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Como um intercâmbio na Colômbia abriu portas para sua carreira no Brasil

Por Colunista do Estudar Fora

Por Antony Valadares

Em janeiro de 2016, me inscrevi no processo seletivo do programa Talentos Globais, da AIESEC. Na época, estagiava no Ministério das Relações Exteriores ao lado de uma amiga que era voluntária na organização e que, ao ficar sabendo de uma ótima oportunidade de intercâmbio na Colômbia, me perguntou se queria tentar.

A princípio, não foi algo que dei muita atenção. Eu carregava algumas decepções adquiridas em processos seletivos nacionais e não me deixei criar muitas esperanças para um no exterior. Mesmo assim, me candidatei com o incentivo de amigos e do meu chefe. Para minha surpresa, eu acabaria embarcando para Bogotá em menos de um mês.

Foi algo que realmente aconteceu de uma hora para a outra. Desde o envio do meu currículo até o meu embarque, mais ou menos trinta dias haviam se passado. “Mãe e pai, se der tudo certo, querem que eu comece em fevereiro”. Foi um susto engraçado. “Meu filho, lembra daquela novela da Turquia?”. Apesar do susto, já era algo que eles esperavam de um filho que estudava Relações Internacionais.

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Eu, então, juntei toda a coragem que consegui e fui. Praticamente um adolescente que nunca tinha ido ao exterior nem mesmo para turismo, que nunca tinha vivido fora de Brasília, que nunca havia morado fora da casa dos pais e que nunca tinha trabalhado para uma grande empresa. O intercâmbio seria novo para mim em todos os aspectos possíveis.

O suporte da AIESEC nesse processo foi decisivo ao garantir a segurança da minha experiência. Estiveram presentes ao me guiar pelo processo de visto, emitir a documentação, ajudar a encontrar acomodação, me buscar no aeroporto, me ensinar todos os “truques e manhas” da nova cidade, me ajudar na adaptação a uma nova cultura e fazer com que eu me tornasse um Cidadão Global.

Intercâmbio na Colômbia: destruindo estereótipos

Eu nunca tinha pensado em conhecer a Colômbia. Tudo o que eu sabia sobre o país vinha das imagens da Shakira e das histórias de Pablo Escobar. Além disso, eu pensava que conseguiria entrar em uma grande empresa apenas em um futuro talvez distante.

Já tomei na cara no primeiro dia, quando vi a arquitetura inglesa nos prédios e nas casas de Bogotá. Tudo tão bonito, feito de tijolinhos de barro. Um clima frio em uma cidade barata de grande altitude onde pessoas andam de casacos e até cachecóis. Nada do ar de “ilha latina” que eu esperava.

Fui para esta cidade surpreendente para trabalhar na Sutherland Global Services, uma empresa de Business Process Outsourcing que presta serviços para diversas outras multinacionais. Meu trabalho consistia em realizar suporte e vendas para os clientes lusófonos de uma dessas empresas atendidas pela Sutherland.

Os desafios de trabalhar no exterior

Trabalhar no exterior foi o momento mais desafiador que já tive. É mais difícil no início, mas é possível ver o seu desenvolvimento na medida em que as coisas vão ficando mais fáceis. Aprendi a ser independente, a trabalhar com diferentes culturas (sem se limitar somente à colombiana), aprendi a ser mais empático, a ser mais criativo, ter a cabeça mais aberta, a me relacionar com pessoas muito diferentes das que estou acostumado, a trabalhar melhor com diferenças pessoais e ter muito mais autoconhecimento, autoconfiança e maturidade.

Dentro da empresa me comunicava em inglês, uma língua que aprendi sozinho e que nunca havia colocado em prática, e na Colômbia precisava me comunicar em espanhol, idioma que aprendi lá na hora mesmo e que é mais difícil do que parece.

Além disso, consegui conhecer uma cultura que é maravilhosa, aprendi a amar a América Latina, conheci diversas cidades incríveis, um deserto com o céu maravilhoso, viajei de carro pelas sinuosas e perigosas estradas da Cordilheira dos Andes, bebi o melhor café, estive em uma ilha caribenha, fiz turismo fora das terras colombianas e muitas outras coisas. O mais importante, fiz tudo isso com pessoas que guardo no coração.

“Ter no currículo uma experiência de trabalho no exterior chama a atenção dos recrutadores”

Apesar de ter tido a oportunidade de ficar por lá, eu voltei para a faculdade. Faltando apenas dois semestres para terminar o meu curso, eu decidi trancá-lo para fazer este intercâmbio. Mas a hora de voltar chegou e aqui estou novamente, sob o lindo céu da capital.

Assim que voltei, fui chamado para ser voluntário da AIESEC Brasília. Aceitei na hora porque eles me proporcionaram uma ótima oportunidade e, agora, tenho experiências incríveis ajudando outras pessoas a se desenvolverem, tornando-as líderes e cidadãos globais.

Mas também precisamos de dinheiro para viver. Com a delicada situação econômica do país, encontrar um emprego ou um estágio é difícil. Ao voltar, senti isso de imediato. É visível a diferença entre a oferta de oportunidades de estágio quando comecei a faculdade e quando retornei da Colômbia no início de 2017. Está difícil encontrar até uma oportunidade para se candidatar e, quando encontramos, a concorrência é muito grande.

Foi nesse ponto que o intercâmbio me ajudou muito. Quando cheguei, fui procurar oportunidades relacionadas à minha área. Foi aí que comprovei: ter no currículo uma experiência de trabalho em uma empresa no exterior chama a atenção dos recrutadores. Mesmo que o trabalho não seja relacionado à vaga para qual o recrutador está te considerando, uma experiência como essa já mostra que você é uma pessoa diferente e que lida bem com desafios.

Aprendizados para a carreira

Acabei conseguindo uma oportunidade de estágio na General Motors, para um setor que se relaciona não apenas com o meu campo de estudo, mas também com a monografia que estava fazendo e com as minhas aspirações de carreira profissional. Quando me ligaram, tudo o que eu aprendi na Colômbia chegou à entrevista, pois foi o que mais surpreendeu os recrutadores e o que eles mais perguntaram a respeito.

Agora, encaro minha vida profissional com muito mais foco, dedicação e maturidade. Sei me relacionar muito melhor com as pessoas e sou mais produtivo. Além disso, mantenho sempre em mente que devo encarar desafios como situações atrativas e não intimidadoras. Hoje eu agradeço muito pela experiência que eu tive, bem como todos os envolvidos nela, por me ensinarem essa valiosa lição.

 

 

Sobre o autor

Antony ValadaresAntony Valadares é estudante de Relações Internacionais na Universidade Católica de Brasília. Fez o intercâmbio Talentos Globais pela AIESEC Brasília, em Bogotá, na Colômbia, e hoje estagia em Relações Governamentais na General Motors Brasil.

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