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01.08.16

Brasileira conta como é estudar na melhor universidade de Hong Kong

estudar em Hong Kong

Com colonização britânica e chinesa, Hong Kong mistura características ocidentais e orientais no seu sistema de ensino - considerado um dos melhores do mundo.

Por Jéssica Ribeiro

Situada na costa Sul da China, Hong Kong possui mais de 7 milhões de habitantes e é um dos principais centros financeiros do mundo. Em 1898, tornou-se colônia do Reino Unido e em 1997 voltou para o domínio chinês como uma região administrativa. Sua cultura e sociedade têm influências diretas de suas colonizações, como o fato do segundo idioma oficial ser inglês e da persistência da população em manter suas tradições.

Para além dessa trajetória, Hong Kong também se destaca por ser um dos lugares mais pacíficos do mundo e possuir algumas das melhores universidades da Ásia. Foi atraída por essas qualidades que a estudante de Engenharia Elétrica, Gabriela Fusco, resolveu fazer um intercâmbio de seis meses na Universidade de Hong Kong.  “Lá é considerado a ponte entre os dois mundos, Ocidente e Oriente”, conta.

Em um dos meus primeiros dias, falei em mandarim com um taxista, o que o deixou muito bravo, pois eles não querem que o cantonês suma

A motivação inicial de Gabriela era aprender mandarim, pois ela vinha estudando o idioma e queria melhorar sua fluência. Para a sua surpresa, mandarim é apenas o terceiro idioma falado na região, sendo que o primeiro é o cantonês e depois o inglês. “Eu não sabia qual seria a grandeza do cantonês, pois em Hong Kong há muitos chineses, então imaginei que eu falaria muito mandarim também”, conta.

A questão do idioma foi uma das características do ainda conflituoso relacionamento entre China e Hong Kong que Gabriela pôde observar: “Havia protestos na universidade, mas todos muito pacíficos. Lá, os chineses também são colocados como estudantes internacionais. Eu me lembro que em um dos meus primeiros dias, falei em mandarim com um taxista, porque ele não estava entendendo inglês, o que o deixou muito bravo, pois eles não querem que o cantonês suma”, explica.

Gabriela conta que conseguiu estudar mandarim na Universidade de Hong Kong, além de cursar 5 disciplinas de engenharia. Sobre essa experiência, ela diz que o choque principal é o próprio método de ensino, que é muito focado na memorização. “Eles esperam que você decore muita coisa e saiba resolver. Eu não estava acostumada e tive que me esforçar muito”, explica. A estudante também conta que há uma preocupação muito grande com o GPA (Grade Point Avarage), sistema que calcula a nota média dos alunos, o que os direciona na hora de escolherem as disciplinas optativas, já que são focados em obterem uma pontuação alta.

“Acho que o que falta para o aluno de lá é mais ousadia. Eles são muito tímidos, falam em um tom baixo e não estão acostumados a mudarem algo que está funcionando. Há muita obediência, pois sempre tiveram alguém falando mais alto”, comenta.

Apesar das diferenças culturais, Gabriela diz ter aprendido muito com a cultura de Hong Kong:  “Eu acabei enxergando valor em decorar, como, por exemplo, na preparação para as entrevistas que fiz”. Por mais incomum que pareça este método, Gabriela explica que a memorização faz parte da cultura oriental, pois desde crianças eles precisam guardar todos os caracteres da língua.

Gabriela também conta que as pessoas são carinhosas e humildes. Segundo ela, depois de ultrapassada a barreira inicial da diferença cultural, surgiram amizades naturais, que abriram a porta de suas casas e apresentaram Hong Kong da melhor forma possível.

A estudante atualmente mora no Brasil e afirma ter muita vontade de retornar, mas não sabe quando isso será possível, pois o custo de vida em Hong Kong é muito alto – especialmente para moradia. Ela recorda uma fala que ouviu de um orientador na primeira semana na Universidade de Hong Kong: “Ele disse: ‘Olha vai ser muito difícil e demorado para vocês se adaptarem, mas quando isso acontecer, vai ser mais difícil ainda para se readaptarem à sua terra. E foi dito e feito”, conta saudosa.

Ficou interessado em estudar em Hong Kong? Conheça as três melhores universidades, de acordo com o Qs University Ranking:

– Hong Kong University (HKU)

A universidade pública fundada em 1911 é a mais antiga de Hong Kong e a segunda melhor da Ásia. Possui mais de 20 mil de alunos, sendo que destes, mais de 8 mil são estudantes internacionais. O inglês é o idioma mais falado na universidade.

Os principais cursos são: Educação, Contabilidade e Finanças, Biomedicina, Direito, Arquitetura e Ciências Políticas. As atividades de pesquisa são outro ponto forte da instituição. Foi lá que pela primeira vez conseguiram isolar o coronavírus, causador de uma síndrome respiratória que afeta principalmente a Ásia.

As inscrições para as turmas com início em janeiro de 2017 estão abertas. Para obter mais informações, acesse o link aqui.

The Hong Kong University os Science and Technology (HKUST)

Fundada em 1991, surgiu com o crescimento econômico de Hong Kong, no final dos anos 80. É considerada a 4ª melhor da Ásia.

A instituição compreende cinco escolas: Ciências, Engenharia, Negócios, Humanidades e Ciências Sociais, além do instituto de pesquisa Fok Ying Tung, que promove pesquisa na área tecnológica.

City University of Hong Kong

Universidade pública fundada em 1984, é considerada a 7ª melhor da Ásia. Oferece mais de 50 programas de bacharelado e também possui programas de diploma duplo em parceria com universidades de renome mundial, como a Universidade de Columbia. Também são oferecidos cursos de pós-graduação. O intercâmbio para estudantes é feito a partir do vínculo com universidades parceiras.

 

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