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Universidade de Oxford quer abrir programas de mestrado no Brasil

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Universidade de Oxford quer abrir programas de mestrado no Brasil
Rio de Janeiro Foto: F. Cary Snyder | Unsplash

Mais um passo foi dado na última sexta-feira (13) para avançar a parceria entre a Universidade de Oxford e o Governo Brasileiro. O objetivo é desenvolver no Brasil programas de pós-graduação da instituição britânica. O Instituto Nacional de Cardiologia (INC) recebeu uma comitiva de pesquisadores internacionais para debater sobre a parceria. No encontro estavam os professores Georg Hollander, Sue Ann Clemens e Teresa Lambe, de Oxford.

O centro de pesquisa da Universidade de Oxford no Brasil já está operando. Segundo a publicação do INCO, a sede, localizada no Centro do Rio de Janeiro, “conta com uma estrutura permanente de 15 profissionais responsáveis por coordenar pesquisas em instituições como o INC e em outros estados do Brasil”.

Vacina AstraZeneca não existiria sem ajuda do Brasil, afirma Sue Ann Clemens

“A vacina de Oxford não existiria se o Brasil não tivesse recrutado nossos 10.500 voluntários” que trabalharam para comprovar a eficácia do imunizante, conta Sue Ann Clemens, professora e infectologista brasileira durante uma entrevista para o Estudar Fora. A cientista foi responsável por trazer para o Brasil a primeira sede da Universidade de Oxford fora do Reino Unido. 

Principal responsável pela parceria entre Oxford e o Brasil para o desenvolvimento da vacina Astrazeneca, a médica explica como metade dos dados necessários para a aprovação do imunizante foram coletados aqui. “Trazer a universidade de Oxford para o Brasil mostra o reconhecimento do trabalho, do esforço e do talento do Brasil e dos brasileiros”, afirma. 

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A instalação da sede da universidade britânica no Rio de Janeiro está em andamento e a inauguração deve acontecer no primeiro semestre de 2022. Os principais objetivos do projeto são, por um lado, educacional e acadêmico e, por outro, de desenvolvimento de pesquisa clínica. Na última semana, o professor Andrew Pollard, chefe do Oxford Vaccine Group, esteve no Brasil para firmar detalhes da parceria. 

A cientista Sue Ann Clemens. Foto: Leo Aversa

Rio recebe a primeira sede da Universidade de Oxford fora da Inglaterra

Sue Ann conta que as parcerias entre Brasil e Oxford para a implantação da nova sede se dão junto ao Instituto Carlos Chagas, da FioCruz, localizado no Rio de Janeiro, e ao Ministério da Saúde do Governo Federal. O projeto deve contar com duas frentes, a criação de cursos de capacitação de pesquisadores e investimentos nas próprias pesquisas clínicas voltadas para demandas de saúde em nível global e local. 

“Nosso principal objetivo é treinar cientistas brasileiros para idealizar, conceitualizar e implementar ensaios clínicos de alta qualidade, além de desenvolver produtos que sejam licenciáveis internacionalmente para a saúde global”. 

Formação de qualidade para capacitação dos profissionais brasileiros

Segundo a pesquisadora, hoje, “o que a gente vê no Brasil é muita pesquisa em que as entidades e instituições internacionais vêm e dão uma ‘receita’, que é o protocolo pronto e todas as suas especificações”. Com esse modelo de investigação, há limitações em relação ao alcance do trabalho feito nas instituições dentro do país. 

“O investigador pega aquilo e simplesmente segue tudo que está escrito”, explica a pesquisadora, que destaca a falta de investimento como um dos principais motivos para a limitação. 

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O objetivo da sede de Oxford no Rio é contornar essas limitações e promover pesquisas com maior profundidade e capacitadas a lidar com todas as etapas do desenvolvimento clínico em torno de doenças infecciosas, vacinas e fármacos. 

Para isso, a partir do curso que dá na Universidade de Siena, o primeiro mestrado em vacinologia do mundo, produzido em parceria com Oxford, Sue Ann desenvolverá um programa semelhante no Brasil de capacitação para os profissionais do país. “A gente quer fazer um curso talhado para as necessidades brasileiras e utilizando talentos locais”, conta. 

Apesar de a sede ainda não ter sido inaugurada, atualmente, a pesquisadora está à frente de diversas pesquisas no Brasil que já integram a unidade do Rio de Janeiro da Universidade de Oxford. “Temos esse estudo heterólogo que começamos com a terceira dose, com a Clover (nova vacina contra a COVID-19), e devemos começar um outro estudo em breve”. 

Importância de investimento em pesquisas

“Como a gente viu nessa pandemia, a inovação realmente veio da academia, da universidade”, afirma a infectologista. Ela lembra que, durante o desenvolvimento das vacinas em 2020, apelidado de “corrida das vacinas”, a primeira parceria de sucesso foi a do imunizante da BioNTech-Pfizer, uma divisão da Universidade de Mainz, da Alemanha, além da própria vacina Oxford-Astrazeneca.

“Isso prova que o investimento em pesquisa é bastante importante. E pesquisa que inclua não só da descoberta do antígeno e da produção de antígeno, mas que chegue até o licenciamento de um produto”.

Sobre a parceria Brasil e Oxford

A Universidade de Oxford, uma das melhores do mundo, firmou uma parceria com o Ministério da Educação do Brasil no início de novembro para aprovar a instalação do 1º campus da instituição fora do Reino Unido. O projeto é resultado do sucesso do trabalho em conjunto entre cientistas brasileiros e do Reino Unido para o desenvolvimento da vacina Oxford-AstraZeneca.

Além do governo brasileiro, do Instituto Carlos Chagas e da Universidade de Oxford, o projeto tem apoio do Governo Britânico, da Universidade de Siena, na Itália, do Instituto for Global Health e do Internacional Vaccines Institute

A parceria integra um foco crescente de Oxford nos riscos de surgimento de novas pandemias nas próximas décadas. Em junho deste ano, a instituição lançou o Pandemic Sciences Centre (Centro de Ciências Pandêmicas), um novo centro de colaboração e excelência global voltado para pesquisa de grandes epidemias com objetivo de “garantir que o mundo esteja melhor equipado para criar soluções globais e justas guiadas pelas ciências para preparar, identificar e conter futuras ameaças pandêmicas”.

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