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Dia Internacional da Mulher: 7 mulheres incríveis e onde estudaram

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Dia Internacional da Mulher: 7 mulheres incríveis e onde estudaram

Embora ainda hoje sejam desproporcionalmente afetadas por problemas sociais, as mulheres tiveram uma contribuição inestimável para a ciência ao longo dos últimos séculos. E para honrar a excelência das cientistas que superaram os preconceitos da sociedade e revolucionaram diversas áreas da ciência, vamos destacar a seguir a trajetória de estudos de oito mulheres incríveis.

Essas pesquisadoras não só resolveram problemas de suas respectivas épocas como também inauguraram áreas de investigação científica que até hoje rendem frutos. É graças a elas, por exemplo, que entendemos melhor questões sociais complexas, podemos usar computadores, e temos tratamentos adequados para diversos problemas de saúde.

Quando falamos em ampliar a participação das mulheres nas universidades, não dizemos que elas devem ser privilegiadas em detrimento dos homens. Apenas reconhecemos que, por séculos, elas foram injustamente excluídas desses ambientes, mesmo quando tinham méritos inquestionáveis. Em Harvard, por exemplo, até a década de 70, apenas cerca de 24,6% dos novos estudantes admitidos eram mulheres. E na Univerisdade de Oxford, mulheres só podiam estudar em cinco das 38 faculdades até 1974.

E se por um lado as mulheres que destacamos aqui conseguiram superar essa situação de exclusão sistêmica, por outro, infelizmente podemos imaginar que diversas cientistas não puderam desenvolver todo o seu potencial por causa de machismo estrutural.

Esse machismo estrutural pode ter roubado a sociedade de diversos avanços científicos tão importantes quanto os que as mulheres destacadas nesta lista promoveram. É por isso que acreditamos que a universidade deve ser, cada vez mais, um espaço capaz de acolher todos e todas, e por isso que celebramos não só os avanços científicos que essas mulheres trouxeram como também sua luta para ocupar as universidades. Confira:

Ada Lovelace

Augusta Ada King, condessa de Lovelace, nascida em 10 de dezembro de 1815 em Londres, na Inglaterra, é conhecida como a inventora do primeiro algoritmo e uma das “mães” da computação. Analisando o trabalho de outro matemático de sua época, chamado Charles Babbage, ela entendeu como o modelo que ele propunha poderia ser usado para aplicações muito além daquelas que ele havia imaginado.

A ideia de Babbage era, basicamente, criar uma máquina de cálculos. Mas Ada percebeu que uma máquina desse tipo teria muitas outras aplicações. Ela chegou até mesmo a criar uma espécie de programa para essa máquina para calcular números de uma determinada sequência. A máquina nunca chegou a ser construída e, por isso, o programa nunca foi testado, mas mais de 100 anos após a publicação do seu trabalho, matemáticos consideraram tratar-se do primeiro programa de computador da história.

Ada Lovelace desenvolveu todo esse trabalho embora não tivesse acesso às melhores oportunidades de estudo por ser mulher. Ela estudou matemática com professores particulares desde jovem por demonstrar aptidão com números. Uma dessas professoras foi Mary Somerville, a primeira mulher a ser aceita na Royal Astronomical Society da Inglaterra. Mais tarde, após conhecer Babbage, ela estudou com um professor da Universidade de Londres – embora não pudesse estudar na própria universidade.

Angela Davis

Boa parte do nosso entendimento contemporâneo sobre feminismo e racismo é fundamentado em pesquisas realizadas pela filósofa e professora Angela Davis, nascida em 1944 nos Estados Unidos. As investigações de Davis, entre outras coisas, analisam as maneiras pelos quais os negros – e particularmente as mulheres negras – dos Estados Unidos continuaram a ser oprimidos após a abolição da escravidão no país.

Além disso, Davis também foi uma militante essencial do movimento negro. Participou do Partido das Panteras Negras para Auto-defesa (e chegou a ser perseguida pelo governo dos Estados Unidos por sua militância) lutando contra a opressão estrutural do governo dos EUA sobre a população negra. Ainda hoje ela milita e pesquisa sobre esses temas, denunciando por exemplo o encarceramento em massa da população negra em seu país.

Davis estudou Francês na Brandeis University, no estado de Massachusetts, e estudou Filosofia na Universidade de Frankfurt, com o filósofo Herbert Marcuse. Mais tarde, fez doutorado na Universidade da California em San Diego e na Humboldt University of Berlin, na Alemanha Oriental. Ela foi contratada como professora da Universidade da Californa em Los Angeles em 1969, mas foi demitida por causa de sua filiação com o Partido Comunista. Após um tribunal julgar ilegal essa demissão, ela foi recontratada mas depois demitida de novo por “usar linguagem inflamatória”.

Katherine Johnson

Outra mulher essencial para a história da computação, Katherine Johnson (que aparece na foto acima em 1980) literalmente foi uma computadora: ela trabalhou na NASA, agência do governo estadunidense que era chamada de NACA quando Johnson começou a trabalhar lá, como “computadora humana”. Ela era responsável por realizar cálculos relativos aos projetos idealizados pela agência.

Nesse cargo, ela foi a responsável, por exemplo, por calcular a trajetória de voo do primeiro estadunidense a ir para o espaço, Alan Shepard, e também pelo cálculo da trajetória da nave Apollo 11, que em 1969 levou os primeiros humanos a pisar na Lua. Seu trabalho também permitiu que a equipe da Apollo 13 conseguisse chegar de volta à Terra com segurança depois de a missão ser cancelada.

Como uma mulher negra, Johnson não teve acesso a educação pública durante a infância, mas seus pais custearam seus estudos dos 10 aos 14 anos – e, nesse período, ela concluiu o ensino médio. Depois, fez a graduação na West Virginia State College, formando-se com 18 anos. Mais tarde, ela se tornaria a primeira mulher negra a entrar na escola de pós-graduação da West Virginia University. Foi também a primeira mulher a assinar um relatório da NASA já que, até 1958, a agência não permitia que mulheres assinassem seus relatórios.

Marie Skłodowska Curie

Nascida em 7 de novembro na cidade de Varsóvia, na Polônia, Maria Skłodowska Curie tornou-se uma das cientistas mais importantes da virada do século 19 para o 20. Por suas pesquisas pioneiras sobre radioatividade (palavra que ela própria inventou), ela tornou-se a primeira mulher a ganhar um prêmio Nobel, além de ser a primeira pessoa (e até agora única mulher) a ganhar dois prêmios Nobel e a única pessoa a ganhar o prêmio duas vezes em campos diferentes (física e química).

Essa notoriedade foi resultado de sua pesquisa sobre a energia emitida por átomos de determinados elementos, como urânio e tório. Essa energia parecia contradizer o princípio de conservação de energia, o que forçou pesquisadores a reconsiderar os fundamentos da Física. Além disso, também abriu o caminho para que outros pesquisadores investigassem a estrutura do átomo (que, até então, imaginava-se ser impossível de se dividir), o que levaria a pesquisas sobre energia radioativa.

Por ser mulher, Curie não podia matricular-se em universidades polonesas. Por isso, estudou por alguns anos numa instituição clandestina que oferecia ensino superior a mulheres. Mais tarde, estudou Química, Física e Matemática na Universidade de Paris, vivendo sob condições difíceis durante os estudos. Ela conquistaria seu doutorado pela mesma instituição e se tornaria, mais tarde, a primeira professora da universidade.

Grace Hopper

Ada Lovelace foi uma das primeiras a imaginar um computador, e Grace Hopper foi uma das pioneiras na manipulação e programação de computadores. Nascida em 1906, ela foi uma das primeiras programadoras do Harvard Mark I, um computador da universidade de Harvard usado durante a Segunda Guerra Mundial, e mais tarde foi uma das inventoras da linguagem de programação COBOL, que é usada até hoje em algumas aplicações.

Hopper acreditava que o código dos computadores deveria ser escrito numa linguagem semelhante ao inglês, e não em códigos e símbolos só inteligíveis por máquinas. Por isso, pesquisou programas que fossem capaz de traduzir comandos em inglês para códigos inteligíveis por máquinas, dando origem aos atuais compiladores. Ela também ajudou a cunhar o termo “bug”, para designar erros de programação, após encontrar um inseto (ou bug, em inglês) preso em um dos computadores nos quais ela trabalhou.

Hopper fez a graduação no Vassar College, mas não foi aceita da primeira vez que se candidatou por ter notas baixas demais em Latim. Ela persistiu, no entanto, e foi aceita no ano seguinte. Depois, conquistou um mestrado em matemática na Universidade de Yale em 1930 e um doutorado na mesma instituição em 1934. Sua carreira com computadores só começaria mais tarde, quando ela começou a trabalhar para a marinha dos EUA no fim da década de 1930.

Nise da Silveira

Nise da Silveira foi uma médica psiquiatra brasileira que viveu de 1905 a 1999. Ao longo de sua vida, ela revolucionou o tratamento psiquiátrico no Brasil, opondo-se frontalmente a manicômios e tratamentos como eletrochoque e lobotomia. Em sua atuação, ela incentivava os pacientes a se expressar artisticamente por meio de pinturas ou esculturas. Com isso, visava permitir que eles reatassem seus vínculos com a realidade por meio da expressão simbólica.

Nise formou-se na Faculdade de Medicina da Bahia em 1931 — foi a única mulher de uma turma com outros 157 homens. Mais tarde, ela se correspondeu com Carl Gustav Jung, e estudou no Instituto Carl Gustav Jung, na Suíça, por dois períodos: entre 1957 e 1958, depois de 1961 a 1962. Por influência do próprio Jung, ela organizou em Zurique (durante o segundo Congresso Internacional de Psiquiatria)uma exposição com as obras produzidas por seus pacientes.

Por seu trabalho, ela é reconhecida como a responsável por introduzir no Brasil a psiquiatria junguiana. Também influenciou a criação de associações e institutos de pesquisa dedicados à ciência em locais como Portugal, Itália e França. O antigo CEntro Psiquiátrico Nacional, no Rio de Janeiro, recebeu em sua homenagem o nome Instituto Municipal Nise da Silveira.

Jaqueline Goes de Jesus

Você deve ter ouvido falar recentemente de Jaqueline Goes de Jesus. Ela foi uma das brasileiras responsáveis por sequenciar o genoma do vírus 2019 n-CoV, conhecido popularmente como Coronavírus. Junto com outras pesquisadoras, ela sequenciou o código genético do vírus dois dias após a confirmação do primeiro caso no Brasil. Em outros países, esse mesmo processo levava, em média, 15 dias.

Essa análise genética do vírus permite entender qual é sua origem e como ele atua no corpo humano. É também o primeiro passo para desenvolver testes capazes de diagnosticar precisamente o vírus ou vacinas que possam prevenir os pacientes contra a ameaça. A análise brasileira também permite a cientistas comparar o vírus com os de outros países para entender como ele se modificou ao longo do tempo.

Jaqueline Goes de Jesus se graduou em Biomedicina pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, fez mestrado no Instituto de Pesquisas Gonçalo Moniz da Fundação Oswaldo Cruz (IGM-FIOCRUZ) e doutorado na Universidade Federal da Bahia. Durante o doutorado, também passou um período de doutorado “sanduíche” na Universidade de Birmingham, no Reino Unido.

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