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29.02.16

Brasileiro fala sobre diferenças culturais entre o Brasil e os Estados Unidos

Brasileiro fala sobre diferenças culturais entre o Brasil e os Estados Unidos

O gaúcho Pedro Girardi está no Carleton College e fala, em sua coluna, sobre o que muda na alimentação e nos costumes de quem vai estudar fora

Por Pedro Girardi

Este mês, quero falar sobre algumas das diferenças culturais entre o Brasil e os Estados Unidos. Meu objetivo aqui não é dizer qual a “melhor” cultura ou país, mas mostrar algumas coisas que devem ser levadas em conta por quem quer morar fora. Também vale ressaltar que eu moro nos EUA há alguns meses e não conheço todos os estados (nem daqui nem do Brasil). Por isso, é possível que haja pessoas discordando de mim.

Organização e ordem

[Nos Estados Unidos] O respeito é tão grande que eu, acostumado com a realidade brasileira, (ainda) fico pasmo quando carros param na placa “Pare”.

No Brasil, eu estava acostumado a encarar leis e normas como algo opcional. Quase ninguém para na faixa, respeita fila ou horário de silêncio. Todo mundo se enxerga como um caso à parte: fura fila porque está com pressa, estaciona na vaga de deficiente porque já vai estar de volta e põe música alta porque, afinal, é festa de aniversário. Consequentemente, sempre tem alguém burlando alguma lei e passando os outros para trás.

Nos Estados Unidos, sinto que há um respeito maior pelas leis. O respeito é tão grande que eu, acostumado com a realidade brasileira, (ainda) fico pasmo quando carros param na placa “Pare” e quando uma multidão se organiza e se enfileira em uma fração de segundo. Isso pode ser até estranho ou incômodo de vez em quando, mas torna a minha vida muito mais fácil em 99% das ocasiões.

Alimentação

Eu morava no Rio Grande do Sul, estado conhecido por produzir ótimos cortes de carne, frutas e sobremesas. Minhas refeições eram bem balanceadas e quase sempre de alimentos frescos, feitos na hora e plantados a poucas horas de distância. Até mesmo as refeições menos saudáveis, como um cachorro quente ou churros do centro da cidade, levavam ingredientes naturais e eram preparadas na minha frente.

Isso mudou 110% quando vim para os Estados Unidos: a maioria das refeições têm ingredientes que viajaram de outros continentes (estão quase sem gosto) e tem pouco preparo. Aparentemente, as pessoas não ligam para isso e, quando têm oportunidade, fazem ainda mais comida pré-preparada, como o “clássico” Mac and Cheese (macarrão com “quejo” pré-pronto que daria calafrios nos meus antepassados italianos) e tomam litros de refrigerante por dia. Eu, pessoalmente, sinto muita saudade da comida brasileira.

O contato interpessoal

No Brasil, praticamente todo momento é uma oportunidade para conhecer alguém novo e dar risada. Aqui, a situação é bem diferente.

No Brasil, qualquer situação é motivo para bater papo. Pode ser a fila do metrô na segunda-feira ou o caixa demorado no supermercado – sempre há alguém para conversar sobre assuntos que vão de meteorologia a futebol. A pessoa já pode chegar dando tapa nas costas, dividindo pacote de salgadinho e ainda se despedir com beijo na bochecha. Consequentemente, praticamente todo momento é uma oportunidade para conhecer alguém novo e dar risada.

Aqui, a situação é bem diferente. As pessoas prezam muito pelo seu espaço e individualidade. Na fila do supermercado, nem ouse olhar para a pessoa na sua frente, ou será tido como “weird” – ou estranho. Os comuns abraços e beijinhos brasileiros são inexistentes aqui, mesmo entre amigos. Dependendo do ambiente, é necessário um conjunto pré-estabelecido de perguntas para iniciar uma conversa: de onde você é, o que estuda e qual sua class? Se, por um lado, a formalidade americana pode ser útil para evitar pessoas inconvenientes, por outro, eu sinto falta do “calor” brasileiro.

*Foto: Carleton College 


Sobre o autor

Pedro Girardi é aluno de graduação do Carleton College, nos Estados Unidos, onde pretende se formar economia e política. Durante o ensino médio, envolveu-se em diversos projetos nessas áreas, sendo seu preferido a participação em Simulações das Nações Unidas. Por meio de atividades extracurriculares, descobriu que adora lidar com pessoas e ajudá-las a desenvolver suas habilidades. Quer ser professor e pesquisador.

 

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