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Especial Políticas Públicas

11.12.13

Como entrar numa pós em Políticas Públicas no exterior

Como entrar numa pós em Políticas Públicas no exterior

A partir da história da brasileira Tatianna Mello, entenda os diferenciais que mais contam para o candidato estrangeiro

A mineira Tatianna Mello tinha pouquíssimo tempo de formada e já trabalhava num dos maiores escritórios de advocacia de Belo Horizonte. Havia estudado Direito na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e feito estágios que lhe proporcionaram conhecer o dia-a-dia profissional de juízes, promotores e advogados. Apesar das oportunidades de crescimento na área, sentia que não estava no lugar certo. “Entendi que queria trabalhar com algo que tivesse uma importância social maior e decidi fazer um mestrado em Direito Internacional, também na UFMG, para pesquisar formas de promover um comércio internacional sustentável e aprofundar seu conhecimento sobre políticas ambientais relacionadas à área comercial e econômica”, conta.

Nesse período dedicado aos estudos, percebeu que uma experiência no exterior seria importante para a nova área que escolheu seguir. Começou a pesquisar na internet – “um sem fim de possibilidades” – vários cursos de mestrado e doutorado fora do Brasil. “Resolvi tentar me inserir numa instituição de ponta, com pessoas de alto calibre, desenvolvendo projetos de grande impacto. Porém, sabia que seria um desafio imenso me diferenciar dos milhares de outros candidatos”, afirma. Tatianna passou oito meses no processo de escolha das melhores faculdades e de preparação para as várias etapas dos diferentes applications, paralelamente à redação da sua tese no mestrado brasileiro. “O fato de estar cursando o mestrado no Brasil e ter mais flexibilidade de horários me permitiu dedicar tempo para esse importante período de transição”, acrescenta.

Escolas e bolsas
Durante as pesquisas, Tatianna conseguiu filtrar um pouco as escolas para as quais aplicaria: chegou à conclusão de que a Inglaterra oferecia cursos mais próximos à sua área de estudo e também mais possibilidades para conseguir uma ajuda financeira significativa. Para tanto, deixou a autocrítica exagerada de lado e aplicou para todas as bolsas de estudo de que tinha conhecimento. “Não fiquei me perguntando: será que vale a pena? Mesmo quando não preenchia todos os critérios exigidos para a seleção, arrisquei a candidatura. O máximo que conseguiria seria um não.” No Brasil, tentou bolsas na Fundação Lemann, Fundação Estudar, Instituto Ling (para mestrado) e Capes (para doutorado). No exterior, Scholars 4 Dev e Chevening.

“Precisei fazer uma carta de apresentação/motivação para cada escola, demonstrando que tinha um conhecimento específico sobre o programa ofertado pela instituição, e ainda explicar de que forma eu me comprometia com o desenvolvimento do Brasil”, lembra. Entre as universidades para as quais aplicou, Tatianna passou em todas: London School of Economics and Political Science (LSE), University of Cambridge e University of Oxford. Muitas bolsas também deram certo, como Capes, Chevening e Fundação Lemann. Depois de muito ponderar, acabou optando pelo mestrado em Políticas Públicas na Blavatnik School of Government de Oxford, com a bolsa da Fundação Lemann, pois considerou ser o mais adequado para seu momento acadêmico e profissional.

Processo de seleção
Tatianna conta que buscou deixar claro nos applications sua vontade de mudar o jeito como a política é feita e contribuir de alguma forma, mesmo que singela, para o bem do seu país. Para ela, esse foi um fator que provavelmente pesou muito na hora de ser selecionada, já que todos os seus colegas têm em comum uma “inquietação generalizada”. Outra característica que a jovem acredita ter sido importante estampar no statement of purpose é a humildade. “Pelo perfil dos alunos, vejo que a Blavatnik School escolhe pessoas com uma trajetória profissional ascendente, com muitos pontos fortes, mas que reconhecem que ainda têm muito o que aprender. Na carta de apresentação, acho que é legal ser humilde e deixar a arrogância de lado”, opina.

Ranjita Rajan, do escritório de admissions da Blavatnik School, também destaca características do curso de MPP que podem ser úteis para aqueles que têm interesse em estudar na escola. “Nosso mestrado é multidisciplinar, refletindo a necessidade de líderes públicos que possam ultrapassar os campos da sua especialidade e encontrar soluções mais inovadoras para os nossos desafios. Também é prático, respondendo à demanda por especialistas no assunto, que possam usar suas habilidades como negociadores, gestores financeiros e comunicadores. E ainda é global, o que permite aos estudantes aprender como a política é feita, implementada e avaliada nos governos pelo mundo afora e localmente”, pontua.

Por mais que cada escola tenha suas especificidades, existem algumas exigências em comum para quem quer entrar em cursos de pós em Políticas Públicas no exterior- cujos applications têm deadlines que variam entre meados de dezembro e janeiro. Geralmente, é preciso reunir: résumé (currículo), statement of purpose (uma espécie de carta de motivação), duas ou três cartas de recomendação, histórico escolar, TOEFL (ou similar) e GRE (Graduate Records Examinations). Veja mais detalhes a seguir:

Idioma
O Test of English as a Foreign Language (TOEFL) é o principal certificado que comprova a proficiência do candidato na língua inglesa. Falar fluentemente é essencial, pois as discussões durante as aulas são parte importante da experiência acadêmica dos alunos nas melhores escolas do mundo. Em algumas faculdades, outros testes também são aceitos, como o IELTS.

Raciocínio
A maioria das escolas “top” exigem o Graduate Records Examinations (GRE) – exame que mede a aptidão acadêmica do candidato e indica se ele conseguirá acompanhar o mestrado. Algumas escolas também aceitam o Graduate Management Admission Test (GMAT). Uma pontuação alta nos testes não vai garantir sua vaga, mas a nota é classificatória. Há faculdades que publicam a média dos seus alunos nos exames, que pode ajudar a estabelecer suas metas nos estudos.

Veja as diferenças entre o GRE e o GMAT

Redação
A maioria das faculdades exige que os candidatos preparem um personal statement ou um statement of purpose (uma espécie de carta de motivação), em que devem discorrer sobre sua experiência profissional, de forma elaborada e convincente. É interessante deixar claro de que forma sua trajetória se alinha ao que o curso oferece, e por que o mestrado será importante para o seu futuro. No caso do MPP, o candidato deve provar sua dedicação para a causa pública a partir de sua experiência – independentemente da sua formação.

Recomendação
Duas ou três cartas de recomendação fazem parte da lista de requisitos. O ideal é pedir para pessoas que realmente conviveram com você por um bom tempo validarem suas conquistas. De toda forma, é importante lembrá-las dos projetos que você realizou sob sua supervisão.

Aprenda como conseguir uma boa carta de recomendação

Currículo
Os candidatos precisam enviar também seu currículo resumido e seu histórico escolar da graduação. Nos Estados Unidos, ter boas notas pesa muito mais do que no Brasil. Porém, é possível justificar eventuais notas baixas com o envolvimento em projetos extracurriculares, por exemplo.

Bolsas
Em geral, as escolas americanas dão um grande suporte a alunos internacionais que querem estudar na instituição, inclusive em relação a estágios e bolsas por meio dos career centers e do escritório de financial aid. O processo para conseguir uma bolsa na Fundação Lemann, por exemplo, é feito diretamente com as universidades americanas parceiras. Se você pretende tentar a bolsa, é importante mostrar que é um bom candidato para contribuir para o desenvolvimento do Brasil.

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