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30.12.15

“Nós somos o que escolhemos”, diz fundador da Amazon

"Nós somos o que escolhemos", diz fundador da Amazon

"Depois de pensar muito, escolhi trilhar o caminho menos seguro de ir atrás de minha paixão", contou Jeff Bezos aos formandos de Princeton. Veja!

Por Rafael Carvalho, do Na Prática

Nas formaturas das grandes universidades norte-americanas, é comum que alguns dos maiores líderes da atualidade – ex-alunos dessas instituições – sejam escolhidos para deixar suas mensagens aos estudantes prestes a se de formar. Inspiradores, irreverentes ou reveladores, esses discursos são sempre fonte de boas lições para todos que estão entrando no mercado de trabalho e começando suas carreiras.

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Neste final de ano, o Na Prática buscou reunir alguns dos melhores discursos de formatura dos últimos anos para inspirar os seus leitores a sonhar grande e perseguir uma carreira de alto impacto.

A seguir, leia em português o discurso completo de Jeff Bezos, fundador da Amazon, para a classe de 2010 da famosa escola de negócios de Princeton. O texto, inclusive, foi recomendado pelo empreendedor Nizan Guanaes em encontro com integrantes da Fundação Estudar e outras organizações no final deste ano. Confira:

“Quando criança, eu passava minhas férias de verão com meus avós na fazenda deles no Texas. Eu ajudava a consertar os moinhos de vento, vacinar o gado e realizar outras tarefas. Também assistíamos telenovelas, de tarde, principalmente “Days of our Lives”. Meus avós eram sócios de um clube de caravanismo, que reunia um grupo de donos de trailers de viagem Airstream que percorriam juntos os Estados Unidos e o Canadá.

De quando em quando, viajávamos com eles. Prendíamos o trailer no carro de meu avô e saímos em uma longa fila de trezentos aventureiros. Eu adorava e tinha verdadeira devoção por meus avós e esperava ansiosamente por estas viagens. Em uma delas, eu tinha 10 anos e estava deitado no assento traseiro do carro. Meu avô estava ao volante e minha avó, no assento de passageiro. Ela fumava durante todas as viagens e eu odiava o cheiro.

Como vocês vão usar seus dons? Que escolhas farão? A inércia os guiará ou vocês seguirão suas paixões? Seguirão um dogma ou serão originais? Escolherão urna vida de facilidades ou uma vida de serviço e aventura?

Com essa idade, eu aproveitava todas as oportunidades para fazer cálculos aritméticos e estimativas. Calculava nossa quilometragem com um tanque de gasolina, criava estatísticas inúteis com coisas como as despesas nos mercados. Tinha ouvido um anúncio da campanha contra o fumo. Não me recordo bem dos detalhes, mas, basicamente, dizia que a cada tragada de cigarro, reduzíamos nossas vidas em alguns minutos. Acho que era algo como dois minutos por tragada. De qualquer forma, decidi fazer alguns cálculos para minha avó.

Estimei o número de cigarros por dia, o número de tragadas por cigarro e assim por diante. Quando achei que havia chegado a um resultado razoável, aproximei-me do banco dianteiro, toquei com os dedos o ombro de minha avó e proclamei com orgulho: “A razão de dois minutos por tragada, a senhora reduziu sua vida em nove anos”.

Tenho uma lembrança muito vívida do que aconteceu, e não foi nada do que eu esperava. Minha expectativa era ser aplaudido em razão de minha inteligência e minhas habilidades aritméticas: “Jeff, você é tão inteligente! Teve de fazer operações aritméticas difíceis, calcular o número de minutos que há em um ano e fazer operações de divisão”. Não foi o que aconteceu. Minha avó começou a chorar. Sentei-me no banco traseiro e não sabia o que fazer.

Enquanto minha avó chorava, meu avô, que dirigia em silêncio, parou no acostamento. Ele desceu do carro, deu a volta, abriu minha porta e esperou que eu o seguisse. Encrenca para meu lado?

Meu avô era um homem muito inteligente e calado. Nunca se dirigira a mim de forma áspera. Achei que esta seria a primeira vez. Ou, talvez, ele fosse me pedir que voltasse ao carro e pedisse desculpas a minha avó. Nunca tivera nenhuma experiência nesse tipo de coisas com meus avós e não podia imaginar as consequências disso. Paramos ao lado do trailer. Ele olhou para mim em silêncio e, após alguns segundos, calma e gentilmente disse: “Jeff, um dia você vai entender que é mais difícil ser bom do que inteligente”.

Hoje, gostaria de falar com vocês sobre a diferença entre dons e escolhas. A inteligência é um dom. A bondade é uma escolha. Os dons são fáceis. Afinal, eles nos foram dados. As escolhas podem ser difíceis. Se não tomarem cuidado, vocês podem deixar-se seduzir por seus dons e, se assim for, será provavelmente em detrimento de suas escolhas.

Este é um grupo de pessoas com muitos dons. Tenho certeza de que um desses dons é um cérebro inteligente e capaz. Estou seguro de que seja assim, porque a admissão na escola é competitiva e, se não houvesse nenhum sinal de que vocês são inteligentes, os examinadores não os teriam deixado entrar.

Seus conhecimentos serão de grande serventia porque vocês vão entrar em um mundo de maravilhas. Nós, seres humanos, caminhando a passos lentos como estamos, vamos nos surpreender. Vamos inventar formas de gerar energia limpa, muita energia limpa. Átomo a átomo, vamos montar máquinas minúsculas que atravessarão as paredes das células, para repará-las. Este mês aparece a extraordinária, mas inevitável, notícia de que conseguimos sintetizar a vida.

Nos anos vindouros, não somente vamos sintetizá-la, mas também projetá-la segundo especificações. Acho que vocês até chegarão a ver os seres humanos entendendo o cérebro humano. Júlio Verne, Mark Twain, Galileu, Newton — todos os curiosos de épocas passadas gostariam de estar vivos nos tempos de hoje. Enquanto civilização, teremos tantos dons, assim como vocês, individualmente, sentados aqui diante de mim, têm tantos dons.

Como vocês vão usar esses dons? E vão sentir-se orgulhosos de seus dons ou de suas escolhas?

Tive a ideia de começar a Amazon há dezesseis anos. Fiquei sabendo que o uso da internet crescia 2.300% ao ano. Nunca tinha visto ou ouvido a respeito de algo que crescesse tão depressa e a ideia de criar uma livraria online com milhões de livros — algo que simplesmente não poderia existir na realidade — me entusiasmava.

Aos 80 anos, em um momento de reflexão, ao narrar para você mesmo a versão mais pessoal de sua história, a parte mais coerente e que fará mais sentido será a lista de escolhas que você fez. No final das contas, nós somos as nossas escolhas

Tinha acabado de completar 30 anos de idade e um ano de casado. Disse a minha mulher, MacKenzie, que eu queria largar meu emprego e partir para essa ideia maluca, que provavelmente não daria certo, porque muitas empresas recém-fundadas não sobrevivem, e eu não sabia o que poderia acontecer depois.

MacKenzie, que também se formara em Princeton e está sentada aqui na segunda fila, me disse que eu deveria tentar.

Na infância, eu havia sido inventor de garagem. Inventara um mecanismo de fechamento automático de portões usando pneus cheios de cimento, um forno solar (que não funcionou muito bem) usando um guarda-chuva e folha de alumínio, e alarmes de assadeira para enganar meus irmãos. Sempre quis ser inventor e ela queria que eu seguisse minha paixão.

Eu trabalhava em uma instituição financeira em Nova York com muitos colegas inteligentes e tinha um chefe brilhante a quem admirava muito. Fui falar com ele e contei-lhe que queria criar uma empresa de venda de livros na internet. Ele me levou para um longo passeio no Central Park, ouviu-me com atenção e, por fim, disse: “Parece uma boa ideia, mas seria uma ideia muito melhor para alguém que não tivesse um bom emprego”.

O argumento me pareceu sensato e ele me convenceu a pensar por 48 horas antes de tomar uma decisão final. Visto daquela perspectiva, era uma escolha realmente difícil, mas, finalmente, decidi que tinha que tentar. Achava que não me arrependeria de tentar, mesmo que fracassasse. Era melhor do que atormentar-me, para sempre, por não haver tentado. Depois de pensar muito, escolhi trilhar o caminho menos seguro de ir atrás de minha paixão, e orgulho-me dessa escolha.

Amanhã, de modo muito real, começa de zero a vida da qual vocês serão os autores.

Como vocês vão usar seus dons? Que escolhas farão? A inércia os guiará ou vocês seguirão suas paixões? Seguirão um dogma ou serão originais? Escolherão urna vida de facilidades ou uma vida de serviço e aventura? Desaminarão frente às críticas ou seguirão suas convicções? Quando estiverem errados, vão trapacear ou pedir desculpas? Vão proteger seus corações contra possíveis rejeições ou agir quando se apaixonarem? Vão jogar o jogo com cautela ou arriscar-se um pouco? Nas dificuldades, vão desistir ou persistir? Serão pessimistas ou criadores? Buscarão a esperteza à custa de outros ou a bondade?

Vou arriscar uma previsão. Aos 80 anos, em um momento de reflexão, ao narrar para você mesmo a versão mais pessoal de sua história, a parte mais coerente e que fará mais sentido será a lista de escolhas que você fez. No final das contas, nós somos as nossas escolhas. Faça de sua história uma grande história. Obrigado e boa sorte!”

*Este texto foi originalmente publicado no Na Prática, o portal de carreiras da Fundação Estudar

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