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Pós Graduação

O que você precisa saber para cursar uma pós-graduação fora do Brasil

23.12.15

“No mestrado fora, fui bombardeada por pessoas e ideias e voltei mais crítica”

mestrado no exterior

Joice Toyota foi a Stanford com o sonho de mudar o país. Hoje, dirige o programa de trainees Vetor Brasil. Saiba mais sobre o impacto do mestrado no exterior na carreira!

Depoimento de Joice Toyota concedido a Ana Pinho 

“Meu mestrado aconteceu exatamente no momento em que decidi dar uma guinada na carreira. Eu tinha 29 anos e estava trabalhando em consultorias há sete quando encontrei o que fazia meus olhos brilharem, que era educação pública e governo. Foi quando comecei meu processo de application (candidatura) a Stanford, uma escola que oferece um MBA excelente e ainda poderia me manter conectada com o Brasil, uma vez que dispões do Lemann Center, um centro formado por quatro professores excepcionais que realizam pesquisa de ponta em educação brasileira. Também foi bom para meu marido, que é empreendedor e atraído pelo Vale do Silício. Demos muita sorte de passarmos na mesma universidade e foram dois anos fantásticos como recém-casados, de junho de 2013 a junho de 2015.

Minha perspectiva do Brasil mudou muito enquanto estive lá. Sou otimista em relação ao país e passar um tempo fora me ajudou a ter um olhar mais crítico, sem perder a vontade de fazer acontecer

9 profissionais falam sobre o impacto do mestrado no exterior na carreira

Meu caminho até Stanford não foi tão óbvio. Nunca tinha sonhado em estudar fora até ver que meus colegas estavam indo. Eram pessoas parecidas comigo, eu pensei, e se eles podem eu também posso! Fui a primeira pessoa da minha família a fazer pós-graduação e, quando eu estava aplicando, minha família e eu ficamos preocupados com os preços dos cursos, que ultrapassavam 50 mil dólares por ano. A parte boa desta história é que há muitas organizações que apoiam estudantes brasileiros que querem estudar fora. Consegui bolsas da Fundação Lemann, da Fundação Estudar e da Brazilian-American Chamber of Commerce. Na formatura, meu pai foi o único a bater palma para todos os 400 formandos. Estava muito feliz.

Logo após sair o resultado, ainda no Brasil, comecei a trabalhar no governo e veio a vontade de continuar nesse caminho. Por ter passado tempo em Stanford, onde fiz um joint degree (diploma conjunto) de MBA e mestrado em Educação, resolvi empreender pela primeira vez na vida com alguns amigos. Entre o primeiro e o segundo ano de estudos, no verão, lançamos uma nova versão do Vetor Brasil, que conecta jovens talentos a projetos inovadores e de alto impacto social no setor público, e o projeto começou a dar certo. Ganhei um prêmio de inovação social em Stanford e voltei há cinco meses ao Brasil para tocar o Vetor.

Um dos grandes desafios do governo é atrair pessoas de qualidade, porque há um estereótipo de que é um lugar corrupto, que não funciona. É fácil xingar na mesa do bar – eu também faço isso! –, mas tem muita gente melhor que eu trabalhando ali e que tem enorme dificuldade em atrair talentos porque não tem um selinho no currículo como o meu mestrado. Agora, consigo chacoalhar mais os outros para provar que há coisas legais e interessantes na área pública.

Onde trabalho, muitos não sabem a diferença entre um intercâmbio e um MBA. Mas há quem agora esteja mais interessado em ouvir o que eu tenho a dizer e investidores que abrem as portas. Também atrai os jovens ao Vetor Brasil. Como muitos pensam em fazer mestrado fora, é algo que desperta a atenção.

Minha perspectiva do Brasil mudou muito enquanto estive lá. Sou otimista em relação ao país e passar um tempo fora me ajudou a ter um olhar mais crítico, sem perder a vontade de fazer acontecer. Refleti sobre as dificuldades históricas do Brasil, que vão precisar de mais força e mais paciência.

Esse tempo para refletir com qualidade e dedicação mudou minha vida: não adianta pensar no ônibus a caminho de casa. Lá, fui muito desafiada, bombardeada por pessoas, ideias, cursos, e no meio disso encontrei um papel que posso cumprir, que é atuar no setor público para ajudá-los e me ajudar.

Meu sonho é que o Brasil seja um país menos desigual, em que as pessoas não tenham oportunidades de vida tão diferentes por conta de suas condições financeiras. É uma indignação que surgiu quando eu era pequena e que carrego até hoje.”

Sobre Joice Toyota
Joice é diretora do Vetor Brasil. Formada em Engenharia pela Escola Politécnica da USP, fez MBA & Mestrado em Educação em Stanford, entre 2013 e 2015. É bolsista da Fundação Lemann e da Fundação Estudar.

*Na foto, Joice durante a formatura do seu mestrado em Stanford / Crédito: Telma Mendes

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