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Central European University: uma universidade de excelência dos EUA no meio da Europa

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Central European University: uma universidade de excelência dos EUA no meio da Europa

Os Estados Unidos costuma atrair estudantes interessados em suas universidades de ponta. A Europa, por outro lado, tem uma diversidade cultural maior — além de também ter escolas excelentes. Para quem deseja fazer uma pós-graduação no exterior e não consegue se decidir entre esses dois destinos, a Central European University (CEU) pode ser uma boa opção.

Segundo Giovanna Cardoso Pereira, que faz mestrado em Ciência Política na instituição, “a política de ‘democratização’ da universidade faz com que a CEU tenha alunos do mundo inteiro”, criando um ambiente altamente internacionalizado de aprendizado. Mas quem deseja estudar na universidade precisa estar preparado para um ritmo de estudos bem exigente.

A seguir, saiba tudo sobre a Central European University:

História

Fundada em 1991 pelo bilionário húngaro-estadunidense George Soros, a universidade tinha o objetivo de formar profissionais para dirigir os países em transição do antigo bloco soviético. Para isso, ela recrutou pesquisadores, professores e estudantes do mundo todo e fundou uma instituição com diversos campi no leste europeu. Em 1995, a maioria das atividades da CEU já se consolidava no campus de Budapeste, na Hungria.

Desde o início, o foco da Central European University foi a área de ciências humanas e sociais. Como a ideia era formar líderes em administração e negócios regionais, a universidade oferece também cursos de gestão (pública e privada), bem como economia, finanças, direito, ciências políticas, sociologia, antropologia e filosofia. Em todos os casos, a instituição privilegia uma abordagem interdisciplinar.

Problemas com o governo

Em 2018, o governo de extrema-direita de Viktor Orbán mudou a legislação e dificultou o funcionamento da Central European University em Budapeste. Orbán acusava George Soros, o bilionário fundador da CEU, de estar financiando uma campanha internacional para apagar identidades nacionais e gerar fluxos migratórios para a Hungria.

Orbán citava como prova disso o fato de que a CEU oferecia diplomas registrados nos EUA, mas sequer tinha um campus nos EUA. A CEU chegou até a montar um campus no Bard College, em Nova York, para se adequar à nova legislação. Mesmo assim, o governo ainda não chegou a um acordo com a instituição. A mesma legislação que dificultava o funcionamento da universidade também impunha um imposto de 25% a organizações que ajudassem refugiados na Hungria.

Então, a partir de 2018, por causa dessas dificuldades, a universidade começou a deslocar a maioria de seus cursos para Vienna, na Áustria. A expectativa é que, no futuro, todas as atividades da CEU tenham o campus de Vienna como palco.

A Central European University em números

Atualmente, a CEU conta com 1320 estudantes de 103 países diferentes. Quase 80% desses estudantes são estrangeiros, e segundo a página de dados da universidade, há atualmente 14 brasileiros matriculados lá.

Do total, 775 dos alunos estão em programas de mestrado, enquanto 445 estão em doutorados e 100 em outros cursos de duração mais curta. 48% dos estudantes são mulheres. Apenas 8% dos estudantes pagam integralmente o valor das tuition fees; os 92% restantes têm algum tipo de auxílio financeiro.

A razão entre alunos e professores na universidade é 7:1, o que significa que há, em média, um professor para cada sete alunos. A universidade já formou mais de 16.700 alunos de 147 países diferentes, que foram trabalhar em áreas como negócios (40%), educação e pesquisa (29%) ou em cargos de governo (11%).

Com relação a rankings universitários, a universidade foi bastante prejudicada pelos problemas que teve com o governo húngaro desde 2018. Ela só figura nos rankings de melhores universidades do mundo da Times Higher Education até 2017. Naquele ano, ela ficou entre as 350 melhores do mundo, e foi considerada a 16ª universidade em países emergentes, além de ser a 39ª melhor universidade com menos de 50 anos.

De acordo com a QS, outra organização que elabora rankings desse tipo, a CEU se destaca em diversas disciplinas específicas. No ranking mais recente de disciplinas da QS, ela aparece na 30ª posição na área de Política e 37ª na área de filosofia. Também fica entre as 100 melhores do mundo em temas como Sociologia, História e Administração Pública.

Departamentos da Central European University

Os cursos ministrados pela CEU dividem-se entre 13 departamentos. Nos links a seguir, é possível ver os cursos oferecidos em cada um:

Um ponto importante de se ter em mente é que os cursos da Central European University tem registro nos Estados Unidos. Isso significa que o diploma emitido no final do curso é equivalente a um grau obtido numa escola dos EUA.

Graduação na CEU

A partir de 2020, a Central European University começará a oferecer dois cursos de graduação. Os cursos são registrados tanto na Áustria (onde serão ministrados) quanto nos Estados Unidos, e terão um arranjo semelhante ao dos programas de pós oferecidos pela universidade, com turmas pequenas e a possibilidade de escolher suas áreas de maior interesse.

Filosofia, política e economia

Inspirado num programa semelhante da Universidade de Oxford (que já tem mais de 100 anos de idade), o programa interdisciplinar foca em estruturas políticas e sociais. Ele permite que os estudantes cursem um major em Filosofia, Política ou Economia, e oferece eletivas em áreas como Estudos de Gênero, Ciências Ambientais, Direitos Humanos e Relações Internacionais.

Cultura, política e sociedade

Mais parecido com os cursos de Liberal Arts das universidades estadunidenses, esse programa traz disciplinas de ciências sociais e humanidades e ensina a interpretar e comunicar uma enorme variedade de informações em diversos meios fora da sala de aula. Os alunos desse curso podem escolher entre um total de 12 majors e minors, incluindo temas como Herança Cultural, Estudos de Nacionalismo, História, e Sociologia e Antropologia Social.

Quanto custa estudar na CEU?

Na comparação com outras universidades europeias de ponta, a CEU fica um pouco do lado mais barato — mas não muito. No caso da graduação, as tuition fees ficam em €10.000 por ano acadêmico (embora em 2020 a universidade tenha oferecido um desconto de 50% para a primeira turma de graduação, levando o valor a €5.000) por ano.

Na pós-graduação, as tuition fees variam de €10.000 por ano acadêmico até €24.000 (caso do MBA em Global Executive Management, que é de longe o curso mais caro oferecido pela universidades). Além desses valores, os estudantes ainda podem precisar pagar taxas de matrícula e de registro.

É importante notar que a instituição oferece uma série de bolsas de estudo, que podem ser vistas nesta página. Segundo a própria universidade, mais de 90% de seu alunos recebem algum tipo de auxílio financeiro (da própria instituição ou externo).

Custo de vida

Um ponto importante para se ter em mente nos próximos anos, quando a Central European University passará a atuar mais em Vienna, é o custo de vida. “Há um desconforto dos alunos quanto ao custo de vida em Vienna, que é bem mais alto do que em Budapeste (principalmente em relação a moradia, eu diria)”, comenta Giovanna.

Giovanna conquistou uma bolsa de estudos da própria universidade que cobre integralmente seus custos de estudo e oferece uma ajuda de custo para gastos mensais (€240 em Vienna, €160 em Budapeste). “Eu guardei algum dinheiro antes de vir para cá e consegui um emprego temporário no meu departamento, o que me ajudou financeiramente”, complementa.

Ela também conta que muitos alunos conseguem moradia como parte da bolsa e, mesmo para quem não consegue, “o aluguel no residence center da universidade não é muito alto”. E diz que a universidade também dá a “possibilidade de conseguir empregos temporários que podem auxiliar os alunos com parte das despesas”.

Como é estudar na Central European University?

Segundo Giovanna, a CEU tem um corpo acadêmico altamente qualificado e é uma universidade nova, o que, na visão dela, “afeta a nossa rotina de estudos aqui, que é extremamente puxada”. Ela conta que conversou com outro brasileiro que estudou na CEU antes de vir, e ele comentou sobre a exigência do curso. “Só entendi [o que ele quis dizer] quando comecei o curso e pude sentir a rotina de estudos”, lembra.

Para concluir seu mestrado de um ano, Giovanna precisa de 40 créditos. São 16 créditos de matérias obrigatórias, 2 de um curso obrigatório sobre métodos de pesquisa e 14 créditos à escolha do aluno. Restam 8 créditos, que são contemplados pela tese. “O que posso dizer é que são 10 meses extremamente intensos” comenta. “Acho que a busca pela excelência por uma universidade nova concluiu, aqui na CEU, no fato de que os alunos precisam estudar para valer”, finaliza Giovanna,

Ela destaca positivamente o ambiente internacionalizado da universidade. Por estar no centro da Europa, muitos alunos da região estudam por lá. “Também há muitos alunos da Ásia e dos EUA (por ser uma universidade estadunidense)”, acrescenta.

Adaptação ao local

Ficando atualmente entre Budapeste e Vienna, a CEU acaba fazendo com que seus estudantes precisem se adaptar a mais de um novo local. Sobre Budapeste, Giovanna diz que sua primeira impressão foi bastante forte, “principalmente por causa da língua, que é realmente muito diferente de todas as outras que eu já tinha ouvido”.

Ela conta que desistiu de aprender húngaro quando falou com outros brasileiros que estudariam na CEU e não tentariam aprender, e sua impressão é que a maior parte dos alunos da universidade não aprende a língua.

Embora tivesse achado a cidade menos convidativa num primeiro momento, por causa das pessoas mais “distantes”, Giovanna diz que teve outra impressão da cidade quando voltou após seu primeiro período em Vienna. “É uma cidade jovem, com muitas opções de lazer. Gosto bastante daqui. Quando cheguei, não estranhei a comida, e estávamos no verão europeu, então fazia bastante calor”, rememora.

Segundo ela, o inverno teve cerca de 45 dias de temperaturas entre -1ºC e 2ºC, e depois as temperaturas voltaram a subir até cerca de 6ºC a 15ºC. “Aqui também venta muito em alguns dias, o que é bastante diferente (e o vento é gelado)”, acrescenta. Já sobre Vienna, ela diz que achou a cidade “mais adaptável, por conta da língua e também por sentir as pessoas mais abertas”.

Candidatura

Para se candidatar aos programas de graduação da Central European University, são necessários os seguintes documentos:

Também é possível (embora não seja necessário) enviar outros documentos, como certificados extracurriculares ou notas de provas padronizadas, como o SAT ou o ACT. Mais informações sobre os requisitos, incluindo as especificações dos documentos necessários e o formulário, podem ser vistas neste link.

Na pós-graduação, os requisitos variam de acordo com os programas de mestrado ou doutorado. De maneira geral, no entanto, os documentos exigidos são:

  • Histórico acadêmico da graduação (e do mestrado, para se candidatar ao doutorado);
  • Certificado de proficiência em inglês;
  • CV;
  • Cartas de recomendação (duas ou três, dependendo do programa);
  • Redação acadêmica (varia conforme o curso, podendo ser desde um essay até uma amostra de trabalho já publicado);
  • Notas de provas padronizadas como GRE ou GMAT (exigidos só em alguns cursos);
  • Formulário de candidatura.

Nesta página, é possível ver mais detalhes sobre as exigências gerais de candidatura para pós-graduação. Também é importante verificar, na página do curso desejado, quais são os requisitos específicos.

Dicas e sugestões

“Tive que apresentar uma carta de intenção, uma mini redação sobre um assunto em Ciência Política, o meu CV, nota do TOEFL e duas cartas de recomendação. Depois, fui chamada para uma entrevista com o departamento”, conta Giovanna. Para ela, a parte mais difícil do processo “foi acreditar que eu poderia conseguir a vaga e a bolsa”. “Mesmo com o medo, tentei superar fase por fase e acabou dando certo”, diz.

Para ela, a universidade ainda tem muito a oferecer a estudantes brasileiros — o Brasil ainda é pouco representado no campus, e a instituição tem muito a oferecer a seus alunos. “Em abril, por exemplo, vou participar de duas conferências com bolsa para as taxas, viagem e hospedagem. Além disso, os professores da universidade são internacionalmente reconhecidos e o conteúdo dos cursos é realmente muito bom”, comenta.

O primeiro conselho que ela dá a brasileiros interessados nas áreas de especialização da CEU é considerar a universidade como uma opção. Na visão de Giovanna, ela tem qualidade de sobra e oferece bastante em termos de apoio. E para quem pensa em candidatar, a recomendação dela é acreditar no próprio potencial, já que ela mesma listou as dúvidas sobre a própria capacidade como um dos fatores mais difíceis da candidatura.

“Acredito que esses pensamentos são uma realidade muito comum entre os jovens brasileiros, principalmente os que vêm de origens sociais menos privilegiadas. Hoje digo a todos os meus amigos que pensam assim: o primeiro passo é se dar uma chance”, conclui.

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