ordinário?
  • O que motiva essa pessoa? O que a deixa empolgada?
  • Como o aluno interage com professores? E com seus colegas? Descreva sua personalidade e suas habilidades sociais.
  • De que você mais vai se lembrar dessa pessoa?
  • O aluno já passou por alguma derrota ou falha? Se sim, como ele reagiu?
  • O aluno tem circunstâncias incomuns de família ou de comunidade das quais a universidade deveria saber?

Esse último ponto pode soar um pouco estranho, mas é importante. Afinal, na candidatura a universidades estrangeiras, não conta apenas o desempenho acadêmico do estudante, mas todo o seu contexto. Assim, se o aluno demonstrar excelência nas notas ao mesmo tempo em que lida com uma situação familiar desfavorável, seu mérito aos olhos dos examinadores será ainda maior.

É importante também que o professor escolha realizações concretas do aluno para destacar na carta. Dizer que ele ajudou o jornal da escola a dobrar de circulação ou que ele ministrou uma aula de programação para alunos mais novos é uma maneira de destacar os pontos positivos dele sem soar genérico.

Por outro lado, frases como “Fulano é um dos melhores alunos que eu já tive” ou “Beltrano tem excelentes notas” soam vazias e pouco específicas. “O leitor fica se sentindo como se o autor estivesse se esforçando para achar algo de bom a dizer”, diz a página do MIT, ressaltando também que “nós recebemos milhares de cartas de recomendação assim todo ano”.

Programa de Líderes Estudar

Tanto Rogério quanto Raul são do Programa de Líderes Estudar. O programa busca por jovens com alto potencial e capacidade de liderança, e oferece bolsas de estudo para que eles possam se desenvolver em universidades de excelência no exterior.

Além da oportunidade de estudar fora, os jovens também formam uma comunidade de líderes altamente comprometidos com as próximas gerações. Se você se interessou pela oportunidade, pode se inscrever para o programa por meio deste link. As inscrições vão até 01/04!

 

Dica do Estudar Fora:

Autoliderança é uma competência fundamental para você guiar a sua carreira. É por meio dela que você vai construir um direcionamento que faça sentido para você e desenvolver meios para superar os obstáculos. E para dar a importância que esse termo merece, a Fundação Estudar criou o Liderança Na Prática, um curso de quatro dias que vai te ajudar a descobrir e colocar em prática o seu sonho grande. Inscreva-se agora com 10% de desconto usando o cupom ESTUDARFORA. É só clicar aqui!

 

 

 

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