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19.10.15

Da periferia de SP para o mundo: jovem conta como é estudar em Stanford

Da periferia de SP para o mundo: jovem conta como é estudar em Stanford

Gustavo Torres, que cresceu no Capão Redondo, conta como foram seus primeiros dias em Stanford. "Aqui estamos contrariando as estatísticas"

Por Gustavo Torres

No dia 11 de setembro saí do Brasil para começar meus 4 anos de graduação na Universidade Stanford, na Califórnia, Estados Unidos. Do Capão para o mundo, aqui estamos contrariando as estatísticas.

Mais de uma vez, esqueci que os norte-americanos não dão beijo no rosto de amigos quando falam ‘oi’. (…) Ainda não consigo jantar às 17h, mas não tive problema algum com comer bacon no café da manhã

Nos primeiros dias, tivemos a Orientação para Alunos Internacionais (ISO). A faculdade faz isso porque entende que, vindo de outro país, a mudança para nós é mais intensa. Apesar de as palestras e eventos serem bacanas, o mais legal desses dias é conhecer os outros estudantes. Tem gente incrível do mundo todo: França, Argentina, Quênia, China (muitos), Sérvia, Faixa de Gaza, Irã, México, Singapura, Coréia do Sul (muitos também)  e, lógico, do Brasil (muito bem representado nesse ano com um recorde de 8 alunos!). Eventualmente, eu descobriria que, entre essas pessoas, uma garota ganhou competições mundiais de debate, um cara já trabalhou no Yahoo e um outro fez estágio no CERN, o centro de pesquisa nuclear mais renomado do mundo. E todos eles têm entre 17 e 18 anos.

Além de destaques em debates, programação e física, também temos atletas muito bons. Na verdade, se Stanford fosse um país, estaria rankeado como 5º colocado nas Olimpíadas pela quantidade de medalhas que seus estudantes já ganharam. Um dos esportes mais populares aqui é o futebol americano. Durante a ISO, tive a chance de assistir a um jogo de Stanford vs. UCF. Como não sei nada de futebol americano, enquanto a galera gritava loucamente, eu pesquisava as regras no Wikipedia e fazia perguntas para pessoas que entendiam. Apesar de o jogo em si ser muito estranho, o mais estranho de tudo foi ver o pessoal saindo do estádio pela metade da partida – o que, aparentemente, é algo normal.

Ficar perdido durante o jogo foi o primeiro de vários momentos de “choque cultural” nessas primeiras semanas. Mais de uma vez, esqueci que os norte-americanos não dão beijo no rosto de amigos quando falam “oi”, culminando em situações em que a pessoa se desvia de mim com cara assustada; ainda não consigo jantar às 17h com meus amigos, porque acho isso muito cedo; mas não tive problema algum com comer bacon no café da manhã. Em geral, a adaptação tem fluído bem, especialmente porque a maioria das pessoas aqui é super amigável.

O ritmo aqui é bem puxado e o sistema todo é muito diferente do que estamos acostumados no Brasil

Quando os estudantes norte-americanos chegaram, tivemos várias atividades de integração e apresentações de grupos de dança, de música e até de pular corda (!), o que ilustra bem a diversidade de interesses que a galera aqui tem. Muitas dessas atividades são feitas com o pessoal do meu dormitório.

Stanford tem uma variedade bem grande no estilo de seus dormitórios: alguns prédios são só de freshmen (quem está no primeiro ano), alguns são uma mistura de todos os anos e algumas casas são até temáticas (como a latina, a italiana e a asiática). Os estudantes costumam ter um carinho por seus dorms. O meu, por exemplo, se chama Larkin e todos os nossos emails terminam com um “Larkin Love” antes da assinatura.

Depois desses 9 primeiros dias de integração à faculdade, dia 21 de setembro finalmente começaram as aulas! Leia-se: começou a ficar intenso. O ritmo aqui é bem puxado e o sistema todo é muito diferente do que estamos acostumados no Brasil. Meu próximo post provavelmente vai ser sobre o sistema, as aulas e as atividades aqui em Stanford! Espero que tenham curtido esse post!

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Gustavo Torres, de 17 anos, é bolsista da Fundação Estudar. Ele nasceu e cresceu no Capão Redondo, bairro da periferia de São Paulo, e neste ano foi aprovado em cinco universidades de excelência dos Estados Unidos (Harvard, MIT, Duke, Columbia e Stanford), optando por Stanford.

No vídeo a seguir, ele conta como foi sua rotina de estudos para ingressar em universidades estrangeiras:

Precisa de inspiração para chegar lá? Veja dicas dele para não desistir:

Leia também a redação que ajudou Gustavo Torres a ser aceito em Harvard e Stanford

Em vídeos, Gustavo conta como se preparou para estudar fora

*Foto: Gustavo Torres (de branco) com Jesse Sanchez, ex-aluno de Harvard que o auxiliou ao longo do processo de application (candidatura)

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