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01.12.16

Do MBA à carreira em hotelaria de luxo: confira a trajetória de Alínio Azevedo

Alinio Azevedo, brasileiro que gerencia os hotéis Loews

Formação em Duke serviu de ponto de virada para o engenheiro Alinio Azevedo e o ajudou a chegar ao comando de redes como Four Seasons e Loews.

Por Priscila Bellini

O caminho da hotelaria foi natural para o potiguar Alinio Azevedo. Dona do Novotel Ladeira Do Sol, bem na região central de Natal (RN), sua família dedicava-se ao negócio há anos, e a rotina de quartos e hóspedes sempre fizeram parte do cenário para Alinio.

Só que, em vez de embarcar diretamente para o ramo, ele optou por um trajeto alternativo. Passou no curso de Engenharia Civil em 1994 e logo seguiu para a graduação na UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte). Parecia uma boa aposta e que lhe levaria a uma carreira promissora. O problema era que, mesmo nos últimos semestres do curso, Alinio não sentia paixão pela profissão. “Cheguei ao quarto ano e percebi que não era isso o que eu queria fazer para o resto da vida”, explica ele.

Em vez de desistir da carreira às pressas, decidiu concluir a graduação em Natal e, em seguida, passar uma temporada cuidando dos negócios da família, já consolidados na cidade. A experiência com números, fórmulas e cálculos deu um impulso a mais para Alinio desenvolver suas competência no Novotel, e se dedicar à parte de gerência, finanças, e formas de ampliar os serviços.

O MBA foi o ponto de partida para a mudança definitiva

Foram sete anos nesse ritmo até que ele resolvesse consolidar de vez a mudança de carreira, da engenharia civil para o setor imobiliário voltado à hotelaria. Candidatar-se ao MBA no exterior serviria de ponto de partida para que ele se aperfeiçoasse na área e tivesse uma vivência fora do país. “Eu sabia que estava em um caminho A e queria mudar para o caminho B. E o MBA era a ponte entre esses dois caminhos”, sintetiza.

De início, Alinio achou melhor visitar as universidades nos Estados Unidos para se certificar de qual delas o atrairia mais. Na época, no início dos anos 2000, como ele conta, os cursos de MBA ainda não eram fortes no Brasil, e as universidades americanas tinham destaque nesse tipo de formação. “No Brasil, os programas eram muito acadêmicos, e não voltados para a vida profissional, para o dia a dia, para o mundo dos negócios. Não era aquilo que eu queria”.

A visita ao país, que durou um mês, foi distribuída por diversas instituições que poderiam ajudá-lo a se aperfeiçoar dentro do setor imobiliário. Também deu a ele um “extra” no processo seletivo para as universidades. “Acho que um ponto que contou muito foi o fato de ter ido até lá para conversar com as pessoas, para ter certeza de que eu estava tomando a decisão certa”, conta Alinio. Para dar uma pausa na carreira de dois anos, o jeito era avaliar bem as oportunidades e quais delas lhe dariam mais retorno.

Uma das visitas aos campi chamou mais a atenção de Alinio. O ambiente da Universidade Duke, na Carolina do Norte, pareceu “muito propício para o estudo”. Sem as “distrações” de metrópoles como Nova York ou Chicago, que estavam entre as opções de Alinio, Duke oferecia um campus situado na cidade de Durham, e a possibilidade de uma vida acadêmica mais focada nos livros e projetos. “Eu gostei muito do clima entre os alunos que vi lá, porque é um programa muito forte em teamwork. Em outros programas mais conhecidos, eu senti que o foco era a competição, e não necessariamente a cooperação”, explica ele, que escolheu a Fuqua School of Business como destino.

Aprendi a lidar com grupos, trabalhar com pessoas de origens diferentes, entender como funciona a vida dos negócios. Sem isso, eu não conseguiria ter a carreira que tive nos Estados Unidos

Outro ponto destacado por Alinio é o perfil generalista que buscava na universidade, ainda que tivesse alguma noção do que procurava. Fuqua não era conhecida como super-potência do marketing, ou o nome certeiro das finanças, e estava no ranking das 10 melhores escolas nos EUA. Ao longo do MBA, Alinio conciliou o interesse em finanças às especificidades do setor imobiliário, que alavancariam de vez sua carreira.

O conteúdo do programa de MBA foi o motivo determinante, mas Alinio reconhece, olhando para trás, que os ensinamentos do curso foram muito além disso. “No MBA, eu aprendi as soft skills, que são mais úteis que as técnicas. Aprendi a lidar com grupos, trabalhar com pessoas de origens diferentes, entender como funciona a vida dos negócios. Sem isso, eu não conseguiria ter a carreira que tive nos Estados Unidos”. Alinio ficou conhecido pelo trabalho na rede de hotéis de luxo Four Seasons, e hoje é Vice-Presidente na Loews Hotels, com sede em Nova York.

Quem entra no Airbnb não está buscando um serviço, está buscando um local para dormir

 

De Natal a Nova York

Ao concluir o período em Duke, em 2003, Alinio conseguiu trabalho na mesma área em que atuava junto à família em Natal. “É uma indústria que tem um poder muito grande de criação de empregos, de transformação de destinos. Ao abrir um hotel em certos lugares, você contribui para mudar um país”, diz ele.

Comandando tais estabelecimentos de luxo, Alinio reconhece uma demanda constante por empresas que ofereçam um serviço de qualidade e uma experiência moldada ao cliente. Como ele destaca, são necessidades específicas – tão válidas quanto o desejo de economizar e decolar um lugar para passar a noite, como acontece em apps como o Airbnb.

“Hoje em dia, a gente precisa olhar a estadia hoteleira não como um quarto de hotel por uma noite, mas como uma experiência mesmo”, explica ele, que dá aulas sobre o assunto na Florida International University, em Miami. “A atração do hotel não está mais no tamanho da piscina”. Ele identifica, no cenário americano, uma tendência a incorporar experiências locais aos serviços do hotel. Ao citar uma unidade do Four Seasons na Tailândia, Alinio explica que uma das alternativas encontradas foi a de oferecer aulas de culinária local no hotel, junto a chefs conhecidos na região. “O hotel não precisa ser uma ilha isolada do que acontece naquele destino”.

 

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