Um Projeto: Fundação Estudar
Auckland, na Nova Zelândia

Dicas para quem quer uma bolsa do Governo da Nova Zelândia (ou qualquer outra!)

Por Nathalia Bustamante

Por Carlos Castro

Hoje estou aqui para falar um pouco sobre o processo de candidatura para bolsa de estudos no exterior. Não diria que sou um expert nesse assunto, mas minha seleção para bolsa do governo da Nova Zelândia me proporcionou uma boa visão do que os examinadores buscam nos candidatos.

O processo de candidatura às bolsas de estudo é bem semelhante ao processo seletivo de programas de estágios e trainees: são várias etapas divididas por um período que pode se estender de 6 até 9 meses.

São processos bastante demorados e que exigem tempo e dedicação dos candidatos (podendo se tornar às vezes bem chato). Mesmo assim, é um processo pelo qual todos que pretendem estudar fora com bolsa devem passar – afinal, você não espera que uma bolsa no valor de 10, 20 ,100 mil dólares venha de forma simples, rápida e fácil.

Primeira Etapa: Respostas

A primeira etapa sempre começa com perguntas sobre vida pessoal, profissional, experiências vividas, momentos difíceis que passou e como superou, seu tema do TCC, hobbies, atividades extracurriculares.

Responder a todas essas questões é uma parte bem chata (concordo com vocês), especialmente porque mesmo em um só processo às vezes as perguntas são bastante similares. Não sei por que isso acontece, mas acredito que as perguntas similares podem servir para que o examinador analise quem realmente está lendo e se dedicando ao processo.

É justamente nas perguntas e respostas que a maior parte dos inscritos são eliminados logo de cara. Então, se você quer realmente ser selecionado, dedique bastante tempo para responder todo o questionário. Eu dediquei um mês ou mais para responder a todas as perguntas do processo – respondi em português e pedi ajuda de amigos e irmãos para ajudar a traduzir os textos das respostas para o inglês. Essa é uma das dicas que sugiro a vocês: mesmo que fale bem inglês, responda a todas as perguntas em português e depois traduza, pois assim você conseguirá ter uma escrita mais fluida e não se deparará com eventuais limitações gramaticais de outra língua.

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Além disso, cada pergunta é única (mesmo que possa ser parecida com outra). Portanto, dê respostas específicas para cada pergunta e procure explorar em suas respostas pontos positivos sobre você que ajudem o examinador a compreender quem você é e por que está se dedicando para a vaga.

Por fim, sempre há uma preocupação do examinador em saber qual a relação do candidato com sua comunidade. Portanto, se você fez ou faz ações sociais, procure explorar essas suas atividades em suas respostas. Se não fez, talvez seja a hora de procurar algum projeto com o qual se identifique. Essa última dica é bem importante, pois muitas vezes as bolsas têm cunho social e o candidato ideal não é aquele que se preocupa apenas com seu “próprio umbigo”, mas sim aquele que tem uma preocupação com o desenvolvimento de sua comunidade e de seu país.

A bolsa de estudos que eu consegui, por exemplo, é uma bolsa do governo da Nova Zelândia oferecida a estudantes da América Latina, para que possam, depois, desenvolver em seu país de origem o que aprenderam durante os estudos. Quem não voltar ou tentar residência neozelandesa deve pagar de volta o valor que foi investido em sua bolsa.  Esta é uma forma que o governo da Nova Zelândia encontrou para contribuir com o desenvolvimento de países: eles identificaram áreas carentes de cada país (no caso do Brasil Energia e Agricultura) e patrocinam bolsas de estudo para justamente promover as áreas carentes identificadas.

Segunda etapa: Análise Curricular

Respondidas todas as perguntas, vem a análise curricular, que avalia desde seu desempenho na faculdade até sua carreira profissional. Nessa etapa é analisado todo seu histórico, matéria por matéria. No Brasil não temos muito esse costume, mas em outros países os alunos que se formam com boas notas ganham um título diferenciado em seu diploma, o que seria graduação com honra ao mérito ou com distinção – e esses alunos são mais valorizados e disputados tanto pelo mercado de trabalho quanto pelas instituições de ensino.

Então, se você ainda está cursando sua faculdade e tem intenção de fazer um curso no exterior, saiba que todo seu histórico contará. Portanto, se você é daqueles que estuda só para passar, só pra tirar 60 ou 70, reconsidere. Não precisa tentar tirar 100% na matéria, mas o conceito “A”, acima de 80%, já é muito valorizado.

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Além do histórico escolar, temos também a análise do seu currículo profissional. Aqui a dica é a mesma de sempre – prepare seu currículo com a cara da bolsa ofertada. Por exemplo, se temos uma bolsa de estudos de Mestrado em Logística, procure explorar em seu currículo algo relacionado a logística, mesmo que você não tenha sido o responsável ou diretamente ligado ao setor, você certamente teve alguma interface durante seu período de trabalho com logística.

Outra dica é simples, mas muita gente por preguiça, pressa ou ”falta de tempo” não faz:  leia atentamente o prospecto da bolsa, os detalhes sobre o curso oferecido, acesse o site da universidade e veja a que tipo de perfil profissional o curso é dedicado e só então elabore seu currículo. Uma pessoa com um currículo bem próximo ou complementar ao curso oferecido certamente terá mais chances de ser selecionado do que alguém com currículo que não se adeque à vaga ofertada.

Terceira Etapa: Entrevista

Se você chegou até aqui saiba que já está bem próximo da etapa final e já deixou vários concorrentes para trás. A entrevista, geralmente feita por Skype, é bem tranquila. Apenas seja você mesmo e esteja preparado.

Nessa etapa os examinadores costumam revisitar algumas das perguntas do questionário que você respondeu lá atrás (muitas vezes, meses atrás). Portanto, antes da entrevista por Skype, leia novamente todas as perguntas e respostas que você enviou durante a primeira etapa. Os examinadores certamente leram e vão querer ter certeza de que quem escreveu todas aquelas respostas foi você mesmo, por isso grave os pontos que você considera principais e não se assuste se eles repetirem a mesma pergunta que fizeram durante a primeira etapa. Aqui sua resposta não precisa ser com as mesmas palavras – mas deve seguir a mesma linha de raciocínio.

Seja espontâneo e não precisa ficar nervoso – do outro lado os examinadores são pessoas normais que querem apenas te conhecer melhor e saberem qual o seu propósito para ser um dos candidatos selecionados.

EXTRA: Inglês!

A maioria das faculdades estrangeiras exigem que os estudantes comprovem proficiência na língua inglesa, por meio dos exames como TOEFL ou IELTS, por exemplo. A nota exigida normalmente é alta – para o mestrado na Nova Zelândia, por exemplo, são exigidos 90 no TOEFL ou o equivalente 6,5 no IELTS.

Essa nota é muito difícil de ser atingida para quem tem o inglês intermediário ou que está há muito tempo sem praticar. Se você ainda não fez o exame, procure um curso de inglês preparatório específico e faça também simulados online. Se você fez o exame e não tirou resultado esperado, não é o fim. Eu mesmo quando fiz meu exame tirei apenas 74, porém mesmo assim fui selecionado.

Acontece que algumas organizações que oferecem a bolsa têm a sensibilidade de saber que o inglês não é a língua materna do candidato, e por isso ele pode ter acesso a um curso preparatório antes de ingressar na faculdade. Foi meu caso: como não atingi os 90 pontos esperados no TOEFL, minha faculdade me ofereceu um treinamento intensivo de inglês, voltado para estudantes internacionais. Após o curso, fiz uma prova interna da faculdade na qual pude comprovar que estava apto a ingressar no mestrado.

A conclusão é: ainda que seu inglês seja intermediário, é possível conseguir sua tão sonhada bolsa de estudos.

 

Bom, as dicas sobre o processo de aplicação que tenho são essas! Lembrem-se: dediquem tempo e leiam o prospecto da bolsa e o perfil do aluno do curso ofertado. Isso vai ajuda-lo a filtrar as bolsas que mais se encaixam ao seu perfil e a começar a preparação com antecedência.

Boa sorte!

 

Sobre Mim:

Carlos Castro ganhou uma bolsa do Governo da Nova ZelândiaSou Carlos Henrique Marciano Rodrigues Castro, mineiro natural de Piumhi, criado na cidade de Tucuruí no Pará. Formado em Engenharia Elétrica pela UFMG, atualmente cursando Mestrado de Engenharia Elétrica pela Auckland University of Technology. Bolsista pelo New Zealand Ministry of Foreign Affairs and Trade (MFAT).

Instagram: @carloshmrc

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