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Líder Estudar recebe bolsa de 100 mil dólares para projeto de saúde mental voltado a adolescentes

O Líder Estudar Vinicius Gaby, médico formado pela USP, foi selecionado para  uma bolsa de 100 mil dólares do Global Center da Stavros Niarchos Foundation (SNF) para Saúde Mental de Crianças e Adolescentes no Child Mind Institute, organização sem fins lucrativos dos EUA dedicada à saúde mental infantil e ao desenvolvimento de crianças e adolescentes. O incentivo, concedido em sua primeira edição com competição aberta, tinha apenas uma vaga, e foi atribuído a Vinicius para o desenvolvimento de um projeto de comunicação voltado à promoção da saúde mental entre adolescentes.

O histórico de Vinicius deixa claro seu interesse por questões relacionadas à comunicação em saúde, especialmente saúde mental. Em 2019, ainda na graduação, começou a produzir vídeos com professores da faculdade sobre educação em saúde, iniciativa que lhe rendeu uma bolsa do programa Young Health Programme, da AstraZeneca, para participar da conferência One Young World Summit, em Londres. 

Depois de formado, começou a trabalhar como consultor da UNICEF em vários projetos com participação jovem relacionados à prevenção de doenças crônicas e saúde mental. Também fez parte do conselho consultivo da fundação Born This Way, fundação co-fundada pela cantora Lady Gaga e sua mãe para promoção da saúde mental jovem. 

Atualmente, Vinicius está no segundo ano da residência em psiquiatria no Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP, instituição à qual seu projeto é vinculado. “Eu acredito que experiência clínica e estudar saúde mental com mais profundidade é importante, então decidi aplicar para a residência”, conta. Paralelamente, ele se dedica às primeiras fases da iniciativa.

Um projeto para falar sobre saúde mental com adolescentes

O objetivo central do projeto é aumentar o letramento em saúde mental e dar suporte ao desenvolvimento de  habilidades de suporte entre pares para adolescentes. “Ter acesso a informação confiável sobre saúde mental e ter habilidades para ajudar o seu colega faz diferença na sua rede local”, explica Vinicius.

Para garantir que a iniciativa seja genuinamente relevante para o público que pretende alcançar, a equipe está formando um grupo consultivo de jovens. São dez adolescentes que acompanharão o projeto em toda a sua duração, ajudando a identificar os problemas reais enfrentados por essa geração e a criar conteúdos que façam a diferença.

“As informações que faziam falta dez anos atrás talvez não correspondam exatamente à demanda dos jovens de hoje. É também uma questão de escuta geracional”, reflete Vinicius. “Precisamos entender quais são as dúvidas e demandas que os adolescentes têm agora”

Vinicius explica que muitos dos obstáculos enfrentados por adolescentes atualmente são parecidos com os de outras gerações: falta de suporte na comunidade e no ambiente escolar, questões familiares, começo de definições sobre estudos e profissão, solidão. Nesse sentido, a internet possibilitou que jovens encontrassem apoio em comunidades, além do acesso facilitado a informações antes restritas. Toda essa disponibilidade vem com uma contrapartida: essas informações encontradas online frequentemente são incompletas ou até mesmo distorcidas

“É muito bom que a saúde mental esteja mais presente nas conversas públicas. Mas esse diálogo precisa vir acompanhado de cuidado, porque experiências emocionais complexas nem sempre cabem em explicações rápidas. O desafio hoje é falar sobre saúde mental com mais contexto e responsabilidade.

A estratégia do projeto encabeçado por Vinicius envolve três frentes: produção de vídeos curtos para redes sociais, um podcast e um programa online de aprendizado. Este último será estruturado como um módulo de habilidades para suporte entre pares, mais do que um curso convencional.

O supervisor do projeto no Instituto de Psiquiatria é Guilherme Polanczyk, chefe do Serviço de Psiquiatria da Infância e Adolescência do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP. Guilherme orienta Vinicius no desenvolvimento técnico de toda a iniciativa. A equipe segue em fase de organização, formando o grupo consultivo, testando formatos e desenvolvendo os conteúdos. Os primeiros vídeos e episódios do podcast estão previstos para junho.

Para Vinicius, existe uma oportunidade concreta nesse cenário: construir uma comunidade e uma nova forma de falar sobre saúde mental que tenha apelo para os adolescentes, mas que seja baseada em evidências. “Acho que é possível pegar uma informação importante sobre saúde mental e comunicar de uma maneira que chegue à juventude. É isso que pretendemos fazer”. 

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