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17.03.16

Mestrado na China, estágio no Japão

Tsinghua Internship

Estudante da Universidade Tsinghua, em Pequim, Bruno Suzart conta como a experiência no extremo oriente lhe abriu portas em todo o mundo

Por Nathalia Bustamante

Planejando trabalhar com comércio exterior, e ciente da importância do mercado chinês no cenário global, o baiano Bruno Suzart abriu mão das bolsas que havia recebido para estudar na Califórnia, em Londres e na França e embarcou em um vôo de 24 horas para Pequim.

A escolha, segundo ele, foi por acreditar que a experiência seria mais rica: “Mesmo sabendo que o conteúdo acadêmico provavelmente seria mais pesado nos Estados Unidos ou no Reino Unido, na China teria um crescimento pelo choque cultural mais interessante”, comenta.

Aqui, trabalhamos com os principais teóricos do ocidente, lógico, mas há um background de literatura feita na China a que não temos acesso aí.

O conteúdo acadêmico, porém, acabou se mostrando tão rico quanto. “Aqui, trabalhamos com os principais teóricos do ocidente, lógico, mas há um background de literatura feita na China a que não temos acesso aí”, comenta. Ele estuda Mestrado em Administração Pública na Universidade de Tsinghua, a mais prestigiada do país e a melhor entre os países em desenvolvimento. “É o maior pool de talentos da China – 70% dos presidentes do país se formaram aqui, inclusive o atual, Xi Jinping. Isso abre muitas portas aqui no Oriente, mas também nos Estados Unidos e na Europa”, constatou.

Estando na China, Bruno aprendeu em um ano a falar mandarim (“Fiz um intensivo quando namorei uma chinesa que não falava inglês”, ri ele). Além disso, estudar desenvolvimento e instituições chinesas o fez entender melhor o sistema de organização do país. “As relações entre pessoas se formam de uma maneira diferente aqui. Entender essa cultura é muito importante para conseguir trabalhar com ela em um ambiente profissional”, afirma.

Vida em Pequim

Os primeiros meses, segundo ele, foram de muita descoberta. Os professores auxiliam os estudantes internacionais nesta transição, explicando história chinesa, tradição, conhecimentos populares e senso comum. “Depois que comecei a aprender chinês e entender como as pessoas se tratam, minha percepção ficou muito mais clara e absurdamente diferente”, comenta.

Um dos principais choques culturais foi a inexistência de uma distinção entre vida privada e vida profissional ou acadêmica. “Vi, em diversas situações, estudantes sendo chamados atenção pelo seu comportamento em uma festa na noite anterior”, comenta. Com estrangeiros, porém, o tratamento é diferente: “Eles têm o cuidado de colocar o estudante internacional em um ambiente mais parecido possível com o ocidente”.

Depois que comecei a aprender chinês e entender como as pessoas se tratam, minha percepção ficou muito mais clara e absurdamente diferente

Durante seu primeiro ano no país, Bruno deu aula de inglês para complementar a renda – embora o custo de vida seja razoavelmente baixo comparado a outras cidades cosmopolitas. “Com 500 dólares por mês consigo me manter tranquilamente, inclusive viajar e comer em restaurantes bons”, observa.

A cidade de Pequim possui um sistema de transporte urbano baseado em trens e metrô que é amplo e eficiente. “Mas não espere ter seu espaço pessoal respeitado, é muita gente”, ri Bruno. Os estudantes da Universidade, porém, quase não precisam sair dentro do campus: lá dentro há cinemas, restaurantes, supermercados e os alojamentos estudantis.

Da experiência de morar em Pequim, Bruno destaca também a possibilidade de conhecer o interior da China. “Sou apaixonado por história e aqui tinha a possibilidade de pegar um trem e ir para uma cidade que está mantida praticamente da mesma forma há 4 mil anos”, comenta.

“Foi sem dúvida uma experiência que abriu muito minha cabeça – ir para os Estados Unidos, por exemplo, é muito parecido com o que temos no Brasil, você vive no mesmo conforto. Aqui, tudo é diferente, e você aprende muito até entender como funciona”.

Quer usar Netflix ou Spotify, por exemplo? Só através do VPN. A internet chinesa bloqueia alguns serviços do ocidente.

Quer usar Netflix ou Spotify, por exemplo? Só através do VPN. A internet chinesa bloqueia alguns serviços do ocidente. “Ou você usa o VPN, ou se acostuma com as alternativas chinesas que, no fim das contas, também funcionam muito bem”, comenta ele.

Ele encontrou, porém, uma similaridade com o Brasil: “Também é um país em desenvolvimento, então também tem a coisa do jeitinho. Relacionamentos são muito importantes, e você precisa aprender a procurar as pessoas certas para resolver o seu problema”, comenta.

O curso e as portas ele que abriu

Cursando gestão pública na melhor universidade do país, Bruno teve aula com consultores do governo e com o alto escalão da academia chinesa. “Um dos meus professores, por exemplo, escreveu 1/3 da constituição Chinesa”, exemplifica. O curso é todo em inglês e já recebeu estudantes de 52 nacionalidades diferentes.

Da mesma forma como funcionam as universidades ocidentais, Bruno pôde “puxar” disciplinas de outros cursos para complementar sua formação. Assim, fez disciplinas de economia e negócios, e também outras mais específicas como engenharia renovável e machine learning.

Um dos principais aprendizados, para ele, foi entender o sistema chinês. “Há uma simbiose única entre governo e mercado e ela funciona de forma que todos fiquem feliz. Abrir minha cabeça para isso me ajudou muito a entender as relações comerciais feitas aqui”, explica ele. Só entendendo este sistema, afirma ele, é possível entender a política industrial chinesa.

É o maior pool de talentos da China – 70% dos presidentes do país se formaram aqui, inclusive o atual, Xi Jinping. Isso abre muitas portas aqui no Oriente, mas também nos Estados Unidos e na Europa

Como estudante, Bruno tinha permissão de fazer estágio. “As principais multinacionais do mundo vêm recrutar aqui, as melhores consultorias também.”  No seu caso, ele optou por fazer um estágio em Tóquio, no Japão, na área de energia renovável. Trata-se de uma empresa familiar que é a joint venture que mais cresce no país nos últimos 20 anos. “As relações são muito baseadas na confiança, e isto é muito comum no Japão”, comenta ele.

Bruno se formará no meio do ano e não pretende ficar na China. Ele explica que até tinha cogitado algumas vagas no país, mas outra oportunidade mais interessante apareceu: “Eu propus aos meus empregadores do Japão abrir uma representação no Brasil. Consegui levantar 4 ou 5 dezenas de potenciais clientes no Brasil e eles toparam. Agora, estão confiando em mim para este negócio de risco”, comemora ele, que se tornará head do escritório no Brasil.

A saudade da China, porém, não será um problema. Baseado entre São Paulo e Tóquio, e com diversos fornecedores em Xangai, ele terá a chance de passar bastante tempo no país que lhe abriu tantas portas.

 

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