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Diego Rodrigues, líder Estudar

Do Grajaú ao duplo-diploma na França: conheça a história de Diego Rodrigues

Por Priscila Bellini

O brasileiro Diego Rodrigues se interessou por informática e eletrônica desde cedo. Aos 13 anos, trabalhava com o vizinho fazendo manutenção de computadores. Por trás da atividade, estava a necessidade de ganhar um dinheiro extra. “Eu fazia por divertimento também, porque a cada manutenção aprendia uma coisa nova”, conta ele, hoje estudante de engenharia elétrica.

Logo decidiu fazer seu primeiro curso industrial, no SENAI (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), na área de Ferramentaria de Moldes para Plásticos. “Os cursos do SENAI eram a forma mais fácil e rápida de entrar no mercado de trabalho e poder ajudar em casa”, explica Diego.

Ele passou a combinar o ensino integral da instituição às aulas do ensino médio regular, que cursava à noite. No segundo ano, competia em campeonatos técnicos, como a Olimpíada do Conhecimento SENAI, com provas voltadas a conhecimentos de projeto. “Uma das provas incluía pegar um desenho industrial em formato A1 ou A0 e fazer a reprodução dele via software para fazer simulações”, exemplifica Diego Rodrigues. “Várias empresas têm projetos antigos e precisam fazer alguma atualização ou melhoria, então usam o que já têm e reformulam por meio de software”.

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No ano seguinte, ao terminar o período no SENAI, a rotina ficou mais pesada. Diego fez a prova para o curso técnico de Mecatrônica e conseguiu emprego em uma empresa de metalurgia. Como resultado, o jovem paulista tinha um dia a dia atribulado, que começava logo cedo no Grajaú, onde morava, e seguia com curso técnico, trabalho como freelancer à tarde e ensino médio à noite.

A chave para seguir no ritmo acelerado foi a organização, aprendida desde o SENAI – ainda que o cansaço batesse. “Os professores eram sempre bem rígidos em planejamento, estimulavam que a gente se planejasse antes de fazer as coisas”. Engatar uma conversa com um professor depois da aula, ou não sair no horário exato eram faltas graves.

“Na escola, minha mãe sempre queria o 10. Se eu tirasse 9, ela dizia ‘é bom, mas não dava para ser 10?’”, conta o estudante. “Então eu sempre tentei tirar o máximo de proveito de tudo que eu fazia, não importava o quê”.

Rumo ao Ensino Superior

A possibilidade de estudar em uma faculdade pública era novidade para Diego Rodrigues à época. Na escola no Grajaú, na periferia de São Paulo, os alunos não cogitavam a ideia, nem sabiam das oportunidades de bolsa. “Se você passa em uma universidade pública, há diversos auxílios financeiros. Mas ninguém sabia e nem eu”.

“Se você passa em uma universidade pública, há diversos auxílios financeiros. Mas ninguém sabia e nem eu”

Trabalhando em período integral, ele estudava à noite para o vestibular. “A minha meta era aplicar para as melhores universidades públicas, como USP e UNICAMP, e fazer o ENEM, para aplicar para o ProUni e conseguir vaga nas melhores particulares de engenharia”, conta o brasileiro. Logo percebeu, entretanto, que precisaria priorizar a preparação para o vestibular.

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Na primeira tentativa, faltou pouco para que entrasse em Engenharia Elétrica, na Universidade de São Paulo. O caminho encontrado por Diego foi o cursinho, combinado ao trabalho na empresa. Meses antes de tentar a FUVEST novamente, saiu do emprego para se dedicar às provas, que exigiam 12 horas de estudo por dia. “Eu recuperei minha defasagem antes dos vestibulares e pude refinar o conhecimento antes das provas”.

Mudança de horizonte

Quando conquistou a vaga na Politécnica da Universidade de São Paulo, Diego Rodrigues se deparou com uma série de oportunidades novas. Projetos de extensão, iniciação tecnológica, voluntariado… Tudo isso somado às aulas, que incluíam cálculo e física, e à intenção de fazer intercâmbio.

Já na primeira semana de aulas, o jovem do Grajaú soube das bolsas de estudo em engenharia, em especial nas instituições francesas. “Os professores deixaram muito claro que era necessário ter boas notas, e fazer atividade extra era opcional”, conta Diego.

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Para conquistar uma vaga no exterior, em um intercâmbio de duplo-diploma, Diego passou a se esforçar ainda mais. Fez os primeiros níveis do curso de francês na USP e estudou provas de proficiência no idioma. Quando surgiu a oportunidade, se candidatou ao intercâmbio acadêmico.

O processo seletivo começava com a seleção feita pela Politécnica da USP, que avaliava o histórico acadêmico do aluno e convocava os candidatos a uma entrevista. “As instituições francesas fazem uma última etapa, que varia bastante dependendo de qual instituição o aluno escolhe”, detalha Diego Rodrigues. No caso dele, a instituição Grenoble-INP ficou responsável por avaliar internamente os candidatos passados pela USP.

Rumo à França

Bem-sucedido no processo de seleção, Diego Rodrigues fez as malas para a França, onde iniciou o duplo-diploma em Engenharia Biomédica. Como buscava uma formação específica na área, aproveitou o currículo da Phelma (École nationale supérieure de physique, électronique et Matériaux), que integra a Grenoble-INP.

Na instituição francesa, chamam atenção os bons laboratórios e a internacionalização da universidade, que oferece cursos completos em inglês, na esperança de atrair mais alunos estrangeiros.“Em cada aula de exercícios de diversas disciplinas, temos um mini-projeto para fazer. Então sabemos o significado concreto do que aprendemos em teoria”, conta Diego.

O apoio dos professores também colabora para a experiência dos estudantes estrangeiros. “Os professores quase pegam na mão quando veem que você tem dificuldade, se esforçam para explicar melhor e com mais detalhes”, diz o brasileiro. Como parte da rotina, há eventos com empresas, encaixados na carga horária dos alunos e estimulados pelos professores.

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