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Vale a pena se candidatar este ano para uma pós fora?

Vale a pena se candidatar este ano para uma pós fora?

Parece loucura pensar em uma pós-graduação no exterior no meio de uma pandemia. E mesmo que a situação de isolamento social se normalize até o início das aulas em 2021, é preciso se perguntar também se vale a pena fazer pós em um cenário de desvalorização do real (e dólar a R$5,00).

Ao mesmo tempo, todo o cenário de incerteza que afeta estudantes ou potenciais estudantes também afetou as universidades, que tiveram que se reinventar para conseguir continuar entregando seu serviço e seu impacto de forma remota. Alguns dos maiores centros de referência do mundo já confirmaram que todo o ano de 2020 — ou seja, o primeiro semestre letivo da turma que está por vir — será conduzido 100% virtual. Entre eles, Harvard e Cambridge. E isso já está gerando inclusive embates políticos.

Somando essas duas pontas da equação, temos que há muitos jovens receosos de se candidatarem para 2021, ainda sem a certeza se os programas presenciais estarão reestabelecidos. E temos também que há universidades dependentes dessas candidaturas para se manterem funcionando (lembrando que mesmo as universidades públicas nos Estados Unidos são pagas, e as maiores anuidades são justamente cobradas de estudantes internacionais).

“Das pessoas que eu tenho falado, algumas que iam se candidatar desistiram — cerca de 50%. Mas isso também não quer dizer que o processo seletivo deste ano estava mais fácil”, ponderou Fernanda Thees, coach e especialista em preparação para entrevistas de MBA.

De acordo com a especialista, a avaliação do momento para se candidatar depende das prioridades do estudante.

Vale a pena fazer pós fora se…

  • O candidato estiver muito em dúvida sobre seu trabalho — seja por si mesmo ou por incertezas na sua empresa ou na sua área de atuação. Neste caso, uma pós-graduação fora pode ser uma boa oportunidade de se atualizar e se preparar para o que está por vir.
  • Se o profissional estiver buscando se desenvolver em habilidades socioemocionais ou de liderança; ou mesmo se estiver buscando ampliar suas redes de contatos. Nestes casos, a experiência presencial é mais completa, e o “selo” ainda faz diferença.
  • O foco for seguir em carreira acadêmica, que exigirá a imersão no assunto estudado, e que uma formação online dificilmente conseguiria suprir.

Não vale tanto a pena se…

  • O candidato estiver satisfeito em sua posição atual. Neste caso, vale mais a pena esperar mais um ano para ver o que as escolas estarão oferecendo. 
  • O candidato for recém-saído de um outro curso. “Eu raramente acho uma boa ideia emendar uma formação em outra. Na maioria dos casos ter um tempo de experiência entre uma formação e outra faz muita diferença”, opina a especialista.
  • O foco de desenvolvimento do candidato forem habilidades técnicas — principalmente habilidades digitais. “Há muitas vagas para profissionais de tecnologia que não ligam para qual curso você fez, nem mesmo se fez algum”, explica. Neste caso, o mais recomendado são cursos EAD, que oferecem muito bem esses desenvolvimentos.

Os cursos continuarão sendo tão caros?

A transição forçada para o ambiente virtual fez com que muitos estudantes questionassem o alto valor pago em anuidade para estes centros. Em Stanford, por exemplo, a anuidade de um MBA fica em torno de US$ 24 mil. Isso gerou um questionamento geral no setor, se haveria uma diminuição geral na demanda (e na valorização) destas formações, mesmo após o fim das medidas de distanciamento.

A visão da Fernanda é que as escolas – principalmente as mais tradicionais — passarão a oferecer outros benefícios mais atrativos “no pacote”, e não abaixar o valor cobrado pela anuidade. “Tem uma relação do valor do tuition com a qualidade da escola. E depois que abaixar, elas não subiriam de novo, então acho isso muito improvável”.

Outra opção possível é que sejam criadas outras oportunidades de cursos de menor duração, que as pessoas possam fazer em um tempo mais curto, por um valor mais acessível.

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