Por Lucas Mendes, CEO da Fundação Estudar
Desde quando estudava em Berkeley o desafio de conectar o Brasil ao Vale do Silício estava presente. Na época, uma brasileira muito animada, Margarise Correa, liderava um evento chamado Bay Brazil. Com grande alegria, as coisas seguiram evoluindo e, no começo de abril, estive novamente na Califórnia para a oitava Brazil at Silicon Valley, que se transformou em uma semana inteira de atividades e na principal agenda para o Brasil na Bay Area.
Nesse sentido, queria reconhecer a excelente governança da BSV, que me parece parte central do sucesso do evento. O board tem nomes sêniores do mercado, como Ellen Kiss, do Nubank, Isabella Canazza, do Google, Rodrigo Xavier, ex-BTG, o que garante estabilidade. A conferência é organizada por estudantes e transmite energia e inovação. É sempre um orgulho ter os fellows da Fundação Estudar envolvidos na organização da BSV, que evoluiu a cada edição.

A agenda deste ano incluiu também uma parte de wellness, com a Tech Run, corrida patrocinada pelo Cubo Itaú, em parceria com a Saasholic, de William Cordeiro, e com o escritório Pinheiro Neto Advogados. Com organização de Laura Marchiori, a iniciativa foi pensada para promover conexões em um ambiente mais leve e descontraído. Além disso, a BSV organizou uma masterclass na Stanford University, bem como visitas à NVIDIA e à Apple, entre outras empresas.
Um dos principais temas das palestras foi a inteligência artificial, como não poderia deixar de ser. Em edições anteriores, a IA ainda era tratada como promessa, algo grande que estava por vir. Desta vez, ficou claro que as empresas já operam com aplicações concretas, e que a tecnologia é usada com impactos exponenciais em diversas indústrias.
Fiquei particularmente impactado pela conversa com Pedro Franceschi sobre o uso da OpenClaw, um agente de IA de código aberto que mudou completamente a rotina dele de trabalho na Brex. O Pedro dividiu sua experiência pessoal de como a arquitetura organizacional também precisa evoluir para acompanhar a AI e isso permite organizações mais horizontais.
Também foi marcante o papo com Manoel Lemos e Pete Shadbolt, da HeyHo Ventures e PsiQuantum, respectivamente, que estão investindo na construção de um computador quântico, uma máquina do tamanho de um galpão com potencial de transformações espetaculares.

Levar nossos fellows, Bernardo Alexandre Alves Rodrigues, Emilly Raiane Rodrigues, Gabriela Santos Mendanha, Juan Teles, Luiza Voss De Gregorio, Narayane Ribeiro Medeiros, Rômulo Duarte, Hana Gabriela Albuquerque Sousa, João Pedro Costa Cruz, Marina Oliveira Levay Reis, para participar foi, sem sombra de dúvida, a parte mais importante para mim. Para vários, foi a primeira vez tirando o visto para os EUA.
É inestimável ver esse pessoal circulando com desenvoltura, conversando com pessoas tão relevantes, construindo seus contatos e se conectando com fellows mais experientes, como a futura mamãe Larissa Maranhão, que recebeu alguns deles para um jantar em sua casa.

A programação da Fundação Estudar no evento ainda contou com uma sessão de speed mentoring que reuniu Veronica Allende Serra, Carlos Watanabe, Cauam Cardoso, PhD, Fernando Quintana Merino, João Brandão e André Sapoznik para trocas com bolsistas de diferentes gerações.
A organização da BSV se esforça muito para que os relacionamentos aconteçam de verdade, disponibilizando espaços específicos para pitches, incentivando conversas informais e promovendo vários outros eventos. O resultado é que conexões que levariam meses para acontecer no Brasil se resolvem em horas, em encontros não planejados que podem ser os mais importantes.