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02.12.13

Qual a diferença entre MPP e MPA

Qual a diferença entre MPP e MPA

Especialistas explicam as especificidades de cada curso, mas destacam que há cada vez menos uma linha clara de distinção entre eles

Originalmente, os programas de mestrado em Administração Pública (MPA) dariam mais ênfase em técnicas de gestão e implementação de políticas públicas, enquanto os mestrados em Políticas Públicas (MPP) enfatizariam pesquisa e avaliação. Ou seja, os profissionais interessados num MPP seriam aqueles que fazem as pesquisas que permitem programas e políticas para o setor público, enquanto aqueles que cursam um MPA de fato buscariam implementar esses programas e políticas, garantindo que fossem seguidas.

O MPA teria disciplinas mais generalistas e similares às dos cursos de Administração, em que são estudadas teorias aplicadas à governança pública e a programas e gestão de organizações vinculadas aos governos. As disciplinas de MPP, por sua vez, seriam mais interdisciplinares e enfatizariam a formação em ciências humanas, com o foco no estudo de problemas da administração pública a partir do contexto político, econômico e social do país. O curso estabeleceria metas e soluções para problemas sociais em áreas como educação, saúde, assistência social, habitação, lazer, transporte, segurança e meio ambiente.

“Alguns cursos de MPP ainda tendem a ser mais analíticos e acadêmicos, enquanto os de MPA são mais práticos e têm como objetivo desenvolver habilidades de gestão e liderança”, diz Cristin Siebert, diretor de assuntos estudantis no Yale Jackson Institute for Global Affairs e representante da APSIA (Association of Professional Schools of International Affairs). Porém, ela destaca que há cada vez menos uma linha clara de distinção entre MPPs e MPAs – que também se confundem com os mestrados em International Relations (Relações Internacionais), International Affairs (Assuntos Internacionais) ou Global Affairs (Assuntos Globais).

Cristin explica que os cursos são todos muito parecidos, apesar dos nomes diferentes. “Os estudantes precisam pesquisar com calma o currículo de cada programa e os perfis das escolas. Isso é ainda mais importante do que entender de fato o significado de cada uma dessas nomenclaturas.” Segundo ela, os currículos entre os próprios MPPs ou MPAs podem ser distintos, inclusive na duração, dependendo da ênfase que possui: um MPA em International Development, por exemplo, tem um foco em economia muito forte, enquanto um MPA em outras especialidades é para profissionais com mais experiência mid career.

“Nos últimos anos, algumas escolas mesclaram os cursos e deram um nome diferente, como um mestrado em ‘Política e Gestão Pública’ ou em ‘Assuntos Públicos’. É preciso checar a proposta de cada uma”, completa Stuart Heiser, diretor de comunicação e assuntos públicos da NASPAA (Network of Schools of Public Policy, Affairs, and Administration) – que regulamenta cursos relacionados aos serviços públicos globais. A organização possui 285 escolas membros, de 14 diferentes países.

No Brasil
Aqui, o campo de públicas envolve as áreas de administração pública, gestão pública, políticas públicas, gestão de políticas públicas e gestão social. Nos cursos de pós-graduação nessas áreas, é possível aprender teorias e desenvolver teses destinadas a melhorar a máquina pública estatal e o terceiro setor, além de empresas ligadas ao governo por meio de concessões ou parcerias público-privadas. Eles oferecem um embasamento teórico para profissionais com experiência no mercado e também para recém-formados que querem seguir na academia. Todos são focadas no interesse coletivo e no bem estar social, mas possuem enfoques e escopos diferentes.

O curso de administração pública, por exemplo, é o mais antigo e ensina toda a lógica organizacional das instituições públicas – recursos humanos, administração financeira, questões legais etc. -, enquanto o de gestão pública concentra-se mais em metodologia e processos. Já o curso de políticas públicas se foca em fazeres específicos do estado no cumprimento de suas funções sociais e econômicas que exigem conhecimentos específicos, como educação, segurança e saúde. O curso de gestão social, mais recente, tem como foco a interação entre governo e sociedade, como iniciativas público-privadas.

Esses mestrados surgiram no Brasil há poucas décadas e se expandiram nos últimos anos, segundo especialistas. “Esse crescimento foi impulsionado, de um lado, pelo aumento da oferta de cursos de graduação nessas áreas, para atender os egressos que desejam produzir nova literatura no campo de pesquisa ou ter acesso a um cargo ou promoção em órgãos do governo”, diz o economista Valdemir Pires, coordenador do curso de Administração Pública da Unesp.

Hoje, há cerca de 50 cursos de graduação e 20 programas de mestrado ou doutorado nessas áreas, entre eles na Fundação Getúlio Vargas (FGV) – do Rio e de São Paulo -, na Fundação João Pinheiro, em Minas, e na Universidade de São Paulo (USP). Outras escolas também oferecem cursos de qualidade e com um peso regional expressivo, como a Universidade de Brasília (UnB), a Universidade Federal da Bahia (UFBA) e a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Para Fernando de Souza Coelho, doutor em Administração Pública e Governo pela FGV e professor da USP, há uma necessidade crescente de relacionar a teoria produzida nesses mestrados com a produção de tecnologia e ferramentas de apoio ao setor público. As escolas brasileiras estão percebendo isso aos poucos e se tornando mais flexíveis para cursos profissionalizantes, que atraiam profissionais de áreas como administração, marketing, economia, arquitetura, engenharia e comunicação com experiência prévia ou interesse no setor público. “A Fundação Getúlio Vargas, por exemplo, já oferece cursos de menor duração e voltados para a resolução de problemas reais”, destaca.

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