Home » Educação » Arquivo do Prep » Como as olimpíadas científicas podem transformar sua história

Como as olimpíadas científicas podem transformar sua história

Por Fausto Rodrigues Santos

10 horas da noite, quinta-feira, em um ônibus.

Esse foi o cenário do dia em que recebi um link pelo whatsapp contendo a bendita tabela com os classificados para a Olimpíada Internacional de Química Mendeleev, que ocorreria na Rússia.

Embora essa tenha sido uma das histórias mais felizes da minha vida, somada à viagem, é impossível falar que o impacto de participar de uma internacional se resume somente a isso.  Por isso, quero te mostrar como as Olimpíadas científicas podem transformar a sua história! (E alguns grandes erros comuns dessa caminhada).

Naturalmente, a primeira visão de uma olimpíada é a de garotos superdotados, decorando milhares de coisas e lendo dezenas de livros de graduação (essa última parte é verdade para olimpíadas internacionais). Só que essa imagem está bem incompleta.

Olimpíadas científicas são, antes de mais nada, um sistema para promover o desenvolvimento de talentos. Existindo em diversas áreas de conhecimento, fazer uma olimpíada é equivalente a:

  • Descobrir interesse em determinada área, desenvolvendo-se na mesma, facilitando sua vida acadêmica no futuro;
  • Disputar posições para viver experiências fenomenais como treinamentos especiais, viagens, cerimônias de premiação, iniciações científicas nacionais ou até mesmo internacionais;
  • Gerar visibilidade para sua carreira e perfil, atraindo atenção de recrutadores e faculdades americanas (somado a um network muito bom);
  • Aprender a estudar e gerenciar seu tempo em alto rendimento.

Além de, é claro, te ajudar a amadurecer no processo e a elevar sua confiança.

A preparação para olimpíadas consiste primordialmente em um trabalho inteligente e consistente. O começo dessa caminhada tende a ser a pior parte, afinal, é preciso que você desenvolva uma boa base para não ser necessário ficar retrabalhando nela a toda hora (embora tenha que refazê-la com certa frequência). Ademais, a quantidade de conteúdo costuma assustar bastante no começo, o que faz com que uma estruturação de cronograma seja essencial.

Por favor, não negligencie as partes “bobas”, ou simples. Já vi casos de alunos errando PV = nRT numa seletiva de química. Normalmente, os fundamentos básicos são os que mais caem nas provas, diretamente ou como complemento para exercícios mais difíceis. 

1º grande erro de estudantes – Ignorar a base e tentar se guiar em livros fora do próprio nível

Naturalmente, você não vai saber de tudo, por isso, a maior parte do seu tempo no início se baseará em teoria e “poucas” questões. Porém, conforme você se aproxima da competição, é necessário que essa proporção seja invertida. Conhecendo suas dificuldades, programe-se, caso possível, para terminar o edital de um mês a dois meses antes da prova.

Obviamente, nem sempre isso será verdade, e se você não tem 3 ou 4 meses até sua prova, está tudo bem. Basta fazer um cronograma mais intensivo buscando ter o máximo de tempo possível com o edital fechado.

A partir disso, temos o 2º grande erro de estudantesEstudar pelo feeling, sem plano estruturado para terminar todos conteúdos do edital (estudo inconsistente)

Devido à natureza da atividade, olimpíadas costumam exigir que você seja autodidata. Mesmo vindo de um colégio grande, é importante saber estudar por livros. Embora possa ser difícil de acostumar, a natureza self-paced (seu ritmo) dos livros vai te permitir tanto estudar teoria como ter um repertório de questões para praticar (além de abordar os tópicos na profundidade necessária para seletivas e nacionais).

Porém, saiba que muitos projetos bons—soel,olympic birds, ABF, obf-rj, poti—já divulgaram aulas de excelente qualidade que podem ser mais rápidas do que ler um livro completo. 

O 3º grande erro dos estudantes é ser alienado quanto ao seu método de estudo, tentando trabalhar de forma unidirecional sem utilizar todos os recursos disponíveis.

Seja eficiente, conhecendo o que é melhor para você, mas não negligenciando outras formas de conteúdo.

Por fim, faça muitos simulados (tente usar IA para te ajudar nisso). Lembre-se do 2º erro: seu calendário deve incluir simulados desde o começo, e de preferência eles devem ser personalizados de acordo com o que você está estudando

Desse modo, você consegue alcançar um resultado incrível e pode conseguir:

  • Bolsas de estudo
    Instituições como Pensi, Ari de Sá, Farias Brito e outras oferecem bolsas integrais para medalhistas (Rede Salta tem um processo anual para bolsas). Não só acessibilizando seu estudo, mas possibilitando que você faça parte das melhores escolas do Brasil. ( OBS.: Morar em alojamento é muito bom!)
  • Acesso a laboratório e pesquisa
    Além de poder participar de iniciações científicas de diversas formas, as olimpíadas podem ser uma porta para isso, fazendo com que professores de faculdade te percebam de forma diferente. Muitos se tornam mais propensos a te aceitar por esse motivo (o networking que a olimpíada te dá também é decisivo nisso).
  • Treinamentos Nacionais
    Conforme você avança nos processos: Estaduais -> Nacionais -> Seletivas, mais oportunidades de treinamento em grandes colégios ou faculdades surgem. Isso não somente preencherá seu currículo, mas também te ajudará a ter experiências muito enriquecedoras.
  • Programas internacionais
    As internacionais levam você literalmente para outros países — e para dentro de redes de jovens brilhantes do mundo inteiro. O contato com a mentalidade e a cultura científica de outros países transforma a forma como você enxerga o que é possível. (LITERALMENTE! Além de ser viciante viajar)
  • Reconhecimento em candidaturas
    Universidades americanas de elite e programas competitivos no Brasil e no exterior leem olimpíadas como sinal de capacidade intelectual genuína e disciplina excepcional. Uma medalha de ouro na OBQ, por exemplo, carrega peso diferente de um 10 em química na escola.

Vale dizer que nem tudo é fácil. Quanto mais próximo das seletivas internacionais, maior vai ser o seu esforço e a necessidade de abrir mão de outras coisas para focar nos seus estudos, e mais puxada e corrida vai se tornar a sua rotina. Porém, falo com todo o meu coração e com certeza absoluta: Essa caminhada vale muito a pena!

Se você é do tipo de pessoa que precisa de um motivo maior do que uma nota, que sente algo especial quando um problema difícil finalmente faz sentido, que prefere o desconforto do crescimento ao conforto da mediocridade — então as olimpíadas são para você.

E se um dia você estiver num ônibus, às 22h30, vibrando com o celular iluminando o seu rosto no escuro, vai entender o que quero dizer.

 


A coluna acima foi escrita por Fausto Rodrigues Santos, participante do Prep Program, preparatório da Fundação Estudar com foco em jovens que desejam cursar a graduação no exterior. Totalmente gratuito, o programa oferece orientação especializada sobre o processo de candidatura em universidades de fora do país. Saiba mais e faça sua inscrição aqui.

Fausto é um jovem sonhador que veio da periferia do Rio de Janeiro, apaixonado por startups, olimpíadas e programação. Medalhista de mais de 30 olimpíadas, fez parte da equipe brasileira na IMChO-60; atualmente, almeja participar da IOAI e da IOI. Fundou o projeto SOEL, focado em olimpíadas, e trabalha no Sistema San – sistema de IA para gestão de aprendizagem na rede pública brasileira.

O que você achou desse post?

Sobre o escritor

Artigos relacionados

Os melhores conteúdos para impulsionar seu desenvolvimento pessoal e na carreira.

Junte-se a mais de 1 milhão de jovens!