Um ano, dois intercâmbios: da Holanda ao trabalho voluntário no Camboja

estudante Thomaz Barbosa no Camboja

Por Vivian Carrer Elias

O universitário que deseja fazer intercâmbio durante a graduação possui diversas opções de programas, incluindo de estudos, trabalho e voluntariado. Existe, também, a possibilidade de aproveitar o tempo no exterior para unir diferentes experiências – e até mesmo em países variados – e retornar ao Brasil com uma bagagem ainda mais rica.

Foi o que fez Thomaz Barbosa, 25 anos, recém-formado em economia na Universidade de São Paulo (USP). Em 2013, ele cursou um semestre da graduação na Universidade de Groningen, na Holanda, em um convênio que a instituição mantém com a USP. Depois, trancou a faculdade, arrumou as malas e partiu direto para a Ásia, por onde viajou durante quatro meses e atuou como voluntário no Camboja.

Segundo o recém-formado, fazer uma viagem seguida da outra reforçou o contraste que existe entre esses dois tipos de experiências. Groningen é uma importante cidade universitária da Holanda, um dos países mais ricos e modernos da Europa. Viver na nação é também entrar em contato com um lugar que valoriza a sustentabilidade e a educação. Para se ter uma ideia, seis universidades entre as 100 melhores do mundo, segundo a Times HigherEducation, são holandesas.

“Ao viver lá, aprendi como funciona uma sociedade organizada e moderna, que valoriza a mobilidade, educação e tecnologia. Percebi que o Brasil tem muito o que fazer nesse sentido. Além disso, vivi em uma residência estudantil, onde entrei em contato com pessoas de toda a Europa”, diz Thomaz, que teve aulas em inglês na universidade holandesa.

Já o trabalho voluntário feito por ele foi intermediado pela IVHQ (InternationalVolunteer HQ), que havia sido indicada por um amigo. “Eu me candidatei quando ainda estava na Holanda. Essa empresa recruta pessoas que ajudam desde dando aula de surf até cuidando de bebês em nações subdesenvolvidas. Eu pude escolher qual país e projeto para participar”, conta.

No fim da minha estadia, recebi cartas de alunos me agradecendo pelas aulas. Mas, na verdade, quem aprende com essa experiência é o próprio voluntário

Durante as quatro semanas que esteve no Camboja, Thomaz deu aulas de inglês para adolescentes e adultos. “Eu precisava pensar em tudo, desde elaborar as provas até no conteúdo da aula”, diz. “As necessidades por lá são tão urgentes que o pouco do idioma que eles aprendem já ajuda a melhorar a qualidade de vida”.

Segundo Thomaz, as dificuldades da viagem pela Ásia e da estadia no Camboja foram importantes para o seu amadurecimento. “Hoje sinto uma autonomia e uma liberdade muito grande, tenho menos dificuldade em lidar com pessoas de cargos superiores de empresas ou grandes acadêmicos”, diz.“O voluntariado era cansativo às vezes, mas foi uma experiência muito marcante. Aprendi a me virar e a sair da minha zona de conforto. No fim da minha estadia, recebi cartas de alunos me agradecendo pelas aulas. Mas, na verdade, quem aprende com essa experiência é o próprio voluntário.”

Ao retornar para o Brasil, Thomaz se inscreveu em programas de estágio e, no final de 2015, de trainees. Ele percebeu que as duas experiências foram bem vistas pelos recrutadores. “As empresas demonstraram interesse nas duas situações que vivi. Ou seja, uma mais acadêmica, em que precisei ler artigos complexos em inglês, por exemplo, e a outra na Ásia, na qual precisei sair da minha zona de conforto, criar aulas, lidar com diferenças culturais gigantescas”, conta.

O saldo positivo dessa experiência foi enorme para Thomaz. “Conhecer o mundo e pessoas diferentes me ajudou a ter ideia do que quero para a minha vida em relação à qualidade de vida. Quero sempre conhecer novas realidades. O mundo é muito grande e bonito. Pensei durante toda a minha viagem: ‘Onde eu estava esse tempo todo que não conhecia essas coisas?’”.

 

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