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Especial Políticas Públicas

09.12.13

Como escolher a melhor escola de Políticas Públicas no exterior?

Como escolher a melhor escola de Políticas Públicas no exterior?

Perfis das faculdades e cursos têm diferenças que devem ser levadas em conta na hora de escolher para qual aplicar

Os rankings internacionais são um bom ponto de partida na hora de escolher a melhor escola para se fazer um curso no exterior. No caso das faculdades de pós em “Public Policy”, segundo a U.S. News, a Goldman School of Public Policy, University of California, em Berkeley, na Califórnia, sai na frente. Em “Public Affairs”, a melhor avaliada é a Maxwell School of Citizenship and Public Affairs, Syracuse University, que fica em Syracuse, no estado de Nova York.

“Pesquisei o ranking da U.S. News quando estava pensando em estudar fora, e a Maxwell estava no topo. Já tinha ouvido falar que a escola tinha uma atmosfera amigável e cooperativa, selecionava alunos de diferentes nacionalidades e possuía professores bastante acessíveis”, destaca o recifense Alexandre Fonseca, que foi aluno da escola em 2004.

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Cada escola tem seus pontos fortes, e é preciso entender como cada uma funciona e checar se ela de fato tem um programa sólido na sua área de interesse. A localização da faculdade também influencia muito na experiência do aluno. “Syracuse apresenta as vantagens de uma cidade com 150.000 habitantes, com total infraestrutura, ao mesmo tempo em que está a menos de 6 horas das grandes cidades da Costa Leste”, acrescenta Alexandre.

Para ele, a formatação do programa em 12 meses corridos permite ganhar um precioso tempo, o que também seria um diferencial em relação a outras escolas top dos Estados Unidos. “Ainda assim, a escola permite intercâmbios no exterior para estágios e palestras, além de manter uma duradoura rede de contatos internacionais entre os alunos”, conta.

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Do meio para o final do programa, diz, há uma intensa movimentação de postagens de estágios e empregos, e uma considerável rede de alumni ajuda nessa preparação, desde a apresentação às empresas até o próprio recrutamento. “Além do eficiente career service de Maxwell, alguns professores colaboram pessoalmente no processo de colocação”, completa Alexandre, que hoje trabalha na Receita Federal do Brasil.

Ele destaca que, antes de escolher a sua escola, também é interessante conhecer as possibilidades de bolsas para brasileiros – Alexandre, por exemplo, conseguiu a bolsa Fulbright – ou que têm parceria com algum instituto que ofereça. A Fundação Lemann oferece bolsas para alunos admitidos na Kennedy School of Government (Harvard University), School of International and Public Affairs (Columbia University) e Blavatnik School of Government (University of Oxford).

Veja abaixo depoimentos de Lemann Fellows (os bolsistas desse programa) que estudaram ou estudam lá – e o que consideram ser um diferencial na faculdade em que escolheram para fazer o mestrado:

Tatianna Mello SilvaTatianna Mello Pereira da Silva
Escola: Blavatnik School of Government, University of Oxford
Programa: Master of Public Policy
Ano de graduação: 2014

“O curso de MPP em Oxford, que tem um ano de duração, é bastante recente: apenas uma turma se formou até agora, e eu fui a primeira brasileira a entrar no curso, em setembro deste ano. Além de aulas mais teóricas sobre história, filosofia, economia, ciências, medicina, política, relações internacionais e direito público, os alunos são instigados a ter experiências práticas para desenvolver as habilidades necessárias para seguir a carreira pública, como estratégia, comunicação, negociação e finanças. Matérias optativas mais específicas também entram na pauta, entre elas mudanças climáticas, infraestrutura, educação, saúde e imigração.

A experiência acadêmica – e de vida também – é muito intensa em Oxford. Fervilham eventos interessantes, e é difícil ficar por dentro de todos. Além disso, o ambiente multicultural é muito rico: os alunos vêm de quase 40 países diferentes, cada um com sua cultura, religião e referências. Por isso, a prática da tolerância se torna essencial. O perfil profissional dos colegas também varia: alguns têm 15 anos de experiência no setor público, outros planejam mudar de carreira depois do curso, outros acabaram de terminar a graduação. Todos eles têm um raciocínio muito diferente do meu, que estudei só Direito desde a faculdade.

As aulas têm um senso prático muito grande. De tempos em tempos, os professores provocam os alunos com ‘desafios’. Somos estimulados a pensar em soluções para questões reais, como a descoberta de petróleo na Tanzânia ou um programa de desenvolvimento na Indonésia. A dedicação full time às aulas dura 9 meses. Depois, três meses são dedicados a um ‘summer project’, em que os estudantes precisam aplicar o conhecimento adquirido. A escola tem um setor específico de carreiras que nos proporciona contatos e informações sobre oportunidades de estágio em organizações governamentais ou não. O foco é a inserção no mercado.

Meus planos para depois do mestrado são seguir a carreira acadêmica e fazer um doutorado em políticas públicas, comparando aspectos de politica ambiental do Brasil com o da Inglaterra. Acho importante saber como outras pessoas encaram problemas que nós também enfrentamos. Às vezes, precisamos sair do nosso contexto para enxergar as questões de outra forma. E isso não quer dizer importar soluções, mas deixar de lado o pensamento viciado. Considero ainda a possibilidade de trabalhar no Ministério do Meio Ambiente no Brasil, com foco internacional, e participar dos próximos passos da ONG Minha BH, da qual sou cofundadora.”

José Frederico Lyra NettoJosé Frederico Lyra Netto
Escola: Kennedy School of Government, Harvard University
Programa: Master in Public Policy
Ano de graduação: 2015

“Em abril deste ano, quando recebi a carta de aprovação na Harvard Kennedy School, iniciei a realização de um sonho. Primeiro, porque Harvard é um dos ambientes de aprendizado mais emblemáticos do mundo. Segundo, porque iria para a unidade da universidade cujo objetivo, nas palavras do Dean, é o de treinar pessoas para resolver grandes problemas do mundo. Vindo de uma experiência em desenvolvimento regional e educação, e com ambições futuras no setor público e política, não conseguia ver melhor lugar para um mestrado. E as bolsas da Fundação Lemann e Fundação Estudar ajudaram a viabilizar meus estudos.

Após alguns meses de curso, alguns aspectos me chamaram a atenção na escola. O primeiro é o formato do mestrado. O MPP passou por recente reformulação, e as mudanças refletem as prioridades da Kennedy – um link entre o forte background acadêmico e as competências necessárias para resolver problemas do mundo real. No primeiro ano, há grande foco analítico, com matérias como economia e estatística, funcionando de modo integrado. No segundo, há liberdade para que o aluno escolha matérias ligadas à sua área de concentração – como por exemplo Desenvolvimento Econômico e Político ou Finanças e Comércio Internacional.

A escola tem forte caráter analítico e quantitativo, mas oferece matérias ligadas a habilidades, como negociação e liderança. Além do Mestrado em Políticas Públicas, há também o Mestrado em Administração Pública, o Mestrado em Administração Pública / Desenvolvimento Internacional e o Mestrado Mid-Career. Ainda me chamou atenção o acesso que os alunos têm a grandes líderes e atores públicos mundiais. Com muita frequência, a Kennedy recebe presidentes, governantes, especialistas e referências em políticas públicas. É literalmente impossível assistir às aulas e ir a todas as apresentações.

A grande integração entre diferentes backgrounds e culturas é outro ponto forte da escola. Há estudantes de mais de 90 países, vindos de diversas formações, o que se traduz naturalmente em grande fonte de aprendizado. Por fim, destaco o acesso à universidade de Harvard como um todo e à sua multidisciplinaridade. É permitido que a gente faça matérias em qualquer unidade – Educação, Direito, Business, Saúde Pública, Economia, Arquitetura, Ciências e outros. É também aberta a possibilidade de se fazer cadeiras no MIT, o que enriquece o leque de opções. Um dos maiores desafios é focar em meio às diversas oportunidades.”

Samantha BarthelemySamantha Barthelemy
Escola: School of International and Public Affairs (SIPA), Columbia University
Programa: Master of International Affairs
Ano de graduação: 2011

“Fiz um mestrado duplo em relações internacionais – o primeiro ano no Instituto de Ciências Políticas de Paris (Sciences Po Paris, França), e o segundo na School of International and Public Affairs (SIPA) da Universidade Columbia, em Nova York. Desde a faculdade, já sonhava em estudar nessas escolas e tracei o meu caminho acadêmico e profissional para alcançar esse sonho. Queria voltar para a França, pois já tinha morado lá, com parte da minha família, e sempre admirei muito Columbia por ser uma instituição globalmente reconhecida e ter uma localização muito estratégica pessoal e profissionalmente.

Em Nova York, especialmente, é possível ter acesso a pessoas importantes do cenário mundial. Para quem quer trabalhar na área de relações internacionais, é muito rico estar tão perto da sede da ONU, por exemplo. Devido à efervecência da cidade, o campus de Columbia também é frequentado por profissionais de alto calibre, que participam das inúmeras palestras e eventos oferecidos pela escola. Por tudo isso, nem apliquei para outras universidades. Sabia que o processo de admissão seria demorado e concorrido, mas, caso não desse certo da primeira vez, esperaria mais um ano para tentar de novo.

Meu foco de estudos era exatamente a Prevenção e Resolução de Conflitos e Segurança Internacional, e eu tinha muitas disciplinas relacionadas com direitos humanos e políticas públicas. Apesar dos temas densos, o ensino é bastante prático e explora simulações de casos reais. As discussões em sala geralmente são de alto nível. De um lado, nossos professores possuem backgrounds variados e vasta experiência de mercado. De outro, os alunos são muito interessantes, pois vêm de 100 diferentes países e têm perfis pessoais e profissionais muito distintos. As aulas nos fazem abrir a cabeça e olhar para os problemas de outras perspectivas.

Columbia também possui um departamento de estudos latino-americanos, onde tive a oportunidade de estudar as vulnerabilidades de segurança no Rio de Janeiro. Foi então que descobri o Programa Escolas do Amanhã – uma parceria entre a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro e a Unesco -, do qual hoje sou coordenadora. Ao longo do curso na SIPA já tinha desenvolvido também uma grande paixão por educação. Acredito que ela seja, sem dúvidas, a maior ferramenta para a solução de conflitos, a melhoria dos serviços públicos e o combate à pobreza.”

Assista a um vídeo em que Samantha conta um pouco da sua história:

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