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13.07.16

Quem estuda em Stanford? Conheça os diferentes perfis dos alunos

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Nosso colunista de Stanford Gustavo Torres fala sobre a diversidade que há entre seus colegas, e provoca: qual seria a sua contribuição para o time?

Por Gustavo Torres

Quem estuda em Stanford? Tem a garota que fala latim, a que pesca tubarão, a que já analisou radiações do espaço, e a que é uma das melhores patinadoras dos EUA. Tem também o cara que criou uma ONG que atinge 500 mil pessoas, um outro que está entre os melhores em matemática do mundo, o que já trabalhou no Yahoo!, e o que ficou três anos sem começar a faculdade porque tinha que ajudar a família a se sustentar.

Pessoas bem diferentes estudam aqui, o que é uma das coisas mais maneiras de Stanford (e de várias outras universidades americanas). Para dar uma ideia de como essa diversidade se expressa na prática, vou trazer um pouco das histórias que tenho conhecido na faculdade.

Kiran: estadunidense descendente de indianos. Depois de perceber que 40% da comida da Califórnia é desperdiçada, decidiu criar o Waste No Food. A organização recebe comida que seria desperdiçada por restaurantes e a distribui para igrejas e institutos. Estes, por sua vez, entregam as refeições para pessoas sem o que comer. O Waste No Food já atingiu mais de 500 mil pessoas. Hoje, Kiran participa de várias conferências sobre ONGs e filantropia e conheceu pessoas como Usher e Bill Gates. Mesmo com suas conquistas, Kiran é um dos caras mais humildes que conheço e, como todos nós, também tem suas dificuldades. Ele costuma dizer, por exemplo, que “não é inteligente suficiente para aprender Ciência da Computação”.

Kath: também estadunidense e uma combinação engraçada de simpatia e competitividade. Ela surpreende por parecer ser boa em tudo. Durante o Ensino Médio fez pesquisas para analisar origens de radiação no espaço e, nas férias, aprendeu a pescar tubarões. Faz parte da She++, uma organização que fomenta Ciência da Computação entre mulheres. No meio de sua agenda cheia de matérias avançadas, Kath arranja tempo para fazer decorações no dormitório todo.

Michael: como bom brasileiro que é, Michael luta jiu-jitsu e é presidente do clube de jiu-jitsu de Stanford. Além da luta, curte música clássica e toca violoncelo. Tem ótimo desempenho em escrita criativa e os vídeos que edita ficam muito profissionais. Está liderando comigo o CS 106BR com o objetivo de introduzir a Ciência da Computação a mais brasileiros.

Beata: polonesa que nasceu na Bulgária e foi criada somente pela mãe. Desenvolveu paixão pela mente humana, o que acabou a levando a fazer pesquisas e escrever artigos com um dos psicólogos mais famosos do mundo. Isso ainda durante o Ensino Médio! Beata aplica psicologia nas coisas mais cotidianas. Por exemplo, um dia ela deu uma palestra falando sobre como a pronúncia distorcida do próprio nome em uma língua diferente afeta a auto percepção das pessoas. Essa capacidade reflexiva dela acaba a ajudando a superar vários desafios, como a enorme dificuldade que teve com matemática durante um trimestre.

Não existe um perfil certo de aluno. Todos eles têm suas qualidades e talentos, bem como seus defeitos e dificuldades

Ryan: americano que aprendeu a ser DJ durante o Ensino Médio, ganhou dinheiro fazendo festas para amigos e depois perdeu tudo enquanto tentava investir. Tirou um gap year depois que passou em Stanford, se trancou no quarto por dois meses para aprender a programar, e começou a desenvolver aplicativos para empresas da Inglaterra. Com o que arrecadou, conseguiu alugar um quarto em São Francisco, cidade onde continuou desenvolvendo diversos aplicativos de celular e conheceu muitas pessoas envolvidas com startups.

Mackenzie: australiana simpática que está tendo destaque no atletismo. Está batendo recordes em arremesso de peso em competições universitárias nacionais.  Teve suas dificuldades em Matemática e Ciência da Computação, mas, sendo a menina legal que é, foi fácil arranjar ajuda de várias pessoas para estudar.

Asrat: ainda criança na Etiópia, assistindo a uma maratona, Asrat viu seu país perder. Decidiu que treinaria muito para trazer orgulho para a Etiópia um dia. Seus pais não gostaram de sua dedicação ao esporte, porque correr era visto como uma atividade que somente pessoas de baixa renda usavam para crescer na vida. Os garotos de família rica, como Asrat, só precisavam estudar. Hoje, em Stanford, Tabor acorda às 5h todos os dias para treinar. Seus pais não sabem disso. Quer provar para sua família e seu país que é possível equilibrar sucesso nos estudos e no esporte.

 

Os diferentes perfis dessas pessoas ilustram um pouco da diversidade que Stanford reúne. Essa diversidade é um dos pilares do processo de admissão. A faculdade não quer simplesmente que todos os seus alunos tenham vencido olimpíadas de matemática, participado de competições de debate e dado aulas de inglês em um país em desenvolvimento (é verdade que algumas pessoas que entram fizeram isso tudo).

Por outro lado, como as histórias mostram, muitos dos que entraram fizeram coisas completamente diferentes. O time de cerca de 2100 admitidos por ano tem pessoas de diversos lugares, experiências e conhecimentos. Não existe um perfil certo de aluno. Todos eles têm suas qualidades e talentos, bem como seus defeitos e dificuldades. A ideia-chave é que todos esses atributos se complementam e criam um ambiente muito propício para a colaboração. Para os que pretendem estudar nos EUA, vale a pena pensar: qual vai ser a sua contribuição para o time?

 

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