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UdeM: Ela estudou fora e agora ajuda a repensar as cidades brasileiras

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UdeM: Ela estudou fora e agora ajuda a repensar as cidades brasileiras

Fundada em 1878, a Universidade de Montreal (UdeM) é hoje a maior universidade no Québec e a segunda maior no Canadá. Além disso, é considerada a melhor universidade francófona (de língua francesa) do mundo. Com mais de 67 mil estudantes, cerca de 10 mil desses alunos são estrangeiros, o que faz da UdeM uma das instituições de ensino superior mais internacionalizados do país norte-americano.

E foi pensando em todo esse contexto que a arquiteta brasileira Amanda Carvalho escolheu a Universidade de Montreal para fazer seu doutorado em Planejamento Urbano, com previsão de conclusão no meio de 2021. A doutoranda conversou com o Estudar Fora para contar sobre como utiliza a experiência de estudar no Canadá para ajudar a repensar as cidades brasileiras. Confira!

 

 

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Formar-se em arquitetura estava nos planos desde criança 

Formada em 2010 em Arquitetura e Urbanismo pelo Centro Universitário Filadélfia, em Londrina, no Paraná, Amanda Carvalho iniciou o mestrado na mesma área na Universidade Federal de Santa Catarina, com ênfase em urbanismo, em 2012. Quatro anos depois, iniciou o doutorado em Planejamento Urbano na UdeM. 

A estudante conta que nunca foi do tipo que tinha dúvidas sobre a carreira que iria seguir. “Sempre fui daquelas crianças que tem um sonho claro do que quer ser quando crescer. E o meu, era ser arquiteta! Sonhava em construir casas, planejar espaços e organizar a vida das pessoas. Quando a idade de escolher a carreira chegou, não tive dúvidas e entrei na faculdade de arquitetura”, diz. 

Ela defende que a arquitetura não seja encarada de maneira isolada, já que sempre se insere em um contexto maior – sem falar no fato de que sempre terá um impacto no meio em que se encontra. “Além disso, foi a melhor forma que encontrei de fazer a diferença no lugar em que vivo de forma a atingir o maior número de pessoas. É através do urbanismo que as grandes decisões para o futuro das nossas cidades são tomadas”, destaca.

Impacto de edifícios comerciais na segregação social virou tema do doutorado na UdeM

Seguindo a premissa de encarar a arquitetura de maneira ampla, considerando o contexto, Amanda decidiu estudar o impacto de prédios residenciais no contexto urbano imediato. No mestrado, analisou a localização de edifícios residenciais em Florianópolis focando na acessibilidade e centralidade das ruas onde estão localizados. Os resultados mostraram que, como muitos desses prédios são implantados em ruas com pouco (ou nenhum) acesso às demais localidades da cidade, isso colabora para o alto fluxo de veículos que vemos nos municípios brasileiros. 

A partir daí, a estudante resolveu prosseguir com o tema na pesquisa que desenvolve na UdeM para responder aos questionamentos que surgiram no mestrado. “No doutorado, estudo como esses edifícios residenciais podem contribuir para a segregação social nas nossas cidades. Para desenvolver esta análise, decidi analisar um bairro na cidade de Londrina, onde um processo de verticalização residencial destinada à classe média e alta tem se acelerado nos últimos anos”, conta.

Por que estudar no Canadá e na Universidade de Montréal especificamente? Multiculturalidade e suporte a brasileiros explicam decisão

Amanda diz, ainda, que sempre sonhou em morar fora do país e achou que o doutorado seria uma excelente oportunidade. Junto com seu companheiro, começou a pesquisar opções de países onde ele também conseguiria um visto de trabalho e poderia trabalhar em sua área de formação – daí a escolha pelo Canadá.  “Além da possibilidade de trabalho legalizado, ainda havia a questão de qualidade e estilo de vida que estavam dentro da nossa wishlist. Depois começamos a ver opções de cidades e identificamos que Montréal perfeita para nós, por ser cosmopolita e multicultural, e, além disso, tem um toque de Europa em plena América do Norte”, explica.

Já a escolha pela Universidade de Montreal foi, nas palavras da doutoranda, “inevitável”, considerando que a instituição de ensino superior é uma das maiores do Canadá e a maior universidade francófona do mundo. Para além do prestígio e dos números da UdeM, Amanda conta que o suporte a estudantes brasileiros foi essencial durante o processo de aplicação. A estrutura é outra vantagem. “Tenho acesso aos melhores softwares do mundo, assim como a um imenso acervo de artigos, livros e documentos.” 

Dicas para brasileiros que pretendem fazer pesquisa fora do país

Estar em contato com tantas culturas diferentes, na visão de Amanda, faz com que se tenha “várias respostas para uma única pergunta, ou muitas formas eficientes de resolver um problema”. Mas, diante do multiculturalismo, a aluna da Universidade de Montreal ainda se surpreende com a capacidade de encontrar similaridades com a cultura de seu país de origem em contextos em que não fazia ideia de que as pessoas pensavam ou agiam como brasileiros.

Por outro lado, ela reforça que ter uma visão macro estando fora do Brasil permitiu que ela enxergasse melhor as mazelas pelas quais o país passa, com um horizonte amplo e, ainda, com modelos de comparação – o que traz benefícios para o próprio estudo. “Muitas das conclusões às quais chego na minha pesquisa só são possíveis pelo fato de estar vendo a situação de fora como uma ‘outsider’.”

Para Amanda, o recuo do objeto de estudo é essencial para fazer uma boa análise, além de ser uma oportunidade incrível de apresentar o Brasil aos estrangeiros através de um olhar acadêmico. Porém, há uma desvantagem quando se pensa em dados de instituições brasileiras – e, nesse ponto, a doutoranda em Planejamento Urbano no Canadá deixa uma dica preciosa. “Infelizmente o acesso a informações não é democratizado e pode levar muito tempo para consegui-los. Para evitar esse desgaste, optei por uma pesquisa qualitativa, então me apresentei como uma pesquisadora de universidade canadense e acabei conseguindo muitos participantes para minha pesquisa.”

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