Inicio Boa nota nos exames de proficiência é suficiente para estudar fora?

Boa nota nos exames de proficiência é suficiente para estudar fora?

Boa nota nos exames de proficiência é suficiente para estudar fora?

Já é sabido que, para quem deseja continuar seus estudos no exterior, em cursos de graduação ou pós, que o inglês é requisito básico. Já no processo de admissão, a maior parte das universidades pede, por exemplo, a comprovação do seu domínio em nível específico, por meio dos exames de proficiência.

Essa etapa tem como função garantir que o aluno domina o idioma, e possui as habilidades essenciais para absorver o que será passado em sala de aula. Além disso, o suficiente para realizar as atividades pedidas e se relacionar com professores e colegas. Tudo isso por meio de uma ferramenta construída de maneira alinhada aos parâmetros internacionais. No caso, o Quadro Europeu Comum de Referência para Línguas (CEFR), com a emissão por meio de uma instituição isenta de interesses comerciais.

Entretanto, será que esse conhecimento impacta realmente o desempenho acadêmico? Ou é apenas uma burocracia imposta durante o processo de aceitação?

O nível nos exames de proficiência em inglês é suficiente? 

Um recente estudo da Universidade de York, na Inglaterra, realizado pela psicóloga Meesha Warmington e pela professora associada de segunda língua Danijela Trenkic, nos traz uma resposta. Mais do que isso, um convite à reflexão sobre o papel que a linguagem desempenha no potencial acadêmico de alunos estrangeiros.

Para cumprir o efeito comparativo, foram recrutados 63 estudantes chineses recém-chegados e com domínio pleno do inglês, de acordo com seus testes de proficiência, e 64 estudantes nativos. O primeiro teste levou em conta a inteligência não-verbal dos grupos, que revelou um padrão de igualdade entre eles. Já quando o foco foi o idioma em si, o resultado foi bem diferente.

Na amostra avaliada, os estudantes internacionais tinham um vocabulário médio em inglês, com pouco menos da metade do que o dos estudantes nativos. Além disso, eles leram e processaram informações na língua estrangeira com metade da velocidade, entenderam significativamente menos o que leram e foram menos capazes de resumir o conteúdo lido. Para colocar isso em contexto, suas dificuldades com a leitura e escrita foram muito maiores do que as relatadas nos mesmos testes por estudantes locais que sofrem de dislexia.

Após o final do ano letivo, o grupo foi avaliado novamente. Os resultados mostraram que os alunos estrangeiros que possuíam um melhor nível de domínio do idioma ao chegar na universidade tiveram um desempenho de notas, por exemplo, maior do que aqueles que chegaram com uma proficiência mais baixa. Já as habilidades de linguagem dos estudantes nativos não foram preditivas do seu sucesso acadêmico.

Ou seja, para povos como nós, os brasileiros, que têm o inglês como segunda língua, o sucesso acadêmico pode ser restringido em função das habilidades no idioma. Mesmo quando o indivíduo preenche o requisito mínimo de proficiência exigido pelo governo ou pelas instituições de ensino.

O que vale salientar é que isso é bem diferente de dizer que os estudantes internacionais não podem se dar bem nas universidades estrangeiras. Até porque nós temos uma série de exemplos que mostram o contrário. Entretanto, é um termômetro importante para nos levar a pensar sobre como encaramos o idioma nesse processo educacional.

Isso porque, apesar de termos visto a prática da internacionalização do ensino superior brasileiro aumentar, ainda temos no nosso país uma situação bastante distante no ensino escolar. Estamos habituados a medir a proficiência da sociedade pela famosa expressão “falar inglês”. Isso sem o envolvimento de parâmetros internacionais que conferem condição de igualdade entre nós e o restante do mundo. A forma como a nossa cultura enxerga a questão da avaliação gera uma divergência entre os objetivos que se pretende e os resultados que são alcançados. Exemplo claro é a parcela de alunos que estuda o idioma por muitos anos e não consegue o colocar em prática na vida cotidiana e na comunicação.

Então, se, para você, o inglês é algo importante apenas para conseguir ingressar na universidade no exterior, esse é o momento de repensar. É preciso que haja consciência sobre a importância e o impacto da língua no seu desempenho. Exceder os padrões mínimos de proficiência pedidos nos processos de admissão é o que ajudará a tornar a experiência do intercâmbio enriquecedora e valiosa de verdade.

Sobre o autor

Alberto Costa possui 30 anos de experiência no mercado de educação, tendo atuado como professor de inglês, examinador dos exames de Cambridge English Language Assessment, treinador de professores para as certificações CELTA, ICELT e DELTA. Além disso também esteve à frente de iniciativas de treinamento e formação continuada de professores de inglês e de consultoria acadêmica. Costa possui especialização em treinamento de professores (PRINSELT) do College of St. Mark & St. John em Plymouth, Reino Unido, e é certificado por Cambridge com o diploma Cambridge RSA for Overseas Teachers of English (DOTE). Atualmente ele ocupa a posição de Senior Assessment Manager de Cambridge English no Brasil.

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