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19.08.16

Estudar na Coréia do Sul: Muita disciplina e imersão no universo digital

estudar na coréia do sul

Para estudar no país, que possui excelentes universidades e muitos investimentos em educação, o estudante brasileiro precisa se adaptar a um estilo de vida mais “comportado”

Por Jéssica Ribeiro

Sendo um país marcado pela alta competitividade, a educação é primordial da Coréia do Sul – tanto na sociedade quanto na economia. O setor é um dos principais destinos do investimento governamental, que, tendo em mente o desenvolvimento econômico nacional, atrela a educação ao avanço digital. Com isso, não só os grandes institutos, mas também as pequenas escolas do interior oferecem acesso à internet de qualidade para os alunos.

As universidades, em sua maioria, oferecem disciplinas em inglês para graduação e pós-graduação, além de programas de intercâmbio e cursos de verão. Nas melhores instituições de ensino do país, como a KAIST (Korea Advanced Institute of Science and Technology) e a Seoul National University é possível estudar com bolsa ou ser isento de taxa de anuidade através da parceria com universidades do mundo todo.

Além disso, há diversas opções de bolsas, cursos de verão e colaborações para pesquisa, como na Postech (Pohang University of Science and Technology) e na Chung-Ang University, que possui mais de 600 opções de cursos em inglês..

Chung Ang University

Para a designer Bárbara Arantes, a Coréia do Sul sempre foi motivo de admiração e curiosidade. Tanto que enquanto estava na faculdade, em julho de 2012, resolveu fazer um curso de verão na Universidade de Chung-Ang para aprender mais sobre a cultura do país. Após retornar ao Brasil, Bárbara viu que o programa Ciência sem Fronteiras estava com bolsas abertas para a Coréia e não pensou duas vezes em voltar.

Os coreanos são educados e o país é altamente tecnológico e muito seguro

Por ter tido uma boa experiência, Bárbara retornou à mesma universidade para cursar por um ano algumas disciplinas de humanas. “Dessa vez, procurei estudar matérias que fossem chocantes com a nossa cultura ocidental, como sociologia e estudo das cores. Busquei fazer coisas que questionassem o que eu havia aprendido no Brasil”, comenta.

Sobre as diferenças culturais, ela comenta que era um aprendizado diário: “Os coreanos são educados e o país é altamente tecnológico e muito seguro. Por exemplo, em um bar, se a gente quisesse levantar da mesa, podíamos deixá-la reservada com o celular, que ninguém iria pegar”, explica.

A estrutura da graduação pede que todos os alunos façam uma porcentagem do curso em inglês, o que facilitou para Bárbara escolher as disciplinas. A forma como os coreanos estudam também a surpreendeu: “Eles fazem muito menos matérias do que eu fazia no Brasil, mas o volume de leitura lá é muito maior. Achei curioso que aqui no Brasil, por estudar Artes, eu tinha muito mais projetos. Lá, havia a semana de provas, que era basicamente dissertar sobre os textos”.

Ela explica que a competitividade é algo muito forte na cultura nacional, o que implica em poucos projetos realizados em grupo – eles estão mais acostumados a seguirem diretrizes de um líder, no caso, o professor. “Lembro que fui ajudar um amigo coreano em uma disciplina e ele não entendia isso, pois lá não há esse costume”, comenta.

Lembro que fui ajudar um amigo coreano em uma disciplina e ele não entendia isso, pois lá não há esse costume

Bárbara, que atualmente faz mestrado na Universidade Estadual de Minas Gerais, guarda algumas lições que aprendeu na Coréia:  “Eles levam as coisas muito a sério. Tudo é muito bem estabelecido. Tudo o que alguém se comprometeu a fazer, ele vai fazer. Desde a aula do professor, a uma consulta no médico. É uma vida psicologicamente tranquila.” Esta, ela afirma, foi uma das principais lições que ela trouxe de volta.

KAIST – um dos melhores institutos de tecnologia do mundo

A engenheira elétrica Vanessa Santos também viveu a experiência de morar por um ano na Coréia do Sul. Ela foi para a Korea Advanced Institute of Science and Technology, que está entre as 50 melhores universidades do mundo, de acordo com o ranking QS. Vanessa conta que, sem falar nada do idioma, sua adaptação a uma cultura diferente demorou a acontecer. Apesar de suas aulas serem em inglês, nas ruas era preciso ter algum conhecimento de coreano, o que a levou a estudar o idioma enquanto estava lá.

O ritmo dos estudos também foi algo com o qual Vanessa teve que se acostumar. “Eu e meus amigos passamos várias noites acordados para conseguir entregar os trabalhos no prazo e estudar para as provas, mas víamos que isso era normal para os estudantes coreanos”, explica.

As diferenças culturais também foram muitas: ela aprendeu aos poucos a aceitar o tempero mais apimentado da comida e algumas regras de comportamento: “Não era bem visto para meninas andarem de camisetas que mostrassem os ombros, então tive que aprender a usar blusas que cobrissem o colo, os ombros e a minha tatuagem, que também não era muito bem vista, principalmente pelos mais velhos”, conta.

Vanessa conta ter aprendido algo muito valioso com os estudantes coreanos, que é o respeito pelo professor, o que ela diz ter trazido em seu retorno ao Brasil. Uma de suas realizações durante o intercâmbio foi ter tido a oportunidade de estagiar no período de férias em uma das empresas do Grupo Hyundai, responsável pela fabricação de trens e metrôs. “Foi uma experiência ótima, acho que tanto para mim quanto para os meus colegas coreanos, pois não era comum ter uma mulher na engenharia”, conta.

 

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