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13.01.16

Um curso, duas universidades: saiba como funciona o duplo diploma

Um curso, duas universidades: saiba como funciona o duplo diploma

Conheça as histórias de brasileiros que estudaram fora (e se formaram!) em duas instituições ao mesmo tempo

Por Ana Pinho

No Brasil, somente 13,4 milhões de pessoas possuem ensino superior completo, segundo o último censo do IBGE, de 2010. Outra pesquisa do mesmo ano, feita pela Universidade Harvard e pelo Asian Development Bank, revelou que apenas 6.7% da população mundial tem um diploma. Dentro deste quadro privilegiado, há uma parcela de brasileiros com os pés nos dois mundos: são donos de duplo diploma.

Além da questão pessoal de expandir meus horizontes, optei pelo duplo diploma porque tinha bastante interesse em gestão, e o programa de engenharia generalista da Centrale, na França, é voltado para isso

Neste tipo de programa, o aluno faz parte de seu curso em uma universidade estrangeira afiliada à brasileira. Depois, volta para concluir os estudos na instituição de origem. No fim, recebe um certificado validado por ambas.

Convênios desse tipo são em geral arranjados diretamente entre as universidades, a fim de garantir a qualidade do ensino. Este crivo alto faz com que as ofertas de duplo diploma para brasileiros ainda sejam poucas se comparadas às possibilidades de intercâmbio universitário, em que o aluno estuda outros assuntos no exterior e por um tempo menor. Quem fez, no entanto, garante que compensa.

Matheus Proença passou dois anos e meio, entre 2009 e 2011, na École Centrale de Marseille, na França. Aos 26 anos, é formado em Engenharia da Computação pela instituição francesa e pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). “Além da questão pessoal de expandir meus horizontes, optei pelo duplo diploma porque tinha bastante interesse em gestão, e o programa de engenharia generalista da Centrale é voltado para isso”, conta.

Para ele, o tipo de ensino francês é diferente do brasileiro ao focar mais nas ciências básicas, na teoria e na formação do raciocínio. “Entendi o que estava acontecendo depois de um ano”, brinca Matheus, bolsista da Fundação Estudar e do programa CAPES/Brafitec. “O começo é difícil, especialmente com a língua”, diz ele, que afiou o francês trabalhando como bartender no campus. “Mas meu maior ganho foi ver minha vida com outra perspectiva.”

O período na Europa também o ajudou a descobrir uma nova vocação. “Foi lá que descobri que não gostava tanto de engenharia, que achava muito distante do impacto social.” Ele pensou em largar tudo ainda na França, mas persistiu. Ao voltar, investiu no auto-conhecimento e decidiu seguir um caminho que passava pelo seu gosto em resolver de problemas. Hoje é consultor da McKinsey & Co. e se orgulha da história de vida diferente que seu duplo diploma traz. “Sei que meu duplo diploma foi valorizado no processo de seleção. Além disso, morar fora faz com que você tenha uma história interessante pra contar, e tudo isso agrega muito no mercado de trabalho.”

Entre a Itália e o Brasil

Raiane é formada em Engenharia Elétrica com ênfase em Automação e Controle pela Politécnica da USP e pela Politecnico di Torino, na Itália, onde estudou entre 2012 e 2014. Aos 26 anos, atua como analista de inteligência de mercado em uma empresa de telecomunicações.

“Antes de entrar na faculdade, eu já tinha um sonho de estudar fora”, conta ela, que também foi bolsista da Fundação Estudar, do Ciências sem Fronteiras e da USP. “Queria uma experiência longa para aprender de verdade sobre a cultura local, e descobri o duplo diploma logo em meu primeiro dia na Poli.” Para somar ainda mais um pró à experiência, dois anos de estudo lá eliminavam um aqui.

Tive que aprender a estudar teoria a fundo, porque meus colegas entregavam dez páginas e eu duas

Ao chegar em Torino, Raiane se inscreveu em um curso intensivo de italiano e, como Matheus, logo notou as diferenças no ensino. “A primeira coisa que vem à cabeça é que lá há mais teoria”, diz. Ela se lembra de uma disciplina que cursou em ambas as escolas. Enquanto em São Paulo a prova era cheia de cálculos, em Torino era uma dissertação sobre teorias e fundamentos. “E ainda tive que aprender a estudar teoria a fundo, porque meus colegas entregavam dez páginas e eu duas!”, conta.

Em retrospecto, ela garante que as experiências se complementam. Enquanto a questão prática brasileira preparou-a para o mercado, a teoria italiana – que inclui um sistema de exames apenas uma vez por ano – liberou sua agenda para outras atividades, como cursos de inglês e envolvimento com a AIESEC local. Cercada de amigos italianos, viveu como uma local. “Aos finaiss de semana íamos para as montanhas, por exemplo”, lembra.

Planos desde o vestibular

A história de Roberta Vicentin é um pouco diferente. Aos 25 anos, é formada em Administração pela FEA-USP e pela KEDGE Business School, na França  – e saiu com um duplo diploma de bacharelado daqui e mestre de lá. Como so cursos de graduação franceses duram em geral três anos, este convênio específico visa que o quarto ano brasileiro seja feito como um mestrado francês, que normalmente dura um.

O intercâmbio proporciona muitas experiências, tanto em questão de comportamento quanto de independência e de pensar fora da caixa

A possibilidade oferecida pelo convênio FEA-KEDGE já estava na cabeça de Roberta na época do vestibular, e serviu como empurrão na hora da escolha. Logo após a matrícula, começou a se esforçar para atender aos requisitos do programa: boas notas, o francês fluente e a criação de um projeto de conclusão de curso entre Brasil e França, que precisaria ser desenvolvido e entregue em ambos os países.

Com outros seis colegas da faculdade – que dividiram entre si as cinco bolsas de estudo ofertadas pelo governo francês –, passou o ano de 2012 em Marselha, estudando em inglês e francês com pessoas do mundo todo. Roberta aproveitou também para viajar, e conheceu 28 países.

Atualmente, analista de inteligência de mercado da TAM, ela destaca que todos do grupo brasileiro estão bem profissionalmente e se tornaram até empreendedores. “Logo que voltei, enquanto terminava a FEA, fui aceita como estagiária em uma multinacional francesa e depois na TAM, que me efetivou para dois cargos acima do meu assim que me formei”, explica ela, que pensa em voltar à França para fazer um doutorado.

“O intercâmbio proporciona muitas experiências, tanto em questão de comportamento quanto de independência e de pensar fora da caixa”, resume. “Vale muito a pena.”

*Na foto, a engenheira Raiane Pinheiro durante os estudos na Europa

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