Um Projeto: Fundação Estudar
Guilherme Wessel em Banaue, nas Filipinas

Como este engenheiro recém-formado foi ser trainee nas Filipinas

Por Colunista do Estudar Fora

Por Guilherme Wessel

Eu sempre quis morar fora do Brasil para aprender sobre outra cultura, ver como é o dia a dia em outra língua e como aos brasileiros são vistos fora do país. Mais do que isso, eu queria ver o mundo sob uma nova perspectiva, num lugar com políticas e costumes totalmente diferentes dos nossos. Comecei a pensar desde a época do colegial, mas não queria abrir mão de um ano morando fora por conta do vestibular – a ambição de entrar para uma universidade pública era maior e, se morasse fora por um tempo, poderia não ser tão benéfico quanto se fizesse depois.

Durante a faculdade, participei da empresa júnior e fui a vários eventos. Em um deles, tive o prazer de conhecer pessoas da AIESEC do Brasil inteiro e fiquei sabendo dos tipos de intercâmbios que a organização oferecia. Aliás, você sabia que não precisa mais estar na universidade para fazer um intercâmbio pela AIESEC? No fim, ao invés de estudar fora, optei por ir trabalhar fora depois de me formar, através da organização.

Buscando uma vaga fora do país

A conquista da vaga não foi fácil! Quando comecei a procurar, estava aberto a oportunidades no mundo todo, com exceção das Américas. Encontrei vagas de Londres a Tóquio e me candidatei a várias. A maioria relacionada à gestão, mas algumas eram mais técnicas para engenheiros.

Por semanas, não obtive uma resposta sequer. Recorri à galera da AIESEC de Florianópolis e pedi uma ajuda para achar vagas que se encaixavam com o meu perfil. Vou te contar, esse pessoal da AIESEC é fera! Perguntaram o que exatamente eu queria, analisaram o meu currículo e mandaram várias oportunidades por e-mail. Acabei me candidatando às que eu achei mais interessantes e então, em menos de um mês, fiz entrevistas, recebi propostas, aceitei uma delas e vim para o sudeste asiático! O suporte da AIESEC foi impecável, os membros me auxiliaram durante todo o processo do visto, negociaram um lugar para eu morar e ainda foram buscar esse brasileiro doido no aeroporto.

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Chegando em Manila – e na empresa!

Guilherme na despedida da empresa em que foi trainee nas Filipinas
Guilherme na despedida da empresa em que foi trainee nas Filipinas

Vim para a capital das Filipinas, Manila, para trabalhar como Engenheiro Trainee em uma empresa nacional de grande porte por um ano. É uma fábrica de espuma chamada Uratex, líder absoluta de mercado nos segmentos de colchões, travesseiros, etc. A empresa tem três mil funcionários espalhados pelo país, mas é como se fosse uma grande família. Todos eles têm total liberdade para conversar com qualquer pessoa da empresa, de estagiário a presidente. Eu fui contratado para trabalhar por um ano em Supply Chain, mas propus que houvesse rotatividade e aprovaram. Dessa forma, passei também pelos departamentos de Engenharia & Manutenção, Qualidade e Pesquisa & Desenvolvimento. Fiquei cerca de três meses em cada e aprendi a parte técnica de todos eles.

O pessoal do RH em conjunto com os departamentos em que eu trabalhei fecharam a minha experiência com chave de ouro: fizeram uma festa de despedida surpresa no escritório, com banquete, apresentações e presentes – aliás, ganhei “apenas” dez quilos de manga desidratada para trazer para o Brasil.

Conhecendo as culturas das Filipinas

Os filipinos são bem inusitados, viu? Mas eles são extremamente felizes, generosos e hospitaleiros. Vir para a Ásia foi um desafio, eu saí da minha zona de conforto e isso me fortaleceu muito. É clichê falar que um intercâmbio abre a sua mente, mas é exatamente o que acontece – você passa a ver o mundo de outra forma e, quanto mais “mergulha” na outra cultura, mais você percebe como é capaz de se adaptar.

Sempre tive na minha mente que, se morasse fora, evitaria andar com brasileiros e até intercambistas de outros países. Não que isso seja uma má ideia, mas eu queria usufruir o máximo do que o país teria a oferecer e tinha receio de perder um pouco do foco se começasse a andar com “gringos”. Por esse motivo, apesar de ter conhecido inúmeros estrangeiros que moram aqui, só andava com eles quando ia viajar – e mesmo assim buscava interagir com os locais para entender os costumes de cada região. Durante o intercâmbio, viajei pelo país inteiro, para todas as regiões das Filipinas. Fui até na parte que não era aconselhável ir por ameaças terroristas, mas é claro que pesquisei muito bem antes – e só fui acompanhado de pessoas que conheciam bem os locais.

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O país tem 175 idiomas reconhecidos como oficiais, para vocês terem uma noção de como existem culturas diferentes dentro das Filipinas. Conheci as famosas plantações de arroz de Banaue, fui para dezenas de praias de areia branquinha com águas cristalinas, visitei templos em lugares incríveis e curti festas bem aleatórias. Tirei a minha licença de mergulhador e escalei montanhas. Nadei com os gigantes tubarões-baleia e tartarugas, abracei tigres e leões marinhos, brinquei com golfinhos e catioros de todos os tipos. Fui para a Malásia, fiz cruzeiros, trilhas e vi orangotangos, ursos, águias e crocodilos na selva.

O intercâmbio te dá a chance de ir para outro país para aprender sobre a cultura e trabalhar num ambiente internacional, mas pode ser muito mais do que isso. Eu fiz um acordo com o RH da empresa em que eu trabalhava aos sábados e ganhava dias de folga. Desse jeito, pude viajar praticamente todo mês em que morei aqui, sem que isso afetasse o meu rendimento na empresa. No final do contrato, ainda tinha dias de férias que não havia usado. É tudo questão de saber planejar, propor algo que possa ser vantajoso para você e para a empresa.

Estou escrevendo esse artigo dois dias depois de ter terminado o meu contrato com a AIESEC, então nem voltei ao Brasil ainda. Mas preciso dizer que a vivência e o conhecimento acumulado ao longo desses doze meses, tanto pessoal como profissionalmente, com certeza agregaram muito valor para mim. Uma prova disso é o próximo desafio que me foi oferecido, uma posição permanente no escritório da GM (General Motors) aqui nas Filipinas mesmo. Já aceitei a oferta e, assim que matar as saudades do nosso Brasilzão, estarei voltando para começar mais um capítulo da minha vida morando fora.

 

Sobre o Autor

Guilherme é formado em Engenharia Mecânica pela UNESP – Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”. Fez o intercâmbio Talentos Globais pela AIESEC em Florianópolis em Manila, nas Filipinas, onde está prestes a continuar sua carreira na General Motors.

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