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Os 5 maiores desafios de aprender alemão, segundo um brasileiro

Por Colunista do Estudar Fora
10.09.2017

Por Ramon Luz, do TIPPS


Mais de cem milhões de pessoas falam alemão diariamente no mundo. Entrar para esse grupo envolve esforço. Pode ser que estudar e pesquisar na Alemanha não dependa exclusivamente disso, como nós do TIPPS já explicamos aqui, mas aprender alemão pode ser a chave para uma estadia mais eficiente, sem mal entendidos e com acesso a informação em seu formato original, sem as perdas que a tradução pode causar.

Na primeira fase da bolsa German Chancellor Fellowship, a Fundação Alexander von Humboldt oferece um curso intensivo de alemão a seus bolsistas brasileiros, russos, indianos, chineses e estado-unidenses.

São três meses de descobertas, trava-línguas e de, pelo menos (em minha opinião) 5 desafios principais para os falantes de português ao aprender alemão:

1 – O gênero

Assim como no português, tudo tem gênero na língua alemã. No entanto, por aqui, as palavras podem ser femininas, masculinas ou neutras. Cada tipo com seu próprio artigo: der, para masculino, die, para feminino e das, para neutro. Tudo ótimo até você perceber que, por mais que existam alguns “macetes” aqui e ali, não há como se lembrar do sexo de todos os substantivos alemães que você conhece a não ser por meio de memorização. É usar para lembrar! E o gênero ainda flexiona outras palavras em volta do substantivo, como adjetivos…

2 – Conjugações verbais

Mais um aspecto que, por existir no português, parece vantagem para brasileiros, mas que se mostra desafiador. O que acontece é que, como, normalmente, a memória de aprendizado de uma nova língua envolve o inglês, em que as flexões verbais são poucas, esquecemos o quão difícil pode ser lembrar quem é quem no casamento verbo conjugado + pronome pessoal. Mais uma caso de memorização! Não tem pra onde fugir.

3 – Pronúncia do “R”

No alemão, existe um “r” quase indecifrável. Ele está em “Straße” (rua) e “Freund” (amigo). À primeira ouvida, parece o som de “rr”, francês, leve. Porém, depois de mais tempo de estudo, você perceberá que essa letrinha envolve um sutil som ríspido, peitoral, em algumas palavras. Algo como uma coceira na garganta. E você pode só se dar conta disso quando um alemão vier te dizer que você está falando errado.

Leia também: Brasileiros na Alemanha dão 5 dicas para aprender o idioma

4 – Verbos trennbar

Imagine que, alguns verbos no alemão, quando conjugados, simplesmente se dividem em duas partes. Uma fica no meio da frase a outra vai para o final. É. “Anfangen”, que é o verbo começar, por exemplo, fica assim, na frase “Eu começo hoje.”:

Ich fange heute an.

Conjugado na primeira pessoa do singular e dividido em duas partes. Só parece fácil até encontrar uma frase grande em que, depois de todas as preposições, advérbios e adjetivos, você precisará lembrar do prefixo do verbo para finalizar a frase perfeitamente.

5 – Acusativo e Dativo

Então, as versões que artigos e adjetivos podem ter a depender do gênero do substantivo ganham companhias assustadoras quando entramos no universo de Acusativo e Dativo. Simplificando, porque até para explicar aqui é difícil, substantivos que funcionam na frase como objetos diretos devem aparecer com seu artigo em uma forma diferente, a acusativa. Uma mudança válida apenas no caso de substantivos masculinos: “der”, artigo masculino, se transforma em “den”. Mas, se a posição for de objeto indireto, aí tudo precisa mudar para a forma dativa, tanto substantivos masculinos e femininos quanto neutros. E não para por aí! Os pronomes também mudam: “eu” pode ser tanto “Ich”, na forma mais comum, nominativa, quanto “mich”, na forma acusativa e “mir”, dativa. Sim.

A boa notícia é que o processo de aprender uma língua tão rica e influenciada pelo jeito de pensar alemão, tão direto, ajuda a entender como funciona a fascinante terra das ideias. Nosso lugar preferido para estudar e pesquisar.

Você também quer aprender alemão e tem outros desafios a listar ou dicas para dividir? Comente e vamos compartilhar histórias!

 

 

Ramon Luz, do TIPPS

Sobre o Autor

Ramon Luz é publicitário, certificado em produção de vídeos jornalísticos para a web pelo Centro Knight para o Jornalismo nas Américas da Universidade do Texas em Austin. Primeiro capixaba a ganhar a bolsa German Chancellor Fellowship, da Fundação Alexander von Humboldt. Em 2016, teve seu primeiro web-doc “Doce Senhora do Rio”, premiado pela Associação Nacional de Jornais, a ANJ. Membro do coletivo TIPPS – Estudar e Pesquisar na Alemanha desde de julho deste ano.

 

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