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Estudo aponta que baixa mobilidade acadêmica prejudica o alcance das pesquisas

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Estudo aponta que baixa mobilidade acadêmica prejudica o alcance das pesquisas

Um estudo publicado na Higher Education Quarterly, um periódico acadêmico sobre tecnologias e categorias relacionadas à Educação, analisou a relação entre mobilidade acadêmica e o alcance da agenda de pesquisa de doutorados. A consulta foi feita com estudantes de mais de 140 países e descobriu que a baixa mobilidade tende a limitar a variedade e ambição dos projetos.

O estudo foi realizado pelo sociólogo português Hugo Horta, que pesquisa mobilidade acadêmica e trabalha na Faculdade de Educação da Universidade de Hong Kong. Os resultados obtidos confirmaram que o processo chamado de endogenia acadêmica “é prejudicial às aspirações de pesquisa, inovação, tomada de riscos e envolvimento multidisciplinar das agendas de pesquisa dos acadêmicos”. Os dados apontaram que os pesquisadores que mantém o trabalho acadêmico na mesma instituição em que adquiriram o doutorado tendem a desenvolver projetos menos ambiciosos e ancorados em pesquisas incrementais.

 

 

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Pesquisadores menos ambiciosos

Em entrevista publicada pela Revista FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de S. Paulo), Horta explicou que as agendas dos cientistas que não realizaram mobilidade “eram 19,6% menos focadas em novas descobertas em relação às de pesquisadores que se fixaram em outras instituições”.

Um dos motivos apontados pelo pesquisador para essa diferente foi a menor criatividade “da abertura e da exposição aos fluxos de conhecimento externos necessários para se engajar em projetos arejados e inovadores”.

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A pesquisa também apontou que esses pesquisadores tendem a ser menos ambiciosos em relação a projeção de carreira e menos propensos a se envolver em projetos colaborativos e multidisciplinares. Embora em menor escala, essa tendência também foi encontrada em acadêmicos que retornaram à universidade alma mater após passar um período em outra instituição.

Metodologia utilizada

A consulta foi realizada com 7.158 pesquisadores de diferentes áreas e considerou a produção realizada entre 2010 e 2016. Em seguida, os dados obtidos foram cruzados com a produção científica dos participantes armazenada na base Scopus, da editora Elsevier. O objetivo foi determinar o grau de mobilidade de cada um e categorizar de acordo com as agendas.

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Endogenia acadêmica

Um dos pontos de partida da pesquisa foi o fenômeno chamado de “endogenia acadêmica”, ou inbreeding acadêmico, que significa o recrutamento de acadêmicos pela mesma instituição na qual foi realizado o doutorado. Esse movimento acontece como um processo de retroalimentação em que os acadêmicos se cercam e trabalham com pesquisas em que ajudaram a desenvolver.

O maior problema da endogenia acadêmica é que, com o passar do tempo, ao mesmo tempo que as pesquisas próximas podem estruturar o conhecimento de uma área, esse processo também tende a engessar e limitar o alcance das áreas e tópicos de estudos desenvolvidos, afetando tanto a produtividade científica, quanto a excelência e inovação

 

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