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O que você precisa saber para cursar uma graduação fora do Brasil

26.02.15

Entenda o que são e como funcionam os Liberal Arts Colleges dos EUA

Entenda o que são e como funcionam os Liberal Arts Colleges dos EUA

Faculdades permitem múltiplas formações: "Sou graduada em dança, com especialização em francês e psicologia", diz consultora educacional

Nos últimos anos, o Brasil começou a discutir a ideia de interdisciplinaridade no ensino superior. As universidades públicas, de forma geral, passaram a permitir que alunos matriculados em uma determinada graduação pudessem cumprir créditos de disciplinas eletivas de outros cursos. O objetivo com isso é evitar a fragmentação do ensino e ampliar o aprendizado. Nos Estados Unidos, no entanto, esse conceito já está consolidado e é implantado de tal forma que permite a universitários, em um único curso de graduação, se formarem em áreas completamente distintas, tal qual teatro e química, biologia e filosofia, ou ainda matemática e artes.

Em um Liberal Arts College, todo mundo se forma um pouco administrador, um pouco filósofo, um pouco artista, um pouco cientista…

As instituições que oferecem essa flexibilidade são chamadas de Liberal Arts Colleges. Ao se candidatar para uma vaga em tais escolas não é preciso dizer o que se quer estudar. Isto é, diferentemente do que ocorre no Brasil, o aluno não se candidata a uma vaga em um determinado curso (psicologia, por exemplo), mas sim a uma vaga na universidade. Depois de aprovado, ele vai poder “experimentar” diversas disciplinas para saber de quais gosta mais e, somente quando se sentir seguro, vai escolher sua área de formação.

No primeiro ano, os estudantes precisam fazer as chamadas common cores, ou seja, devem cursar matérias gerais e obrigatórias, como história, inglês e matemática. A partir do segundo ano é possível – se o aluno quiser e já souber a área que pretende seguir – se concentrar em matérias que tenham relação maior com o curso pretendido.

A consutora educacional da Fundação Estudar Luciana Fortes, de 24 anos, que atua na preparação de candidatos para ingresso em universidades dos EUA, é formada no Bryn Mawr College, uma renomada escola de artes liberais exclusiva para mulheres, na Pensilvânia. “Sou graduada em dança, mas tenho especialização também em francês e psicologia”, conta ela. Algo assim, obviamente, seria impossível no Brasil.

Essa educação abrangente, na visão de Luciana, é uma das grandes vantagens dessas universidades norte-americanas: “Todo mundo se forma um pouco administrador, um pouco filósofo, um pouco artista, um pouco cientista…”.

Até mesmo por conta do nome, é comum as pessoas pensarem que um Liberal Arts College é uma faculdade só de artes. Não é. Lá, há aulas de filosofia, biologia, relações internacionais, economia, política, entre dezenas de outras. Contudo, é mais difícil encontrar graduações na área de engenharia, medicina ou direito. “Esses cursos exigem uma especialização muito grande, demandam que o aluno se dedique intensamente a certas disciplinas. E em um Liberal Arts College o objetivo é justamente não se especializar e poder estudar várias coisas ao mesmo tempo”, completa.

A lista de Liberal Arts Colleges é extensa e contempla nomes como Bates, Vassar, Middlebury, entre vários outros. Há ainda universidades grandes que, apesar de não serem denominadas Faculdades de Artes Liberais, seguem a mesma filosofia de ensino (a Liberal Arts Education). Ou seja, possuem também uma grade curricular diverficada e permitem a escolha tardia da área de formação. Este grupo é ainda maior e inclui as “tops” do mundo, como Harvard, Yale, Stanford e Columbia. Até mesmo o Massachusetts Institute of Technology  (MIT), que tem um programa forte em engenharia, segue essa linha de ensino liberal.

Vantagens e desvantagens – Em geral, os Liberal Arts Colleges priorizam turmas pequenas, que permitam muita discussão entre os alunos e acesso mais fácil aos professores. No Middlebury, por exemplo, há cerca de 2.500 estudantes e uma aula não costuma ter mais do que 17 pessoas.

A formação ampla dos alunos, segundo Luciana, também é um ponto valorizado por muitas empresas: “Nos EUA, muitas pessoas dizem preferir empregar jovens que se formaram em Liberal Arts Colleges porque eles sabem pensar de forma crítica e, por isso, podem ser colocados em qualquer função que vão se sair bem. São quase um tipo ‘faz-tudo’”, diz ela.

O lado negativo é justamente as diversas possibilidades de especialização, o que deixa alguns alunos um pouco perdidos. Além disso, como não existe nada semelhante no Brasil, pode ser que o profissional tenha dificuldade para revalidar seu diploma. Para quem tem essa preocupação, Luciana recomenda concentrar a graduação principal em uma área que já exista por aqui.

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