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Conheça as ‘novas Ivy Leagues’

Conheça as ‘novas Ivy Leagues’

Por Vitor Hugo Comparin Novello

Quando o assunto é estudar nos Estados Unidos, é quase automático pensar em nomes como Harvard, Yale ou Princeton. Essas instituições fazem parte de um seleto grupo de universidades, conhecido como Ivy League ou “Liga da Hera”. A Ivy League carrega um prestígio construído ao longo de séculos e que ainda hoje é sinônimo de excelência acadêmica por todo o mundo. Mas será que elas continuam sendo as melhores opções para quem quer estudar fora e construir uma carreira sólida depois da graduação?

Segundo um levantamento recente da revista Forbes (2025), a resposta é mais complexa do que parece. A publicação criou o conceito de “Conheça as “novas Ivy Leagues”” (novas Ivies) para descrever um grupo de vinte universidades, sendo dez públicas e dez privadas, que, na avaliação de recrutadores e empresas, estão formando profissionais tão bem preparados quanto os graduados das Ivies tradicionais, ou até mais.

Por que esse debate ganhou força

A pesquisa da Forbes ouviu executivos e gestores de recursos humanos nos EUA e os resultados chamaram atenção. Uma grande parte desses profissionais afirmou estar menos disposta a contratar recém-formados das universidades da Ivy League do que estava há cinco anos. As críticas mais citadas são a falta de humildade de alguns candidatos e uma percepção de que essas universidades nem sempre preparam os alunos com as habilidades práticas exigidas pelo mercado atual.

Ao mesmo tempo, os empregadores estão demonstrando mais confiança em estudantes vindos de universidades públicas e de outras instituições privadas, que têm investido bastante em programas de pesquisa, parcerias com empresas e formação voltada ao mercado de trabalho. Em resumo, o mercado de trabalho está começando a olhar para um conjunto bem mais amplo de universidades do que os oito nomes tradicionais.

Quem são as “novas Ivies”

Para chegar na lista, a Forbes analisou diferentes critérios como tamanho do corpo discente, seletividade no processo seletivo, notas médias de testes padronizados (SAT e ACT) e, principalmente, a percepção de empregadores sobre a qualidade dos profissionais. Vale destacar que a metodologia não considera as oito Ivies tradicionais e também nomes como Stanford, MIT, Duke e University of Chicago, consideradas “Ivy Plus” por estarem em um patamar de prestígio equivalente.

As universidades públicas que entraram na lista são: Georgia Institute of Technology, University of Michigan, University of Virginia, University of North Carolina at Chapel Hill, University of Texas at Austin, University of Illinois Urbana-Champaign, Purdue University, University of Pittsburgh, William & Mary e da United States Military Academy (West Point).

Já as privadas que entraram nessa lista são: Johns Hopkins University, Northwestern University, Georgetown University, Carnegie Mellon University, Vanderbilt University, Emory University, Rice University, University of Notre Dame, Tufts University e Washington University in St. Louis.

O que isso muda para quem pensa em estudar fora

Essa análise é um sinal para incluir outras instituições de ensino na sua college research. Muitos estudantes internacionais colocam as Ivies como as únicas opções possíveis quando pensam em “faculdade dos sonhos” nos EUA. Isso é compreensível porque são universidades com reconhecimento global, redes de contato poderosas e agregam um peso simbólico no currículo. Mas essa limitação pode acabar deixando de fora excelentes alternativas, muitas vezes mais alinhadas ao seu perfil, aos seus interesses e até ao seu orçamento.

Universidades como Georgia Tech e Purdue, por exemplo, são referências mundiais em engenharia e tecnologia. Johns Hopkins é destaque em pesquisa médica e biomédica. Vanderbilt, Emory e Notre Dame combinam tradição, vida universitária animada e alta empregabilidade. E universidades públicas, como University of Michigan e University of Virginia, oferecem um custo-benefício mais interessante para quem não vai contar com bolsa integral, especialmente quando se considera in-state tuition ou simplesmente mensalidades mais baixas que as privadas.

Isso não significa que as Ivies não possuem mais o mesmo valor, elas continuam entre as instituições mais respeitadas do planeta, com professores renomados, recursos financeiros robustos e redes de ex-alunos influentes. A questão principal é que existe muita qualidade acadêmica fora desse grupo fechado de oito nomes.

E não é ache que a competitividade para passar nessas instituições é menor, a concorrência para entrar nelas também é grande: as privadas dessa lista, por exemplo, aceitam em média um a cada sete candidatos, e os alunos aprovados costumam ter notas médias no SAT até superiores às de algumas Ivies, como Cornell.

A evolução da lista e o impacto da Inteligência Artificial

É importante destacar que essa lista não é fixa: a Forbes atualiza a seleção anualmente para acompanhar as transformações do mercado. Na edição mais recente, de 2026, a lista passou por algumas mudanças, com a entrada de instituições como a University of Florida e a Case Western Reserve University, e a saída de outras, como Johns Hopkins, que foi reclassificada para a categoria “Ivy Plus”.

Mais do que algumas mudanças, a  reflexão trazida pelo relatório atual foi o impacto da Inteligência Artificial (IA) no mercado de trabalho. Os recrutadores entrevistados apontaram que, com a automação de funções técnicas básicas, as empresas passaram a priorizar universidades que preparam seus alunos para dominar ferramentas de IA e que, simultaneamente, desenvolvem habilidades intrínsecas ao ser humano, como pensamento crítico e adaptabilidade. 

Como usar essa informação no seu planejamento

Se você está pensando em estudar nos Estados Unidos, vale a pena usar essa lista como ponto de partida para pesquisar universidades que talvez nunca tivessem passado pelo sua cabeça. Antes de fechar sua lista de instituições para aplicar, considere:

  • O curso que você quer fazer. Algumas dessas universidades são referências mundiais em áreas específicas, como engenharia, negócios ou ciências da saúde, o que pode pesar mais do que o nome da instituição em si.
  • O ambiente do campus e a cultura da faculdade. Cada uma dessas universidades têm uma identidade própria, seja uma cultura de competitividade maior ou um campus tradicional de universidade americana.
  • O custo total e as possibilidades de auxílio financeiro. Universidades públicas costumam ter mensalidades mais baixas, mesmo para estudantes internacionais, e muitas privadas oferecem pacotes de bolsa relevantes para estudantes vindos de fora dos EUA.
  • A empregabilidade após a formatura. Pesquise o histórico de contratação de cada universidade nas áreas do seu interesse, muitas dessas instituições têm parcerias diretas com grandes empresas.

No fim das contas, o mais importante não é pensar apenas no nome de prestígio, mas encontrar a universidade que realmente vai te preparar bem de acordo com o seu perfil e seus planos futuros. As “novas Ivies” mostram que esse caminho é bem mais amplo, e talvez até mais promissor, do que os oito nomes que a gente está acostumado a ouvir.

 



A coluna acima foi escrita por Vitor Hugo Comparin Novello, participante do Prep Program, preparatório da Fundação Estudar com foco em jovens que desejam cursar a graduação no exterior. Totalmente gratuito, o programa oferece orientação especializada sobre o processo de candidatura em universidades de fora do país. Saiba mais e faça sua inscrição aqui.

 


Vitor Hugo, nascido na Serra Gaúcha, é estudante do IFRS, onde cursa o Técnico em Plásticos Integrado ao Ensino Médio. Com interesse em tecnologia, ciência e educação, desenvolve pesquisa na área de engenharia de materiais e participa de iniciativas de ensino voltadas à impressão 3D, robótica, inglês e matemática. Também participa de olimpíadas acadêmicas na área STEM e integra a equipe de voleibol e a comissão de pesquisa de sua escola. Nas horas livres, gosta de ouvir música e viajar.

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Sobre o escritor

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