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Aos 24 anos, ela já ajudou a construir o primeiro unicórnio de IA da América Latina

Mesmo tão jovem, a Fellow Estudar Nicole Grossmann já soma uma trajetória que passa por Columbia e Georgia Tech, estágios no BTG Pactual e C6 Bank, um lugar no time fundador da Enter, o primeiro unicórnio de IA da América Latina, e a liderança de um projeto de análise de mais de 500 mil documentos jurídicos para a SulAmérica. Agora, ela se dedica à operação de uma nova startup do setor financeiro, a Vigil Labs. No meio de tudo isso, ainda tem tempo para manter ativa uma paixão que começou muito antes de qualquer linha de código: a patinação artística no gelo.

Da patinação à tecnologia

Nicole viveu uma infância dedicada à patinação no gelo, um esporte pouco comum no Brasil. Natural de São Paulo, ela fazia viagens frequentes para outras cidades para conseguir treinar em uma pista de tamanho adequado, e chegou a ser campeã nacional. Segundo ela, essa dedicação nunca foi uma imposição da família, mas sim uma paixão genuinamente sua.

Aos 14 anos, o principal rinque onde treinava foi fechado, o que fez com que Nicole direcionasse toda sua energia para os estudos. No ensino médio, entre várias atividades, criou um cursinho popular e hackathons. Depois de vencer uma disputa internacional de matemática, o que a fez reconsiderar seus próprios limites, decidiu que tentaria estudar fora

Desde cedo, Nicole teve uma percepção importante: “Entendi que dominar a tecnologia hoje seria o equivalente a saber falar inglês na geração dos meus pais. Sabia que, ano após ano, ela se tornaria cada vez mais importante, quase uma nova língua franca global. Decidi que precisava me aprofundar nisso”. 

Columbia e os primeiros estágios

Com as aprovações nos EUA, Nicole escolheu a Universidade de Columbia, em Nova York, onde estudou Matemática Aplicada e Economia. A adaptação não foi simples: o inglês ainda não era fluente, e cursar cálculo com professores de sotaques variados era um desafio adicional. Ainda assim, ela recorda a experiência com uma mescla de dificuldade e crescimento sem precedentes.

Ao longo da graduação, Nicole optou por dedicar suas férias a estágios variados. Passou pela área de tecnologia do BTG Pactual, onde fez seu primeiro deploy em produção. Em seguida, foi para o C6 Bank, ainda em fase inicial da fintech, período em que acompanhou de perto a compra de quase metade do banco pelo J.P. Morgan.

Também durante a faculdade, chegou a trancar um semestre para se dedicar à programação e, mais adiante, atuou como venture scout do fundo americano Go Ahead Ventures, buscando startups early-stage para o portfólio. Foi pelo caminho inverso do mais comum que ela conheceu o universo de startups antes de se aprofundar no de investimentos, e percebeu que preferia estar do lado da operação e da construção de produtos.

Começo na Enter

De volta ao Brasil, Nicole reencontrou Henrique Vaz, que já a havia orientado no processo de aplicação para universidades americanas, e passou a integrar o time fundador da Enter. A empresa nasceu no setor jurídico, automatizando petições e defesas em processos de contencioso de massa, com atenção a detalhes que normalmente exigiriam trabalho humano, como cruzar dados de CRM para verificar a especialidade de um médico responsável por um laudo. Em 2026, a empresa tornou-se o primeiro unicórnio de inteligência artificial da América Latina.

Nicole ficou na Enter desde os primeiros meses até a fase em que já tinha cerca de 70 funcionários e uma base de clientes consolidada. Um dos projetos de maior escala sob sua responsabilidade foi com a SulAmérica: a análise de uma base legada de 30 mil processos jurídicos, somando mais de 500 mil documentos e subsídios legais, começando pela categoria de transtorno do espectro autista. 

Nicole coordenou o projeto de ponta a ponta, da integração com o time de TI da seguradora à definição das perguntas que guiariam a extração de dados via LLM, passando pela criação dos casos na plataforma, rodagem de scripts internos e apresentação final ao board da SulAmérica. 

Ela deixou a Enter por um misto de motivos pessoais e pela percepção de que a evolução técnica em IA estava acontecendo rápido demais para ser acompanhada em paralelo a uma rotina tomada por atendimento a clientes. “Se eu tivesse continuado na Enter, provavelmente não teria a fluência técnica que tenho hoje”, avalia.

Futuro e educação

Nicole está cursando mestrado em Ciência da Computação, com foco em Machine Learning, na Georgia Tech. Durante esse período, sem nunca parar de trabalhar, ela se juntou como parte do time fundador da Vigil Labs, dessa vez liderando a área de operações. A proposta da nova empresa é construir um motor de previsão de mercados, tanto de cripto quanto de ativos tradicionais. É um time enxuto e em estágio inicial, do qual ela é a única mulher.

Apesar da rotina intensa, Nicole mantém a patinação artística como parte ativa da vida, treinando com o time da Georgia Tech e buscando pistas de gelo em qualquer cidade onde esteja morando. Também dedica parte do seu tempo a iniciativas ligadas à educação: é diretora da Columbia Alumni Association no Brasil, foi mentora do Prep Program e participa de eventos e palestras sobre estudar fora.

Todo esse envolvimento vem de uma crença pessoal: “A educação é a única coisa que ninguém tira de você. O quanto você sabe, o quanto tem de contexto de mundo, o quanto você consegue transformar isso em resultado”, finaliza.



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