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Stephen A. Schwarzman — o aluno que Harvard se arrependeu de não ter aprovado

Por Felipe Barreto Távora, estudante do Prep Program 2025

Harvard University definitivamente é uma das mais competitivas universidades do mundo, e talvez a que possui a maior visibilidade. Nesse sentido, com um time de admissões extremamente sobrecarregado com muitas das aplicações mais competitivas do mundo, é rotineiro a tomada de decisões extremamente difíceis pelos Admission Officers (AO), fazendo, às vezes, que a diferença entre uma rejeição e uma aprovação se dê por mínimos detalhes, por vezes subjetivos e não unicamente meritocráticos, tal qual a questão da diversidade.

Assim, grandes talentos ao longo dos séculos foram rejeitados por Harvard. É claro, porém, que, com tantos anos de história e com outras instituições extremamente competitivas tendo aprovado candidatos rejeitados por Harvard, a sensação de arrependimento por não ter aceitado um aplicante que posteriormente se tornou um profissional extremamente bem-sucedido pode ocorrer, já que, embora muito consolidado, o processo de application não elimina a inerente imprevisibilidade do futuro profissional de alunos do ensino médio.

Nesta matéria, você conhecerá a história de Stephen A. Schwarzman, atual diretor executivo da Blackstone Inc. e fundador de um dos maiores programas de mestrado do mundo: o Schwarzman Scholars, criado em colaboração com a Universidade Tsinghua, em Pequim, na China, com duração de um ano, que prepara jovens para cargos de liderança global. Schwarzman hoje possui um patrimônio estimado em 49,5 bilhões de dólares e é a 33ª pessoa mais rica do mundo, segundo o ranking da revista Forbes de 2025.

Entretanto, no processo de admissões de 1964, há mais de 60 anos, era a vez de Stephen ser um desses jovens ambiciosos, ansiando por uma das educações de maior qualidade do mundo e por uma rede de networking capaz de proporcionar algumas das melhores oportunidades do mercado de trabalho: aquelas ofertadas pela Harvard University.

O dia do resultado chegou e ele entrou na famosa lista de espera, isto é, foi “waitlisted”. Audacioso desde aquela época, não aceitou o não recebido pela universidade e encontrou, em um documento, o número do “Dean of Admissions”, o reitor de admissões. Assim, ligou diretamente para ele, afirmando que gostaria que a universidade reconsiderasse sua situação e o retirasse da lista de espera para que fosse admitido. O reitor ficou surpreso, já que não podia falar com candidatos, mas, mesmo ao saber disso, Schwarzman continuou.

O reitor então informou que, infelizmente, a lista de espera não seria utilizada — nenhum aluno seria admitido por meio dela — e perguntou se Schwarzman havia sido aprovado em outras instituições. Ele respondeu que sim, que havia sido aceito por outra prestigiada universidade, fundada inclusive para replicar o modelo educacional de Harvard: a Yale University. O reitor comentou que Yale era um local “adorável” e que ele teria um excelente tempo lá. Assim, Schwarzman conheceu o não definitivo, mas defende que sua filosofia de persistência — que, segundo ele, tem inspirações na cultura chinesa — foi o que o levou a construir uma carreira tão bem-sucedida ao longo das décadas.

Após se formar em Yale, em 1969, o futuro magnata vive sua primeira grande reviravolta ao conquistar o MBA (Master of Business Administration) na renomada Harvard Business School, em 1972. Depois de sua passagem pelo gigantesco banco de investimentos norte-americano Lehman Brothers, conheceu Peter G. Peterson e, em 1985, fundaram juntos a Blackstone Inc., que se tornaria a maior gestora global de investimentos alternativos. Assim, Schwarzman construiu um império multimilionário.

Certo dia, recebeu em seu escritório o CEO da McKinsey & Company, empresa global de consultoria e gestão, Bob Sternfels, que possui forte conexão com a universidade de Harvard. Ao saber disso, Stephen contou-lhe a história e, quando Bob perguntou de que ano se tratava, ele se surpreendeu com a coincidência: o reitor de admissões com quem havia falado era amigo próximo de Sternfels, que, com o aval de Schwarzman, relatou ao ex-reitor a conversa que tivera com Stephen.

Duas semanas depois, Stephen recebeu uma carta do agora ex-reitor com algo revelador: ele se lembrava da ligação de 1964 e confessou que, toda vez que via Schwarzman mencionado no jornal que costumava ler, pensava consigo mesmo: “eu estraguei tudo”. Ou seja, o reitor arrependeu-se da decisão tomada à época e gostaria de ter aprovado Schwarzman para estudar em Harvard College.

A história de Schwarzman com Harvard é um exemplo que ilustra a falibilidade presente em decisões tão subjetivas quanto as do processo de admissão às universidades americanas e a necessidade de, diante de um resultado absolutamente incerto — especialmente nas instituições mais competitivas, como Harvard —, ter a resiliência e a persistência como farol. Schwarzman, ainda que sem sucesso naquele momento, teve a coragem de ligar para o escritório de admissões e criar um episódio memorável de sua vida, além da resiliência de, após a frustração, provar seu valor — algo que jamais pode ser medido por um único processo seletivo ou por um único escritório de admissões.

Ao aplicante ou futuro aplicante que lê esta coluna, que o exemplo e a história de vida de Schwarzman sirvam de lição: sempre haverá um Admission Officer capaz de enxergar seu verdadeiro valor, e será a resiliência e a persistência que lhe garantirão um futuro brilhante.

 


 

Felipe Barreto Távora é um estudante do Sistema Colégio Militar do Brasil que ingressou no Prep Program em 2025. Entre seus interesses, destacam-se a política, área de vários membros de sua família, além das relações internacionais, paixão antiga potencializada pelas simulações da ONU. Felipe sonha em estudar em Harvard ou Yale e as humanidades são a sua grande paixão.

 


A coluna acima foi escrita por Felipe Barreto Távora, participante do Prep Program, preparatório da Fundação Estudar com foco em jovens que desejam cursar a graduação no exterior. Totalmente gratuito, o programa oferece orientação especializada sobre o processo de candidatura em universidades de fora do país. Saiba mais e faça sua inscrição aqui.



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