Por Lucas Mendes, CEO da Fundação Estudar
No final de março estive em Boston para participar da minha sexta Brazil Conference Já estive lá como estudante, na época do meu LLM em Berkley, como empresa patrocinadora, pela WeWork, e agora, pela segunda vez, com a Fundação Estudar, uma das instituições que apoiam o evento desde a primeira edição, sempre contando com Fellows da nossa rede atuando ativamente como parte da organização.
Uma das partes mais únicas destas conferências é o fato de que os estudantes comandam toda a operação. Muitos eventos desse tipo têm um perfil diferente, geralmente voltado para empresários ou profissionais de nichos específicos. São poucas as iniciativas pensadas prioritariamente para estudantes, como é o caso da Brazil Conference, que os coloca no mesmo ambiente que figuras de grande relevância e influência em diversas áreas.
Falando agora sobre o evento em si, um dos grandes destaques deste ano foi, sem dúvida, o local da conferência. A David Rubenstein Treehouse é um novo edifício extraordinário de Harvard, construído em madeira maciça como parte de um modelo de construção sustentável. A escolha do espaço dialoga com um dos principais temas debatidos: clima e meio ambiente.
André Corrêa do Lago, presidente da COP30, fez um balanço da mudança de perspectiva que mostra o clima como oportunidade econômica e geopolítica para o Brasil, e não apenas como um dever moral de preservar o meio ambiente. O tema da sustentabilidade é fundamental para a Fundação Estudar, principalmente agora que lançamos o Climate Fellow, vertical do Programa Líderes Estudar para quem atua em temas ambientais e climáticos.
Trazer uma figura de peso como o André em um prédio tão simbólico foi um dos grandes acertos da organização. Por ser diplomata, ele conseguiu dar uma visão do todo e extremamente construtiva, fugindo de polarizações que muitas vezes tomam conta do debate.
Outro destaque foi a Kátia Barros, fundadora da Farm. É uma empresa brasileira, carioca, com uma proposta de roupas mais tropicais, com a cara do Brasil. Mas hoje a Farm leva um pouco do Brasil para fora. É uma marca com presença global e faz até roupa de neve. 
O mais legal de ter uma empresária desse porte é que a Brazil Conference, como eu disse no começo, é um evento majoritariamente para estudantes. É emocionante ver a reação de orgulho que eles sentem quando veem uma pessoa de uma marca brasileira circulando ali. É uma inspiração que mostra que existe um caminho para quem também tem sonhos assim.
Saindo um pouco dos painéis, tive a chance de juntar um grupo dos nossos fellows para fazer uma cerimônia de autógrafo com Cafu, um dos palestrantes convidados. No final, o Matheus Silva, nosso bolsista, ficou responsável por fazer um tour por Harvard com ele.
Também consegui reunir a turma para irmos comer tacos em um dos restaurantes favoritos do pessoal de Harvard, o que acabou se tornando um momento para conversar mais de perto com os fellows que estavam participando da conferência. Além desses encontros em grupo, gosto de aproveitar a ocasião para ter conversas individuais com nossos bolsistas e criar conexões mais próximas.
Em uma nota mais pessoal, encontrei mais uma vez o Lucas Mendes, meu xará, jornalista e também mineiro. Essa coincidência de nome já causou algumas situações engraçadas nos eventos em que estamos juntos: já fui parar na mesa ao lado da esposa dele, enquanto ele ficou sentado com os estudantes. Desta vez, fizemos juntos o tour por Harvard. Encontrá-lo sempre rende boas conversas, e, claro, a chance de um ou outro acabar entrando como penetra em alguns eventos.
Também queria aproveitar para reconhecer o trabalho de outra pessoa que estava envolvida no evento, o Marcelo Bernardino, bolsista da Associação Amigos da Vetusta, ONG que fundei em Belo Horizonte e da qual ele foi diretor. Agora ele está em Harvard, e foi um dos principais organizadores da conferência.
Fico sempre feliz em participar de eventos como a Brazil Conference pelo prazer de conhecer e reencontrar tanta gente boa. É uma oportunidade de ver de perto como as ideias que cultivamos na Fundação Estudar, como ambição, excelência e sonho grande, estão alinhadas com o que esses jovens vêm fazendo pelo mundo. Reforço a ideia de que inspirar pelo exemplo é fundamental. Ao aproximar quem sonha de quem já chegou lá, o evento ajuda a abrir caminhos para muitos outros que vêm depois.