Por Mariah Bittencourt
“Seguir um sonho tem um preço.”
Já ouvi essa frase inúmeras vezes, em diferentes momentos da minha vida. Mas, por muito tempo, eu me perguntei: que preço é esse?
Desde pequena, carreguei sonhos que pareciam grandes demais para uma menina do interior de São Paulo. Sonhava em conhecer o mundo, visitar a Austrália, participar de simulações da ONU em Harvard e Yale e cursar uma universidade fora do Brasil.
Eu passava horas imaginando cada detalhe desses sonhos, até o dia em que coloquei os números no papel.
Os custos pareciam impossíveis, e tudo indicava que aqueles sonhos permaneceriam apenas na minha imaginação.
Eu não achava justo que sonhos fossem medidos pela quantidade de zeros em uma conta bancária. Para mim, eles tinham um valor muito maior e, por isso, eu precisava correr atrás deles. Mas como?
Como? Quem? Por quê? Quando? Essas perguntas me acompanhavam diariamente. Eu me perguntava quem estaria disposto a investir em uma garota que não tinha dinheiro, influência ou contatos, apenas uma mochila cheia de sonhos e determinação.
Em busca de respostas, pesquisei na internet como outras pessoas financiavam seus projetos e oportunidades: patrocínio foi a primeira resposta que encontrei.
Naquele mesmo dia, decidi tentar. Pesquisei empresas da minha cidade que poderiam acreditar no meu potencial, preparei apresentações, montei slides e comecei a bater de porta em porta, pedindo apenas uma chance para ser ouvida.
Após muitos “nãos”, duas empresas finalmente se dispuseram a me ouvir. Então eu falei. Contei sobre meus sonhos, meus objetivos e tudo o que eu queria construir através deles. Pela primeira vez, senti que alguém estava disposto a enxergar além da minha idade, da minha conta bancária e simplesmente acreditar no meu potencial.
Ao final da reunião, disseram que me dariam uma resposta em duas semanas. Duas semanas viraram três, e o silêncio começou a parecer uma resposta.
Até que, em uma terça-feira qualquer, recebi uma ligação me convidando para uma nova reunião.
Às sete horas da manhã, eu e meu pai estávamos na porta da empresa, com os dedos cruzados e o coração acelerado. Durante todo o caminho, tentei controlar a ansiedade, imaginando todas as respostas possíveis.
Entramos na sala, sentamos e, depois de alguns segundos que pareceram horas, ouvi as palavras que mudariam completamente aquela história:
“Escolhemos acreditar em você.” Duas empresas industriais acreditaram no meu sonho e patrocinaram toda minha viagem para as simulações da ONU de Harvard e Yale.
Naquele instante, entendi que os sonhos não têm um preço capaz de fazê-los deixar de existir. Aprendi que realizar um sonho é ouvir dezenas de “nãos”. É continuar batendo em portas fechadas até encontrar alguém disposto a abri-las. É procurar atalhos e construí-los quando não existem.
Porque, no fim, os sonhos nunca foram sobre dinheiro. Sempre foram sobre acreditar neles o suficiente para continuar caminhando, mesmo quando o caminho parece impossível. E, quem sabe, olhar para trás daqui a cinquenta anos e perceber que os obstáculos se transformaram em boas histórias para contar em uma roda de conversa.
A coluna acima foi escrita por Mariah Bittencourt, participante do Prep Program, preparatório da Fundação Estudar com foco em jovens que desejam cursar a graduação no exterior. Totalmente gratuito, o programa oferece orientação especializada sobre o processo de candidatura em universidades de fora do país. Saiba mais e faça sua inscrição aqui.

Mariah, do interior de SP, é voluntária em um centro de educação especial, experiência que moldou sua vida e a levou a desenvolver um projeto científico na área. Sendo a primeira da sua comunidade a participar de MUN em Harvard e Yale, criou o projeto “Portas Abertas” para ampliar o acesso à educação internacional. Ela é vegana desde os onze e apaixonada por animais.