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Como é ver uma sessão do CSNU presencialmente na sede das Nações Unidas? Relato de um estudante

As simulações das Nações Unidas são eventos extremamente importantes, independentemente se serão ou não uma importante extracurricular (e realmente são) para o processo de application . Com elas, se aprende muito sobre habilidades importantíssimas para o atual mercado de trabalho, que busca pessoas não só com notas altas e com excelência acadêmica, mas também oradores, líderes, pessoas que sabem articular, convencer, persuadir.

É esse tipo de jovem que atividades como simulações da ONU molda. Além disso, é com essas simulações que são dadas oportunidades inesquecíveis a estudantes de conhecerem outros países e, até mesmo, a própria sede das Nações Unidas.

Anualmente, diversos institutos que promovem simulações da ONU levam delegações de alunos para competirem nas mais tradicionais simulações do mundo nos EUA: a Harvard Model United Nations (HMUN) e a Yale Model United Nations (YMUN). Assim, aproveitam e visitam a maravilhosa cidade de Nova Iorque, onde está localizada a sede principal da ONU. Nesse momento, então, delegados que por anos simulam os mais ávidos debates simulando a ONU vêem toda essa simulação agora se tornar realidade, e se materializando diante de seus olhos.

Nesta matéria, você vai entender um pouco mais da minha história, do que fez eu ter acesso a essa oportunidade e, claro, como foi viver esse momento mágico, no para mim eterno dia 21 de janeiro de 2025, o dia da realização de um grande sonho.

O Sistema Colégio Militar do Brasil (SCMB), sistema de ensino de natureza jurídica pública subordinado ao Exército Brasileiro, é uma rede que possui dentre os seus Projetos Educacionais a “Missão para o Exterior”, onde são escolhidos 15 alunos dentre os quase 15000 membros do corpo discente dos colégios militares. Já com simulações internas em cada colégio, seus respectivos clubes de relações internacionais e uma simulação das Nações Unidas que abrange todas as escolas anualmente em outubro, em Brasília, a MUNdoCM, os estudantes escolhidos possuem larga experiência na área e participam ora da HMUN (Harvard Model United Nations) ora da ILMUNC (Ivy League Model United Nations Conference), promovida pela Universidade da Pensilvânia. 

Quando chegou a minha vez, fui à ILMUNC. A preparação começou cedo, em agosto, e como é um evento anual, na ocasião da competição de outubro já citada entre os colégios militares, foi feita uma reunião entre os alunos que tinham ido em 2024 e os que iriam em 2025. Assim, já senti a emoção de participar de tão grandiosos momentos, onde colegas de todo o Brasil saem da viagem grandes amigos e, claro, com MUITAS saudades uns dos outros. Depois de meses de preparação, fomos à Brasília para nos preparar para a viagem e receber orientações dentro do Colégio Militar de Brasília. Após esses dias de intenso aprendizado e os primeiros momentos marcantes, finalmente chegou a hora de ir aos EUA.

O primeiro destino foi Nova Iorque. Visitamos os principais pontos turísticos, mas um dia foi reservado para o ápice de nossa experiência: sim, a ONU! O dia 21 começou com a visita à Missão Permanente do Brasil na ONU, onde tivemos a oportunidade de conhecer e conversar com o Embaixador Sérgio Danese! Além disso, aprendemos muito sobre o processo de admissão à diplomacia e sobre o funcionamento de uma missão brasileira no exterior.

Nossa inesquecível visita à Missão Permanente do Brasil na ONU. Nos quadros que nos rodeiam na imagem, aparecem destacadas figuras da diplomacia brasileira, a exemplo de Pedro Leão Velloso, Oswaldo Aranha (ex-aluno do Colégio Militar do Rio de Janeiro) e Bertha Lutz.

De lá, entramos no ônibus e, apesar de usar luva por causa da farda de gala do colégio, minhas mãos tremeram pelo frio e por causa donervosismo. Entramos na ONU.

Junto com a assistência da equipe da Missão Permanente do Brasil na ONU, fizemos um tour maravilhoso pela sede da ONU, passando pelo ECOSOC (Conselho Econômico e Social), o extinto Conselho de Tutela, o famoso CSNU (Conselho de Segurança da ONU) e pela magnífica AGNU (Assembleia Geral das Nações Unidas). É nesses momentos que a ficha cai, quando vimos que o sonho se torna realidade e que sim, somos capazes de realizá-los. Na ONU, vimos também presentes que foram dados por cada país, as bandeiras ao redor da sede estavam abaixadas em luto pela recente morte do 39º presidente americano Jimmy Carter.

Chegou então a hora do almoço…e que networking, meus amigos! Falamos com funcionários da ONU e foi uma experiência riquíssima de troca de conhecimentos e experiências. Queria muito ver uma sessão da ONU ao vivo, pois até agora visitamos os comitês vazios. E não é que no almoço sentei justamente com um dos funcionários responsáveis pelo cronograma?

Nossa visita à Assembleia Geral das Nações Unidas. Curiosidade: ninguém sabe o significado das obras de arte contemporâneas que apareceram na direita e na esquerda. Todos os anos, vários chefes de estado se fazem a mesma pergunta que você, agora, se faz, quando está olhando para elas!

Não sou uma pessoa que desiste fácil, então logo perguntei e ele disse que ia ter sessão na parte da tarde…adivinha aonde? No CSNU! Pois é, paralisei, falei com os oficiais responsáveis e lá fomos. 

Entramos e quando eu vi aquele CSNU cheio de diplomatas reais, na minha frente, ao vivo eu fui tomado pela emoção. Fiquei arrepiado e sentei na cadeira da frente. Foram apenas 10 minutos de sessão, mas acreditem: 10 minutos muito valiosos, um dos mais valiosos da minha vida até então. Eu comecei a chorar, mas não o suficiente para tirar a minha atenção das ávidas discussões que estavam acontecendo. Fui o último a sair da sala, mas que prazer foi estar lá, poder dizer à família que vi uma sessão do CSNU! 

Finalizo essa matéria mostrando que mais do que a sensação emocionada que tive ao realizar um sonho, é a mensagem de que nunca ache que as coisas não vão dar certo se você não se utilizar de todos os meios à disposição para torná-la realidade! Assim o fiz, e fico muito feliz de ter sido a persistência a ferramenta que me levou até lá, àquela sessão do CSNU, naquele momento e com aquelas pessoas que se tornaram, junto com os 3 militares e 1 professor que nos acompanharam, verdadeiros amigos, irmãos e irmãs, espalhados pelo Brasil, mas sempre e eternamente dentro do coração. 

Nossa delegação no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Isso, claro, quando estava vazio, pois no momento em que estava cheio de representantes de países não podíamos gravar.



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