Quais remédios funcionam contra COVID-19? O que dizem as principais pesquisas

Interferon - remédios contra COVID-19

A pandemia do COVID-19 levou vários países a adotarem medidas de isolamento social para prevenir a disseminação da doença. Mesmo assim, o número de casos continua a crescer, e inúmeros institutos de pesquisa no mundo todo estão investigando quais são os remédios mais eficientes contra a COVID-19.

A cloroquina, uma das primeiras medicações a ser considerada para essa finalidade, já se revelou menos eficaz do que parecia num primeiro momento. Dados preliminares sobre o uso da medicação para tratar a doença foram incertos quanto à sua eficácia.

Mais recentemente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) suspendeu o uso da droga em seus estudos sobre a doença por questões de segurança. Acredita-se que o medicamento pode causar efeitos colaterais que aumentam a mortalidade dos pacientes.

Felizmente, há outras medicações que vem sendo testadas com rigor científico por diversos grupos de pesquisa no mundo. Os resultados preliminares desses estudos sugerem que elas podem ser eficientes no tratamento da doença, ao menos em alguns casos. Mesmo assim, ainda é difícil dizer com certeza.

Como se encontra um remédio contra COVID-19?

Pesquisar a eficácia de medicações não é algo fácil. Primeiramente, é preciso conhecer a fundo o remédio que se pretende testar, bem como a doença contra a qual há a intenção de testá-lo. A COVID-19, por ser uma patologia recente e ainda relativamente pouco conhecida, já coloca um obstáculo nesse ponto.

Outra dificuldade vem do fato de que esses estudos devem ser feitos com o maior número possível de participantes. E é necessário ter dados precisos sobre o histórico médico de cada um deles, para evitar possíveis efeitos colaterais e entender com precisão quais remédios são eficazes para quais casos — e se há casos em que eles podem ser perigosos.

E há também considerações éticas que precisam ser levadas em consideração. POr exemplo: para que o estudo seja preciso, é necessário que haja um “grupo de controle”. Esse grupo é composto de pessoas que, sem saber, receberão um placebo (uma pílula que não tem efeito) no lugar do remédio.

Esse grupo de controle é essencial para a pesquisa. Com ele, será possível comparar as taxas de recuperação das pessoas que tomaram o remédio com as taxas entre quem não tomou. E isso permite provar que o remédio, de fato, diminui a mortalidade. Mas, na prática, esse grupo de controle acaba sendo composto por pessoas que não receberão tratamento. E se o tratamento de fato for eficaz, são pessoas que deixarão de ser tratadas naquele momento.

Mesmo com essas dificuldades, já há dados preliminares positivos de alguns estudos de menor escala conduzidos com alguns medicamentos. A seguir, vamos falar de alguns remédios que, por enquanto, parecem ser eficientes contra a COVID-19. Confira:

Remdesivir

Um dos remédios que vem mostrando resultados promissores é o Remdesivir. O remédio já é usado contra outras doenças virais como Ebola e MERS, e um estudo in vitro (ou seja, realizado em uma placa de petri ou tubo de ensaio, e não um organismo) mostrou que ele impedia que as células humanas fossem infectadas pelo SARS-CoV-2 (o vírus que causa COVID-19).

Mais recentemente, no entanto, um estudo conduzido pelo governo dos EUA com mais de mil pessoas também apontou para a eficiência do remédio. Os participantes que receberam o remdesivir se recuperaram mais rapidamente do que aqueles que não receberam (11 dias contra 15 dias, respectivamente), e também tiveram menor taxa de mortalidade (8% contra 11%).

MAs nem todos os resultados são positivos. Outro estudo, feito na China com 236 pacientes, também mostrou um pouco de vantagem entre os que tomaram remdesivir. Mas a diferença não chegou a ser estatisticamente significativa. Ou seja: eles podem ter se recuperado mais rápido por causa do remédio, mas pode ter sido por outro fator também.

Interferon-beta-1b

Outro remédio contra COVID-19 que vem sendo testado com resultados positivos por enquanto é o Interferon-beta-1b. Ele também é um remédio antiviral e, assim como o remdesivir, é ministrado via injeção. O remédio já tinha outras indicações, sendo usado, por exemplo, para retardar o avanço de doenças como esclerose múltipla.

De acordo com a BBC, a medicação já está sendo testada no Reino Unido em pacientes com COVID-19. OS testes realizados por lá também vão avaliar outras possíveis medicações, e seus resultados devem sair por volta de junho.

Já há, no entanto, outros resultados favoráveis para o uso da medicação. Um estudo feito em Hong Kong com 127 pacientes mostrou que o interferon-beta-1b, usado em combinação com outras medicações antivirais, pode agilizar o tratamento. Nesse estudo, as pessoas que receberam as medicações se recuperaram em 7 dias em média, contra 12 dias em média para as que receberam apenas um dos antivirais.

Favipiravir

Outra medicação antiviral que vem sido avaliada como candidata para tratar da COVID-19 é a chamada Favipiravir. Trata-se de um remédio já aprovado para venda no Japão e na China sob o nome de Avigan, usado para combater a gripe comum.

Jà há pelo menos dois estudos chineses que apontam para a eficácia da droga. Um deles, publicado em março, mostrou que ela foi mais eficaz do que outros remédios para eliminar a doença (4 dias contra 11 dias de recuperação), e que os pacientes que usaram Favipiravir também tiveram melhor recuperação pulmonar, segundo imagens tomográficas.

Outro estudo, de abril, avaliou 240 pacientes e resultou em 71% de recuperação em 7 dias para quem recebeu o Favipiravir (contra 56% de recuperação no mesmo paríodo para quem recebeu outro medicamento). Nos dois casos, no entanto, o número de pacientes avaliados foi relativamente pequeno. Mas a medicação já está sendo testada em hospitais nos Estados Unidos com base nesses primeiros resultados positivos.

Em busca de tratamento

Um ponto importante a se ressaltar é que não é aconselhável ir pessoalmente atrás de remédios desse tipo. Não só a eficácia deles contra COVID-19 não é comprovada como também não está claro se eles podem apresentar riscos para determinados grupos de pacientes.

Caso você suspeite ter sido infectado pelo novo coronavírus, a melhor orientação é ficar em casa e se auto-isolar tanto quanto possível. Caso apareçam sintomas, então dirija-se a um hospital, sempre usando máscara para evitar infectar outras pessoas. A decisão sobre a medicação mais indicada para cada caso deve ser feita por profissionais da saúde.

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