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01.07.15

Vale a pena estudar medicina em Cuba?

Vale a pena estudar medicina em Cuba?

Thierry Silva, jovem da periferia de São Paulo, passou por essa experiência e conta os prós e contras. Reconhecimeto do diploma no Brasil ainda é grande desafio

Por Carolina Campos

Thierry Diego Silva, de 27 anos, sempre quis estudar medicina.  Nascido e crescido na periferia de São Paulo, sabia que não sera fácil realizar seu sonho. “Estudei a vida toda em escola pública. Não tinha muita base, meus estudos sempre foram deficientes”, conta. Ele até prestou vestibular, mas não conseguiu passar. “O meu mundo era completamente diferente do das pessoas que geralmente estudam medicina no Brasil”, diz.

Eles recrutam alunos do sertão da Bahia, de tribo indígena… Formam esses profissionais em Cuba e os devolvem para o seu país para fazer a diferença

Foi aí que ele descobriu a Escola Latino-Americana de Medicina, em Cuba. Thierry conta que a filosofia da escola é capacitar profissionais (normalmente jovens de baixa renda) que não teriam condições de estudar medicina em outro lugar e que querem “devolver” para o seu país de origem aquilo que aprenderam lá fora. “Eles recrutam alunos do sertão da Bahia, de tribo indígena… Formam esses profissionais em Cuba e os devolvem para o seu país para fazer a diferença”, esclarece.

A Escola Latino-Americana de Medicina surgiu em 1998 e atualmente possui alunos provenientes de 117 países, sendo que a maioria vem de famílias humildes e de povoados de difícil acesso. A Escola já formou mais de 25.000 médicos desde sua fundação.

Para ingressar na instituição o aluno tem que ter, no máximo, 25 anos. O processo seletivo é bastante diferente do que se vê por aqui: é imprescindível estar vinculado a algum movimento social ou partido político. Além disso, é preciso realizar uma entrevista com a Embaixada de Cuba, realizar um teste psicotécnico, fazer uma redação e ter o desejo real de voltar para o seu país e trabalhar com atenção básica. “A medicina cubana é muito forte na parte de prevenção e promoção da saúde e quem deseja estudar lá precisa estar consciente disso”, explica Thierry.

Uma vez aceito, o aluno recebe bolsa de estudos integral do governo cubano, além de alimentação, hospedagem e 30% do valor de um salário mínimo local. Esse montante, segundo Thierry, era suficiente para levar uma vida tranquila. “Morei em apartamentos de 4 quartos, com dois banheiros, sendo que cada quarto tinha 6 beliches. Tínhamos café da manhã, almoço, jantar e merenda”, diz. “Mas vivíamos no sistema de internato. Era permitido sair sexta-feira a partir do meio-dia mas precisávamos voltar domingo antes das 22h”, explica, sobre os pontos negativos da experiência.

Sobre o ensino – O ensino de medicina em Cuba dura 6 anos e meio. Nos primeiros quatro meses que antecedem o início das aulas (que começam em setembro), todos os alunos passam pelo chamado “pré-médio”, ou  pré-medicina. Trata-se de um curso intensivo de nivelamento cujo objetivo é fazer com que os alunos revejam as matérias básicas do ensino médio. Aqueles que não têm o espanhol como primeira língua fazem também aulas do idioma.

O Brasil não revalida o diploma de forma automática e isso acaba sendo um grande complicador

Em Cuba a organização do curso é dividida da seguinte forma: nos primeiros anos são ministrados os conteúdos básicos: anatomia, fisiologia, embriologia e histologia. Paralelamente a isso, desde o primeiro ano, uma vez por semana, os estudantes vão a postos de saúde para aprender sobre atenção básica.

“A partir do 3o ano é que o aluno começa a área clínica e passa a fazer visitas aos hospitais”, explica. Mas como promoção e prevenção da saúde são o foco em Cuba, no 5o ano os alunos têm aula de medicina geral integral – que no Brasil é chamada de medicina da família – além de aulas de saúde pública. Terminado o curso, o estudante é obrigado a voltar. “O acordo é para que ele sirva o seu país e não Cuba.”

Revalidação do diploma – O grande porém de toda a experiência é a revalidação do diploma no Brasil. “O Brasil não revalida o diploma de forma automática e isso acaba sendo um grande complicador. As exigências  são muito duras”, diz.

Por este motivo, atualmente Thierry está se preparando para trabalhar no Mais Médicos, programa do Governo Federal que tem como objetivo levar saúde a todos os municípios do país. Mesmo sem a revalidação do diploma é possível trabalhar no programa, mas Thierry sabe que ainda precisará passar em breve pelo complicado processo de reconhecimento de seu título. No entanto, nem a dificuldade para atuar como médico no Brasil afasta seu bom-humor: “Adorei a experiência. Cresci intelectualmente e como pessoa. Os cubanos são muito inteligentes e lá a medicina é exercida de forma muito humana”.

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