Inicio Inércia de governos sobre mudanças climáticas afeta a saúde mental de 60% dos jovens

Inércia de governos sobre mudanças climáticas afeta a saúde mental de 60% dos jovens

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Inércia de governos sobre mudanças climáticas afeta a saúde mental de 60% dos jovens

Efeitos das mudanças climáticas geram altos índices de ansiedade e afetam o dia a dia de 45% dos jovens entre 16 e 25 anos – cerca de 59% dessa parcela da população está extremamente preocupada em relação às consequências do aquecimento global. Os dados foram obtidos em uma pesquisa realizada pela Universidade de Bath, do Reino Unido, com 10 mil jovens de 10 países, incluindo o Brasil.

O estudo analisou os impactos psicológicos negativos das previsões sobre os efeitos das mudanças climáticas para a sociedade e meio ambiente em relação à inércia dos chefes de Estado perante esse cenário alarmante. Entre os entrevistados, 58% afirmou acreditar que os governos estão “traindo a mim e/ou às futuras gerações”, 64% acha que as medidas adotadas não são suficientes e 75% acredita que “o futuro é assustador”.

 

 

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Problemas para a saúde mental

De acordo com esta publicação da Universidade de Bath, o estudo encontrou a ampla difusão de altos níveis de sofrimento psicológico que “afetarão negativamente a saúde mental” dos jovens. De acordo com os pesquisadores que participaram do estudo, a contínua inanição de governos em relação às mudanças climáticas provocam danos psicológicos que podem ser consideradas uma violação dos direitos humanos internacional. Para Caroline Hickman, da Universidade de Bath e co-autora da pesquisa, este estudo “sugere pela primeira vez que altos níveis de sofrimento psicológico na juventude estão ligados à inação do governo”.

Alguns relatos de jovens que participaram da pesquisa e publicados no site da Bath mostram a gravidade do cenário. “Eu cresci com medo de me afogar no meu próprio quarto”, afirma a jovem filipina Mitzi Tan, de 23 anos. “Quando tinha 16 anos, passei por fases de me sentir totalmente impotente diante desse imenso problema, e então me lançava a organizar protestos ou mudar as coisas dentro da minha escola – colocar tanta energia em algo e então ver tão pouco impacto na vida real era exaustivo”, afirma Beth Irving, de 19 anos.

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Efeitos relacionados

De acordo com o estudo a falta de ação de adultos e governantes também geram o que os pesquisadores chamaram de “cultura da desatenção”. “As defesas contra as ansiedades provocadas pelas mudanças climáticas foram bem documentadas, incluindo rejeitar, ignorar, repudiar, racionalizar e negar as experiências dos outros”.

A pesquisa também afirmou que “a ansiedade climática em crianças e jovens não deve ser vista simplesmente como causada ​​por desastres ecológicos, ela também é causada
por “outros” mais poderosos (adultos e governos), que deixam de agir sobre as ameaças enfrentadas”.

Sobre o estudo

O estudo foi feito com jovens da Austrália, Estados Unidos, Índia, Filipinas, Finlândia, França, Nigéria, Portugal, Reino Unido e Brasil em parceria com as universidades de Helsinki, NYU, East Anglia, Stanford, Oxford, College of Wooster e a Aliança Psiquiátrica Climática. A pesquisa teve financiamento coletivo da organização Avaaz.

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