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01.11.16

O MBA forma líderes – mas não da forma que você pensa

o estudante Matheus Costa em Cornell, nos Estados Unidos

Em seu primeiro ano do MBA em Cornell, Matheus Costa explica como suas habilidades de liderança são testadas e refinadas durante o programa.

Por Matheus Simões Pires

Um MBA é um treinamento em liderança. Mas este treinamento não acontece em uma sala de aula ou em uma cadeira (como eles chamam as disciplinas aqui) chamada Liderança. O programa nos prepara para sermos líderes de maneiras tangenciais – um treinamento paralelo, que acontece 24 por dia e de diversas formas. Assim, muitas coisas que inicialmente não fazem sentido começam a fazer quando se olha essa experiência sob uma ótica de “escola de líderes”.

Se eu tivesse que explicar como vejo o mindset de um MBA seria mais ou menos o seguinte: Você vai ser posto em um ambiente com muita gente melhor do que você, vai receber metas incrivelmente ambiciosas, mas também vai receber todos os recursos que você necessários para bater essas metas. Como você vai lidar com tudo isso?

A parte das metas incrivelmente ambiciosas se deve ao sistema de pontuação. Aqui as notas são medidas por um sistema chamado de “Curva forçada”. Ele funciona mais ou menos assim: A média da escola é o B+, mas o quantos pontos em uma escala de 1-100 isso vai representar depende da performance dos próprios alunos. Então caso a prova seja muito difícil, provavelmente as médias vão ser mais baixas; se a prova for fácil, muitos alunos se sairão bem e a régua geral será bem mais alta. Isso parece ser uma coisa boa – até nos lembrarmos que um MBA é composto dos melhores alunos, acostumados a sempre serem os melhores da turma. No caso de Cornell, isso faz a média de uma prova de contabilidade ser 93/100.

 

Recursos e Conexão com o Mercado

A parte dos recursos na minha opinião é a mais interessante. O número de redes de apoio e oportunidades de buscar auxílio é realmente incrível por aqui. Por exemplo, nós temos o Career Management Center (CMC) – um escritório com pessoas dedicadas inteiramente a conectar alunos com empresas. Dentro dele existem pessoas especializadas em cada uma das grandes áreas de recrutamento (General Management, Investment Banking, Consulting, Marketing e Technology). Qualquer aluno pode a qualquer momento marcar uma reunião com eles para discutir, empresas, resume, pitches e PARS (pedaços da entrevista).

Depois, temos os clubes – que também são específicos para o tipo de área que se quer recrutar e que são mantidos por alunos do segundo ano e se reúnem toda semana para nos preparar para o recrutamento. Eles nos auxiliam com todo tipo de demanda, desde como escrever um e-mail para um Alumnus pedindo um Informational (ligação para conhecer melhor a  empresa onde ele trabalha) até sobre como se vestir para um Corporate Briefing (evento de apresentação e networking com grandes empresas).

Depois dos clubes existem os Career Work Groups (CWG’s) que, assim como os clubes, são mantidos por alunos do segundo ano mas são bem menores e mais pessoais que os clubes. Enquanto as reuniões dos clubes são mais como palestras, as reuniões dos CWG’s são como workshops, nos quais discutimos em grupo nossas estratégias pessoais e damos e recebemos feedback uns aos outros.

Um bom líder é aquele que sabe quando, como e por que utilizar os recursos que são disponíveis.

Ainda depois dos CWG’s existem ainda os Core Teams – grupos de 5 alunos da sua turma que serão sua equipe ao longo do semestre. É com este grupo que fazemos todos os tipos de trabalhos e competições. A primeira tarefa que precisamos fazer com o nosso Core Team é um contrato formal, estabelecendo o que vai ser esperado, permitido e não tolerado nas interações e projetos do grupo. Dentro dos core teams ainda nós temos o Johnson Leadership Fellow, um aluno do segundo ano que é um mentor para o nosso Core Team, e que nos ajuda tanto com demandas do grupo mas também com questões pessoais.

Mas se você pensa que esses recursos simplesmente são feitos apenas para facilitar a vida do estudante, está muito enganado. Nós precisamos pensar aqui no que eles falam sobre líderes e a vida de um líder. É aí que entra o aspecto de “saber lidar com complexidade” da liderança.

Imaginem o quão complexa e incerta é a vida de um líder, com rotinas incrivelmente atarefadas, muitas vezes tomando decisões sem todas as informações, e precisando utilizar os recursos que existem para auxiliar ele nesse processo. É exatamente aí que esse treinamento tangencial do MBA entra em cena: somos expostos todos os dias a estes desafios aqui em Cornell – em meio as aulas de contabilidade, o CWC, os Clubes, o CWG, o Core team e o JLF. Um bom líder é aquele que sabe quando, como e por que utilizar os recursos que são disponíveis. Um líder excelente é aquele que consegue fazer tudo isso e ainda fazer um churrasco com os amigos no final de semana.

 

Sobre Matheus Simões Pires
Empreendedor em Design de Produto pela UFRGS, Matheus é aluno no MBA da Cornell University. Com 21 anos fundou a Mutta Shoes, empresa de calçados masculinos focada no mercado exterior. Matheus é palestrante, maratonista, músico e apaixonado por desenvolvimento pessoal e excelência profissional. Acompanhe seu Instagram.

 

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