Inicio Cartas de motivação e recomendação: como elaborar as melhores para a sua candidatura

Cartas de motivação e recomendação: como elaborar as melhores para a sua candidatura

0
Cartas de motivação e recomendação: como elaborar as melhores para a sua candidatura

É muito comum que as universidades estrangeiras solicitem cartas de motivação e de recomendação aos candidatos que desejam estudar lá. O motivo para isso é que elas buscam selecionar estudantes não apenas de acordo com suas notas, mas com base em toda a sua trajetória acadêmica, profissional e pessoal. A carta de motivação, portanto, é uma oportunidade que o candidato tem de mostrar ao comitê de admissões esses lados da sua personalidade que não aparecem no histórico acadêmico.

As cartas de recomendação, por sua vez, são escritas por pessoas que conhecem o candidato. Podem ser professores, orientadores ou pessoas com quem ele já trabalhou. Mas seu objetivo é semelhante ao da carta de motivação: mostrar à universidade estrangeira quem aquele candidato é além das notas. E se esses depoimentos vierem de autoridades que conhecem bem o candidato, tanto melhor.

Como deve ter ficado claro, essas cartas são extremamente importantes para uma boa candidatura a universidades no exterior. Por isso, vamos falar a seguir tudo que você precisa saber para garantir que as suas cartas de motivação e recomendação impressionem o comitê de admissões das universidades às quais você se candidatar. Confira!

Como escrever uma boa carta de motivação?

A Carta de Motivação é provavelmente o documento mais personalizado da sua candidatura – uma chance única de apresentar aos avaliadores quem você é além do seu currículo e do seu histórico acadêmico. Por isso, ela é um documento particularmente importante.

Ao solicitar uma Carta de Motivação, os recrutadores da universidade ou da instituição que oferece a bolsa estão dando ao candidato uma chance de oferecer insights relevantes e interessantes sobre sua trajetória e provar que é a pessoa certa e mais motivada entre todos os demais candidatos.

É fácil encontrar em diferentes sites modelos ou estruturas de Cartas de Motivação – mesmo aqui no Estudar Fora há alguns exemplos que podem servir de inspiração. Porém, de nada vale copiar a carta de alguém contando uma história que não é a sua, com habilidades e sonhos que não são os seus.

Por isso, o que vamos trazer aqui não são exemplos ou uma receita de bolo, e sim alguns pontos fundamentais sobre os quais você deve refletir na hora de contar sua própria história:

1 – Faça o dever de casa!

Antes de começar sua Carta de Motivação, é essencial pesquisar ao máximo sobre a universidade e sobre o programa que você deseja. Em geral, os sites das instituições são muito claros e oferecem inclusive informações sobre a grade de matérias e os professores do curso. Além disso, lá se podem encontrar todos os pré-requisitos e quais são as expectativas sobre os candidatos.

Saber um pouco sobre os requisitos do curso e sobre projetos e até mesmo a filosofia da universidade vai ajudá-lo a saber quais aspectos da sua trajetória devem receber mais ênfase na carta. Demonstrar que você se identifica com os interesses da universidade vai ajudar a iniciar bem a aproximação.

2 – Sintetize ideias e pontos principais

Comece escrevendo algumas das ideias principais – pontos importantes da sua trajetória e da sua personalidade que você não pode deixar de tratar na carta. Depois, você consegue desenvolver o texto a partir deles. Quer ver alguns exemplos?

  • Qual o seu objetivo? Deixe-o claro logo de início e então ofereça um resumo do que vem no restante da carta
  • Por que você acha que esta universidade e este curso são interessantes e apropriados para você?
  • Quais são seus pontos fortes? As experiências que lhe diferenciam? Organize os parágrafos do meio falando das suas qualificações mais importantes para o programa.
  • Como o curso vai ajudá-lo a chegar ao seu objetivo (o mesmo do primeiro parágrafo)? Conclua reforçando seu interesse no curso e agradeça a chance de se apresentar na carta.

Este é um esqueleto inicial. Fique tranquilo para reorganizá-los na estrutura que fizer mais sentido para a sua história.

3 – Personalize sua Carta de Motivação

Ofereça insights sobre quem você é como indivíduo. Lembre-se que é um documento muito pessoal, e espera-se que você consiga demonstrar ser diferente dos outros candidatos, e provar que suas qualidades, habilidades e qualificações são adequadas para participar do programa.

Exemplos podem ser úteis, como referência, mas jamais copie cartas de recomendação de outras pessoas. Tente ser autêntico! Além disso, não se vanglorie demais. Ninguém espera que você seja um super-herói, mas sim uma pessoa coesa, objetiva e realista.

4 – Cuide da primeira impressão

A primeira impressão também é importante quando se trata de um documento escrito. Então, garanta que sua carta está escrita em uma fonte adequada (fuja de Comic Sans e de outras muito rebuscadas); que o tamanho da fonte é legível; que os parágrafos não estejam pequenos e nem grandes demais e que a carta esteja dentro do limite de caracteres.

Além disso, confira erros de gramática e de digitação, não mude de fonte no correr do texto e garanta que todas as abreviações sejam usadas da mesma forma.

#5: Peça (e aceite) opiniões sobre sua carta de motivação

É sempre uma boa ideia pedir conselhos a amigos, a um professor ou a alguém que já tenha passado por um processo seletivo do tipo. Também é possível entrar em contato com estudantes que estão atualmente cursando o programa que você escolheu – eles poderão dar dicas valiosas sobre a instituição e sobre o que incluir na sua Carta de Motivação. E seja humilde: receba qualquer feedback como uma tentativa de ajudá-lo a melhorar, e não um ataque pessoal 😉

Essas dicas representam o básico que você precisa saber para escrever uma boa carta de motivação. No entanto, sempre é possível ir além: se você for se candidatar a mais de uma universidade no exterior, vai precisar escrever mais de uma, e provavelmente vai perceber que a prática leva à perfeição.

Por isso, oferecemos mais cinco dicas que podem te ajudar a deixar sua carta de motivação ainda melhor. Confira:

6 – Não tenha medo de falar sobre você

Tanto a carta de motivação quanto o personal statement ou qualquer documento desse tipo são, no final das contas, textos pessoais. Por isso, não tenha medo de se colocar no texto. Fale sobre quem você é, do que você gosta e quais são os seus valores. E, com base nisso, mostre que se encaixa bem no espaço que aquele curso oferece.

Você não precisa (nem deve) contar todosos detalhes da sua vida. Por outro lado, as pessoas por trás do processo seletivo querem saber quem é você. Então, se a sua carta de motivação não tiver nada de pessoal, ela não conseguirá dar a elas essa ideia.

7 – Narre uma experiência coerente

É interessante que você conte, em sua carta de motivação ou personal statement, as motivações que te levaram àquele curso. Nesse ponto, pode ser interessante narrar algo da sua vida que contribuiu para que você decidisse se candidatar. Nessa hora, é importante escolher uma experiência coerente com o curso ao qual você está se candidatando.

Se for algo como Ciência da Computação, você pode contar sobre como resolveu um problema usando tecnologia. Ou no caso de um curso focado em impacto social, como Direito ou Políticas Públicas, experiências com trabalho voluntário ou ativismo são muito benvindas também.

8 – Procure por exemplos

Independente do curso ao qual está se candidatando ou do texto que terá que produzir, sempre é bom ter exemplos como referência. Lucas Capovila, recém-aprovado na Brown University, conta que pesquisou bastante antes de escrever o personal statement para a sua application.

“Li vários exemplos na internet e em um livro que me emprestaram”, diz. Com base nos textos de alunos já aprovados, fica mais fácil entender o tom que o seu texto deve ter e quais experiências são interessantes de se compartilhar.

9 – Busque mentoria

Não tenha medo de solicitar ajuda caso esteja tendo dificuldade na redação do texto para a sua application. É bem possível que que a sua escola, ou algum professor seu, possa dar algumas dicas para escrever uma carta de motivação com mais chances de trazer sucesso para a sua application.

Lucas conta que depois de ler bastante e se preparar, fez um brainstorm para levantar possíveis tópicos para colocar no seu texto. “E a partir daí, meus mentores me ajudaram muito no decorrer do processo de escrita”, lembra.

Estas dicas podem te ajudar a ter mais tranquilidade na hora de escrever sua carta de motivação. Mas, no fim das contas, o seu toque pessoal e sua reflexão são o que importa e o que fará a diferença na sua candidatura. Uma boa Carta de Motivação terá sucesso se o candidato estiver verdadeiramente interessado e disposto a gastar tempo e reflexão na sua application.

Como fazer uma boa carta de motivação para graduação

A chave por trás da resposta está na capacidade de contar uma boa história. O estudante conta com cerca de 500 palavras para resumir um aspecto de sua vida e de como sua presença na universidade estrangeira seria valiosa. O objetivo é que essa primeira leitura sobre o estudante cause a melhor impressão e que seja mais pessoal.

Antes de elaborar o texto, vale ter em mente alguns aspectos importantes. Primeiramente, que esse não será o único material encaminhado na application para universidades de fora. Ou seja, também entram na lista itens como cartas de recomendação, bem como currículo com detalhes profissionais e acadêmicos.

Junte-se a isso a série de informações enviadas às instituições, como o histórico acadêmico e resultado obtido em testes padronizados. Ou, em outras palavras: o aluno terá várias etapas para demonstrar aspectos de sua trajetória e personalidade, e não só o personal statement.

Para saber escrevê-lo, entretanto, não há uma fórmula exata. Um bom texto reflete quem o candidato é e seus atrativos para a instituição de ensino, com uma redação clara e concisa.

Exemplo de um bom personal statement

Aprovada no Bryn Mawr College, uma instituição de renome nos Estados Unidos, Larissa conta que estudou a fundo as universidades para as quais iria se candidatar e tentou unir seus interesses pessoais ao que as escolas tinham para oferecer.

Em seu personal statement, ela falou de duas grandes paixões  – hipismo e balé clássico – e mostrou que a universidade oferecia programas específicos nestas áreas, sugerindo que, se aceita, poderia continuar praticando ambas atividades. Veja um trecho da redação dela:

“As part of my campus life, I want to be a member of the Bi-Co Equestrian Club. I will have the chance to continue practicing this activity that is essential in my life, and even more, I will be able to get in touch with horse lovers both from Bryn Mawr and Haverford.

The university also offers dance in high levels of technique in the ballet III and optional pointe classes. Beyond ballet, I plan to adventure myself taking tap dance classes as well. I currently take part in a professional ballet company here in Rio de Janeiro, so the university support in this area is really meaningful to me. Since I want to continue my progress in dance, the opportunity to take classes in Swarthmore or in nearby studios in Philadelphia would be incredible.”

Carolina Lyrio, consultora de preparação para estudos no exterior da Fundação Estudar, considera que a redação de Larissa conseguiu conectar bem as coisas que ela gostava de fazer no Rio de Janeiro com as oportunidades que teria em Bryn Mwar. “É uma redação forte porque apontou claramente os motivos pelos quais ela queria estudar lá”, avalia.

Mais um exemplo

O paulistano Lawrence Murata também fez um personal statement interessante. Aprovado em Stanford, que está sempre entre as cinco melhores instituições do mundo segundo os principais ranking acadêmicos, Lawrence usou sua redação para falar de seu relacionamento com a avó, personagem essencial em sua vida. “Ele conseguiu trazer elementos do japonês (ditados, símbolos e imagens) que ilustram a cultura do aluno, sem deixar que a redação ficasse sem graça”, explica Carolina. Confira um trecho do personal statement dele:

“I spent every day at the hospital until she passed away, taking care of her, holding her hands, hopelessly trying to talk to her, even when she had already lost consciousness. During these months, I became more mature: a boy who truly wanted to contribute to humanity. These difficult times were “the end of the beginning” – while I gained maturity, I was also in search of happiness and of my own self. By questioning myself, I became my best self. Some months before she passed away, when we drove her to the hospital, even though nobody had told her about the diagnosis, she knew she had little time left just by looking at our miserable faces. However, before leaving home, she said “shiawasedesu”, which means ‘I’m happy’ in Japanese.”

Em suma, Carolina diz que a forma de verificar se o seu texto está no caminho certo é questionado-se: “A redação tem a minha voz? Ela conta uma história pessoal e focada ou é geral e genérica? Ela ajuda o leitor a entender quem sou eu? Ela está bem escrita? Flui de maneira lógica e interessante?”

Portanto, o primeiro passo para quem pretende fazer um personal statement “perfeito” é pensar muito a respeito de si mesmo e de suas intenções. O que você verdadeiramente deseja? Do que você gosta? Como a universidade pode te ajudar a alcançar seus sonhos?

Depois de colocar suas ideias no papel, estude a fundo cada uma das instituições para as quais você deseja se candidatar e tente fazer o match entre suas vontades e o que a universidade tem a oferecer.

Como fazer um bom personal statement para pós-graduação

Assim como o processo de admissão da graduação, o sistema para pós no exterior é holístico. Ao admission office, chegam documentos do estudante como histórico acadêmico e resultados em exames como GMAT e GRE. E, além disso, o personal statement (também chamado de “statement of purpose” por algumas instituições) de cada aluno em potencial.


A forma mais direta de descrever o texto, nesse caso, é como um “currículo discursivo”. Ou seja, entram na redação suas experiências acadêmicas, extracurriculares e profissionais mais importantes e que conduziram o candidato ao lugar em que está. Também é importante destacar os objetivos que pretende atingir com o programa pleiteado.

10 frases para não usar para começar sua carta de motivação

Todos os anos, o UCAS — o sistema unificado de candidatura a universidades do Reino Unido — divulga algumas das frases mais comuns usadas para iniciar os personal statements que recebe.

Como esses documentos são uma oportunidade para que o aluno destaque sua personalidade, começar o seu com uma dessas frases mais comuns não é uma boa ideia. Pode sugerir ao comitê de admissões que você não é uma pessoa criativa, não teve nenhuma experiência suficientemente interessante para destacar ou, ainda, que você preferiu seguir uma fórmula na hora de escrever o seu.

Na edição mais recente, essas foram as 10 frases mais comuns encontradas pelo UCAS:

 

  • ‘From a young age, I have (always) been [interested in/fascinated by]…’ (“Desde jovem, eu [sempre] fui [interessado em / fascinado por]…”)
  • ‘For as long as I can remember, I have…’ (“Desde que me lembro, eu…”)
  • ‘I am applying for this course because…’ (“Estou me candidatando para esse curso porque…”)
  • ‘I have always been interested in…’ (“Sempre fui interessado em…”)
  • ‘Throughout my life, I have always enjoyed…’ (“Ao longo de toda a minha vida, eu sempre gostei de…”)
  • ‘Reflecting on my educational experiences…’ (“Refletindo sobre minhas experiências educacionais…”)
  • ‘[Subject] is a very challenging and demanding [career/course]’ (“[assunto] é uma [disciplina/carreira] muito exigente”)
  • ‘Academically, I have always been…’ (“Academicamente, sempre fui…”
  • ‘I have always wanted to pursue a career in…’ (“Sempre quis ter uma carreira em…”)
  • ‘I have always been passionate about…’ (“Sempre fui apaixonado por…”)

 

Dicas de especialista

Uma redação subaproveitada pode ser determinante para a rejeição de um candidato que, mesmo tendo boas notas nos testes SAT e no TOEFL, por exemplo, não consegue demonstrar à instituição todo o seu potencial. “O personal statement pode ter um impacto significativo na sua candidatura. Então, é importante que você dedique um bom tempo à preparação, redação e revisão”, afirma Laila Parada-Worby, especialista na preparação de candidatos para a graduação fora.

No vídeo a seguir, Laila, que é formada em Harvard, dá dicas para você se destacar nessa etapa do processo:

Carta de recomendação: como pedir, a quem pedir, e o que ela deve conter

A carta de recomendação é mais importante para a application do que se imagina num primeiro momento. Isso porque para se candidatar para uma universidade estrangeira, você precisa de uma série de documentos e textos. Desde a carta de motivação até os essays, esses textos são, essencialmente, exposições suas sobre quem você é, quais são as suas qualidades e o que você pretende para o seu futuro.

De forma geral, portanto, são vários textos nos quais você fala sobre você mesmo. Mas tem também as cartas de recomendação: essas cartas são escritas por professores, coordenadores pedagógicos ou contatos profissionais do candidato. Num processo no qual o candidato fala constantemente sobre si mesmo, é fácil perceber a importância desses documentos.

Rogério Junior, bolsista do Programa de Líderes Estudar que atualmente faz um double major no MIT, ressalta esse ponto. “As cartas de recomendação são as únicas coisas da application em que não é você que tá falando. E é muito positivo ter um terceiro reforçando as qualidades que você diz que tem”, considera.

Por isso, é importante prestar bastante atenção às suas cartas de recomendação. E para ajudar nisso, oferecemos aqui algumas dicas sobre como garantir que as suas cartas de recomendação sejam mais uma parte forte da sua candidatura.

Como pedir uma carta de recomendação?

Raul Gallo Dagir, também do Programa de Líderes Estudar, atualmente estuda Ciência da Computação em Stanford. Como parte da sua application, ele pediu cartas de recomendação a suas professoras de física e de geografia, e à sua orientadora do Colégio Santa Cruz, em São Paulo.

“Escrevi e-mails ou pedi pessoalmente. Já tinha proximidade com todas, então foi simples”, relata. Essa proximidade é importante não apenas porque torna mais simples o processo de pedir a carta, mas também porque os professores com quem você já tem mais contato terão também mais coisas boas a falar sobre você.

Rogério, por sua vez, pediu as cartas a seus professores de inglês e de informática no Colégio Farias Brito, em Fortaleza. “No meu caso foi estranho porque eu tive uma experiência ruim. Eu pedi uma carta a um professor meu que eu conhecia há bastante tempo, e ele foi atrasando tudo e depois sumiu”, conta.

Felizmente, nem tudo se perdeu. Rogério explicou a situação ao seu professor de inglês, que então escreveu a carta de recomendação que faltava. “Ele já tinha escrito cartas para outros alunos, e era um cara de quem todo mundo gostava”, conta.

Essa experiência, no entanto, lhe rendeu um aprendizado importante. “Você tem que ser bem sincero com o professor quanto ao que você espera da carta. Por exemplo, pedir pra ele ‘professor, você está disposto a escrever uma carta de recomendação forte para mim?’. E ele tem que ser sincero com você também”, recomenda.

Ele sugere ainda que o aluno, no momento do pedido, ressalte histórias e fatos relevantes que ele gostaria que o professor colocasse na carta. “Ela tem que conversar com o resto do seu application, então senta com ele e conversa sobre o que você vai fazer”, diz.

Raul conta que também teve esse cuidado. “Tive a oportunidade de conversar com todas as pessoas que escreveram minhas cartas de recomendação para explicar um pouco mais do processo de application, qual deveria ser a estrutura da carta e o que ela deveria, de preferência, conter”, diz.

A regra de ouro é: antecedência. Pense o quanto antes sobre o que deseja destacar na carta, se vai pedi-la a antigo chefe ou preferir recorrer a um professor. Reflita sobre o que cada documento desses vai contar sobre você — afinal, na application você conta uma história. Se um dos documentos vai detalhar sua aptidão para a pesquisa, talvez seja interessante que o outro ressalte suas habilidades em trabalhar em grupo.

Em outras palavras, o tempo deve ser seu aliado. O ideal é não pedir a carta de recomendação de última hora e planejar tudo com bastante antecedência.

Modelo de e-mail

Se você pretende pedir a carta de motivação a um professor por e-mail, é importante ter um texto bem redigido. Por isso, oferecemos a seguir um modelo de e-mail que você pode usar para pedir uma carta de recomendação aos seus professores. Basta substituir os campos entre [colchetes] pelas informações específicas do seu caso:

Caro professor [nome do professor],

Meu nome é [seu nome]. Sou seu aluno da turma [sua turma] do colégio [seu colégio]. Tudo bem?

Como você talvez saiba, pretendo me candidatar para estudar [seu curso] na Universidade [nome da universidade]. Pretendo fazer isso porque [fale um pouco aqui sobre suas motivações].

O processo de application para a [nome da universidade] envolve o envio de cartas de recomendação. E, por isso, gostaria de saber se você estaria disposto/a a escrever uma carta de recomendação para mim.
Acredito que você seria capaz de produzir um ótimo texto, que aumentaria minhas chances de ingressar na universidade. Isso porque [fale aqui por que você escolheu esse professor].

Por favor, me informe assim que possível da sua disponibilidade para produzir esse texto. Caso você esteja disposto/a, me informe também um horário para conversarmos sobre o conteúdo da carta.
[sinta-se à vontade para propor um horário também, se quiser].

Agradeço desde já pela atenção! Se tiver qualquer dúvida, estou à disposição. 

[seu nome]

A quem pedir uma carta de recomendação?

Em alguns casos, como na candidatura do MIT, é necessário que uma das cartas venha de um professor da área de humanas, e outra do professor da área de exatas. Mas mesmo que isso não seja uma exigência, é uma boa prática — assim, o conteúdo de uma carta complementa o da outra.

“Por exemplo: a Beth, que me ensinou física, escreveu muito sobre raciocínio lógico-matemático e sobre meu envolvimento com [atividades] extracurriculares de eletrônica. Já a Fabi, de Geografia, escreveu mais sobre minha escrita, minha capacidade analítica e de argumentação em debates que tínhamos em sala”, compartilha Raul.

É importante, também, que o professor tenha algo a dizer sobre o aluno, na carta de recomendação, que vá além da sala de aula. Assim, a instituição de ensino à qual ele se candidata consegue ter uma perspectiva melhor de quem ele é em diversas áreas de sua vida.

“É essencial você tenha proximidade com quem vai escrever sua carta de recomendação para que a pessoa tenha conhecimento sobre seus interesses, ética de trabalho, dedicação, personalidade. Se não, a carta fica muito generalizada e impessoal”, comenta Raul.

Na application de Rogério, foi o seu professor de informática que acabou desempenhando esse papel. “Eu via ele todo dia, e a aula de informática era só para 4 pessoas, e todo mundo ia almoçar junto logo depois, então foi só pedir”, conta.

Raul enviou, ao todo, 4 cartas de recomendação. Além das suas professoras e da orientadora do colégio, mandou também uma carta de uma professora de um summer camp que ele fez em Stanford em 2015. E embora ela não conhecesse Raul tão bem, ele sentiu que a carta fazia sentido: “Honestamente, o intuito daquela carta era mais mostrar envolvimento com Stanford e com os professores da faculdade do que qualquer outra coisa sobre mim”.

No caso de uma pós-graduação ou MBA, o mais indicado é escolher um professor e um chefe de trabalho ou par. Mais do que alguém com um cargo de destaque, é importante escolher alguém que o conheça bem e consiga “te vender” para as universidades, destacando suas qualidades como profissional e aluno e suas conquistas.

No vídeo a seguir, os estudantes Lucas Mendes, aprovado na Universidade da California em Berkeley, e Jacqueline Karlin, aluna do MIT (Massachusetts Institute of Technology), dão outras dicas para essa etapa do processo:

Preciso chamar alguém famoso?

A resposta mais direta é simples: não, não precisa. Para sua carta de recomendação, siga a regra do “quem for mais próximo”, de quem conhece melhor quem você é e quais são seus projetos. O professor mega famoso da universidade, porém inacessível, não garante necessariamente uma vaga. Pelo contrário, pode soar genérico e artificial.

Só escolha alguém “famoso” caso essa pessoa tenha mesmo o que falar, e não esteja lá apenas para assinar o papel. Lembre-se: é importante que o documento ajude a contar a sua história.

O que uma carta de recomendação deve conter?

Obviamente, uma carta de recomendação precisa citar os pontos fortes — tanto acadêmicos quanto pessoais — do candidato. No entanto, a maneira como esses pontos são citados pode fazer toda a diferença, e nesse caso é interessante buscar referências para ter uma boa ideia.

O MIT, por exemplo, tem uma página inteira dedicada a explicar o que faz uma carta de recomendação ser boa. E se você já tiver escolhido um professor para escrever sua carta, é interessante que você envie essa página para ele; assim, ele consegue ter uma ideia do que escrever.

Entre os pontos que o MIT coloca, estão os seguintes:

  • Qual é o contexto da sua relação com o aluno? Se você não o conhece bem e só se sente capaz de escrever sobre ele em linhas gerais, por favor deixe isso claro.
  • O aluno demonstrou vontade de correr riscos intelectuais e de ir além da sua experiência em sala de aula?
  • O aluno tem talentos, competências ou habilidades de liderança além do ordinário?
  • O que motiva essa pessoa? O que a deixa empolgada?
  • Como o aluno interage com professores? E com seus colegas? Descreva sua personalidade e suas habilidades sociais.
  • De que você mais vai se lembrar dessa pessoa?
  • O aluno já passou por alguma derrota ou falha? Se sim, como ele reagiu?
  • O aluno tem circunstâncias incomuns de família ou de comunidade das quais a universidade deveria saber?

Esse último ponto pode soar um pouco estranho, mas é importante. Afinal, na candidatura a universidades estrangeiras, não conta apenas o desempenho acadêmico do estudante, mas todo o seu contexto. Assim, se o aluno demonstrar excelência nas notas ao mesmo tempo em que lida com uma situação familiar desfavorável, seu mérito aos olhos dos examinadores será ainda maior.

É importante também que o professor escolha realizações concretas do aluno para destacar na carta. Dizer que ele ajudou o jornal da escola a dobrar de circulação ou que ele ministrou uma aula de programação para alunos mais novos é uma maneira de destacar os pontos positivos dele sem soar genérico.

Por outro lado, frases como “Fulano é um dos melhores alunos que eu já tive” ou “Beltrano tem excelentes notas” soam vazias e pouco específicas. “O leitor fica se sentindo como se o autor estivesse se esforçando para achar algo de bom a dizer”, diz a página do MIT, ressaltando também que “nós recebemos milhares de cartas de recomendação assim todo ano”.

O que você achou desse post? Deixe um comentário ou marque seu amigo:

Leia